domingo, 10 de junho de 2012

E com pólvora na ampulheta


Você diz que me quer. Tem certeza? Tem certeza de que sabe aonde está se metendo? Eu faço parte de um segmento de mulher movida à paixões. Paixão por qualquer coisa, pelas pessoas, pelas situações, pela vida. A gente se apaixona pela música que está tocando, pelo cheiro de cigarro no moletom que alguém deixou pra trás, pela taça de espumante que a gente está bebendo. Com a gente não tem meio termo, é pra pisar fundo, é pra viver de verdade, é pra ser triste com força, é pra gritar com força, é pra ser feliz com muita, muita, muita força.

(Mesmo que dê aquela culpinha no dia seguinte)

Fera



Talvez você já tenha percebido, mas eu me apaixono com o corpo inteiro. Me apaixono nas pontas dos dedos, no meu suor, na minha saliva, você vai sentir na minha voz, na ponta minha língua, na pele. Não tem nada que eu possa te dizer, fazer, escrever, que vai ser mais preciso que o que está impregnado no meu hálito. Que como já sou puro instinto nada mais natural do que ser bem primitiva e falar com o corpo, nada mais autêntico, mais forte do que todas as minhas células se esforçando e trabalhando em favor do que você me provoca, sem pensar em nada, sem ser nada além de sensação e sentimento, por inteiro.

domingo, 3 de junho de 2012


Eu fui tão longe, me feri, me expus, queria saber, até onde dava, o que eu aguentava, o quanto me virar do avesso me faria me sentir melhor e o quanto ia me fazer mais sozinha. Doeu, dói ainda, o quanto eu me coloquei em risco, só pra me desafiar. Não, não foi só por isso, mais foi principalmente por isso. Ferida na carne, lá dentro, foi pra arrebentar, pra doer no outro dia, pra me fazer sangrar até hoje, foi assim porque eu queria, porque eu precisava que fosse assim. Mas não me preencheu, não sei. Não me arrependo, não fiz errado, fiz o que tinha que fazer. Eu necessitava me espetar em rocas de bruxa por aí, tanto, mais do que qualquer coisa, eu fiz, do jeito mais avulso e gratuito e baixo que eu conseguia, dos meus limites.
Acabou.
Agora passemos para a próxima ilusão da fila.

Miss Eu mesma

Eu acho bom eu ir parando com essas maluquices e ir dormir de uma vez, que quanto mais eu penso, menos eu chego a algum lugar.

E que tal o ano novo tem te tratado?

É, né, que tal? Sei não.
Parece às vezes que tem passado demais, planos de menos.
Parece às vezes que tem mais confusão do que qualque outra coisa.
A bagunça de fora que se mistura com a de dentro.
Sei não.
Tem me tratado de um jeito meio estranho, ta passando longe e de vez em quando aparece pra me entregar umas encomendas que eu não quero, não deveria querer, e que chegam atrasadas demais.
As novas que é bom, nada.

sábado, 2 de junho de 2012

Declaração (à moda da casa)


Eu quero ter muitos outros dias como os que já tivemos. Acho que é por isso que eu decidi ir contra tudo o que parecia sensato pra ficar com você. Você está aí, dormindo na sua cama, a sei lá quantos quilômetros de mim (muitos) e às vezes é tão difícil, é tão árido, é tão complicado te ter pela metade (ainda mais quando já tive por inteiro). Passei tanto tempo querendo encontrar assim, uma pessoa inteira, eu nem sei explicar direito, essa cumplicidade que me faz sentir que com você eu posso ser livre e entregue ao mesmo tempo, tem tanto sentido ficar ao seu lado, é tão natural, é tão óbvio, é simples e totalmente egoísta e epifânico como pegar aquela estrada naquele domingo. É a maneira como você me respeita, respeita o que eu penso, o que eu sinto, o que eu quero, que me faz me sentir tão à vontade em ser do jeito que eu sou, nos mínimos detalhes. Depois disso, te ter em migalhas é horrível, é doloroso, mas pior; me faz dormente, me faz esquecer, faz as memórias ficarem mais fracas, faz tudo às vezes parecer repetição, parecer pouco. Eu já estou cansada de ouvir de todo mundo dizer que estou cometendo um erro, estou cansada de sentir que as pessoas estão torcendo para eu desistir. Não estou tentando provar que estou certa, não estou tentando provar nada, nem sei aonde vou chegar. É que quando eu lembro do que aconteceu, lembro de você dirigindo naquele frio de bater queixo com um cigarro na boca e olhos brilhando com o sol que estava nascendo, eu não tenho escolha. Eu quero mais dias assim, muitos mais, o quanto for possível, mesmo que para isso eu precise ter muitos dias sem graça, chatos, dos dos quais eu provavelmente nem vou lembrar.

(Aliás, não foi exatamente isso o que você disse?)