sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Mar Branco
Frio, silêncio, neve.
Fumaça, guitarra.
-Você deve ter muito orgulho de si mesma, garotinha.
Fumaça, guitarra.
-Você deve ter muito orgulho de si mesma, garotinha.
Cativeiro
Não me mande de volta em trinta dias. Nem sessenta. Nem noventa.
(Nem qualquer tempo que seja antes do suficiente.
(Nem qualquer tempo que seja antes do suficiente.
Pra ser sincera,
eu nunca quis passar pela vida das pessoas sem causar estrago. Eu nunca quis ser só mais uma companhia amena pra ninguém. Mesmo porque eu sei que qualquer um só é capaz de se aproximar de mim quando está cheio de rebeldia. Eu quero marcar quem chega perto de mim, pra sempre. Eu não preciso ser a eleita, a escolhida, eu nunca vou ser. Mas eu sou um rombo no passado de quem se atreveu ficar por perto. Porque eu quero te fincar minhas garras por dentro pra arranhar e as cicatrizes nunca mais saírem. Vou deixar minha marca na sua alma. Vou te chacoalhar por dentro, como um ferro em brasa, incandescente, abrindo sulcos na sua pele pra fazer uma tatuagem à fogo que vai te mudar pra sempre.
Poética da Ilusão
Estou te admirando de longe. Estou admirando sua coragem. Estou te querendo em silêncio. Mas é bom esperar. Porque o nosso ritmo não tem que ter nada a ver com mais ninguém. Aliás, nada disso tem a ver com mais ninguém.
Toda essa poesia, ela é só minha e sua.
Toda essa poesia, ela é só minha e sua.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Você quer me enlouquecer? Eu sei que é exatamente isso, e sabe que está funcionando. Eu já nem tenho mais idade pra isso. Eu quero exatamente as nossas conversas madrugada adentro, eu quero os seus abraços (eu sumo neles, eu juro), eu quero você aqui, eu nem sei como. Eu quero. Eu quero você. E está cada vez mais difícil porque você sabe como é essa solidão toda e eu quero toda essa poética, eu não posso fazer nada a não ser fazer birra e dizer eu quero eu quero eu te quero como há muito tempo eu não quero ninguém, e eu to sozinha é por isso, porque eu to cheia de gente e eu quero uma só, que eu só sossego quando você está por perto, eu quero essa sua voz doce no pé do meu ouvido e esse seu carinho e eu sei, eu entendo as implicações x, y, z, mas vem e dessa vez não foge mais porque eu sou de verdade e eu sei que você também é. Eu vou ficar louca. Acho que já estou. Veio em péssima hora. Mas é inevitável. A culpa é toda sua. Não me prende, não me controla, não me faz nada além daquela única coisa que a gente sabe que importa. Foda-se todas essas idiotices que existem, as infantilidades, tudo o mais, eu conheço você, conheço esse seu mar de mel e sei que no fundo é inegável o que acontece, então fica, não vai embora mais, que eu só penso nisso faz dias. Eu estou ficando louca. Você está me consumindo, da maneira mais deliciosa. Me acorda de novo, me toca de verdade, eu cansei de brincar de pique-esconde com todo mundo.
(Você me entende.)
E eu não fecho.
(Você me entende.)
E eu não fecho.
Mar Morto
O seu oceano, é inteirinho de morte.
Eu toquei as águas escuras com as pontinhas dos pés, e resolvi mergulhar. Descer, engolir água, me afogar em você. Fui além dos seus bancos de areia, seu assoalho oceânico. Fui tão fundo até a sua pressão estourar meus tímpanos, fui desafiar minha resistência nesse teu fundo de mar.
Você é abissal.
Seu oceano é inteiro amargo.
Metros e metros cúbicos de azul-escuro, manchado de petróleo, água gelada, e nenhum peixinho.
E eu, para as suas ondas me engolirem. E engoliram.
Mas eu volto, porque sempre gostei mesmo é de uma boa aventura, de estar perto da morte, de mergulhar sem tanque de óxigênio sem nada e voltar quase ilesa.
Quase.
Eu toquei as águas escuras com as pontinhas dos pés, e resolvi mergulhar. Descer, engolir água, me afogar em você. Fui além dos seus bancos de areia, seu assoalho oceânico. Fui tão fundo até a sua pressão estourar meus tímpanos, fui desafiar minha resistência nesse teu fundo de mar.
Você é abissal.
Seu oceano é inteiro amargo.
Metros e metros cúbicos de azul-escuro, manchado de petróleo, água gelada, e nenhum peixinho.
E eu, para as suas ondas me engolirem. E engoliram.
Mas eu volto, porque sempre gostei mesmo é de uma boa aventura, de estar perto da morte, de mergulhar sem tanque de óxigênio sem nada e voltar quase ilesa.
Quase.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Inesperadamente, o melhor
Eu poderia dizer muitas coisas, já que adoro falar de mim. Mas descobri que de repente as pessoas me conhecem muito mais do que imagino. E por isso, no meu dia, no meu blog, vou deixar outras pessoas entrarem (porque elas são importantes pra mim, importantes demais):
amanhã, se te vir, direi coisas bonitas. mas você sabe que tem coisas que ficam melhor nas letras do que na boca - e vice-versa.
a começar, eu te desejo muito. muito de amor, de sexo e de revolução - e assim te desejo material pra conversa que eu sei que você gosta é de falar de amor, sexo e revolução.
te desejo a vida complicada que eu sei que você quer ter - não me engane, você gosta - e muita coisa pra chamar de sua, seu, não-sua e saia-do-meu-pé-sua-vaca-asquerosa.
te desejo cream cheese.
te desejo geléia, meia arrastão e suspensórios.
te desejo uma temporada nova com um começo incrível no exterior.
e é isso, te desejo o bem
parabéns (:
amanhã, se te vir, direi coisas bonitas. mas você sabe que tem coisas que ficam melhor nas letras do que na boca - e vice-versa.
a começar, eu te desejo muito. muito de amor, de sexo e de revolução - e assim te desejo material pra conversa que eu sei que você gosta é de falar de amor, sexo e revolução.
te desejo a vida complicada que eu sei que você quer ter - não me engane, você gosta - e muita coisa pra chamar de sua, seu, não-sua e saia-do-meu-pé-sua-vaca-asquerosa.
te desejo cream cheese.
te desejo geléia, meia arrastão e suspensórios.
te desejo uma temporada nova com um começo incrível no exterior.
e é isso, te desejo o bem
parabéns (:
De resto, tenho a dizer que: Hoje eu tenho no lugar do coração uma garrafa de champanhe, dos mais caros. E ela está prestes a estourar e borbulhar meu corpo inteiro.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Sorte.
Sorte de estar viva.
Sorte de ter os amigos que eu tenho.
Sorte de ser finalmente querida.
Sorte de ter quem me ame.
Sorte de poder realizar meus sonhos.
Sorte de tanta coisa.
Parece até demais para uma pessoa só.
Sorte de ter os amigos que eu tenho.
Sorte de ser finalmente querida.
Sorte de ter quem me ame.
Sorte de poder realizar meus sonhos.
Sorte de tanta coisa.
Parece até demais para uma pessoa só.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Um brinde a todas nós, mulheres contemporâneas, que carregamos todo esse zeitgeist nas costas, nas unhas. Um brinde a nós com nossas meias pretas rasgadas, no chão com uma dose de vodka vagabunda e um cinzeiro transbordando e esmalte lascado nas unhas compridas, maquiagem borrada, todo o glamour decadente que a solidão da juventude é capaz de nos fornecer.
Um brinde à batata frita cheia de gordura, ao foda-se aos jantares caros, os sapatos de salto e vamos todas juntas sermos criaturas da noite, lindíssimas e alcóolatras e ninfomaníacas e insatisfeitas cheias de humor negro e cheias de politicamente incorreto, levantem os copos de plástico e brindem comigo, pelo preço que pagamos e estamos dispostas a pagar, com sangue, com toda a exposição e toda a solidão.
Um brinde à batata frita cheia de gordura, ao foda-se aos jantares caros, os sapatos de salto e vamos todas juntas sermos criaturas da noite, lindíssimas e alcóolatras e ninfomaníacas e insatisfeitas cheias de humor negro e cheias de politicamente incorreto, levantem os copos de plástico e brindem comigo, pelo preço que pagamos e estamos dispostas a pagar, com sangue, com toda a exposição e toda a solidão.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Manifesto pelos cerebrados
Eu nunca
Vou ser dessas pessoas que falam pelo coletivo
Eu nunca
Vou vomitar tudo que eu ouvir sem mastigar
Eu nunca
Vou lutar por algo que eu não acredito
Eu nunca
Vou me render por uma causa que não é minha
Nunca, nunca, nunca, um milhão de vezes
Vou repetir o quanto for necessário
Que esse tipo de utopia é burrice
No unissono, eu quero a minha voz
Eu quero cada uma das milhares
Bem alta e clara
Que é pra gritar junto
Mas não é pra gritar no mesmo tom
(E já que estamos todos em comum acordo, podem também pegar as suas tralhas e irem me fazer de idiota em outro canto)
Vou ser dessas pessoas que falam pelo coletivo
Eu nunca
Vou vomitar tudo que eu ouvir sem mastigar
Eu nunca
Vou lutar por algo que eu não acredito
Eu nunca
Vou me render por uma causa que não é minha
Nunca, nunca, nunca, um milhão de vezes
Vou repetir o quanto for necessário
Que esse tipo de utopia é burrice
No unissono, eu quero a minha voz
Eu quero cada uma das milhares
Bem alta e clara
Que é pra gritar junto
Mas não é pra gritar no mesmo tom
(E já que estamos todos em comum acordo, podem também pegar as suas tralhas e irem me fazer de idiota em outro canto)
Ei, psiu, garotinha! Já é dezembro.
Chuva torrencial, dessas de alagar a cidade inteira, pingos do tamanho de nozes, os sapatos e as barras da calça encharcados. Tempestade de verão e daí eu me lembro porque essa é a minha época preferida do ano, porque eu gosto tanto da possibilidade de me tornar uma nova pessoa, uma nova chance, um ano inteiro novinho. Já é tempestade todo dia, já é hora de perceber que sim, tudo mudou e se há um ano atrás essa mesma chuva foi uma cortina de sonho, agora ela é minha que dói e eu só quero isso, quero minha coleção de dezembros chuvosos. Que é sol de rachar o dia todo, ombros ardendo e uma tromba d'água de paralisar a minha cidade (ela é minha agora - ou quem sabe sempre foi) exatamente como eu sou, como eu sou um dia de verão, de calor escaldante e dilúvio, e é essa a minha época do ano e ela é incrível, sempre é. Ela é incrível com a minha ansiedade infantil por presentes e festinhas, com minhas escapadas pra ensopar o uniforme ouvindo música na chuva, que é pra me acabar de beijar o então amor da minha vida no meio da poça, que é pra estar quietinha de guarda-chuva com bloquinhos de realização completa. É só meu, é tudo tão só meu e agora é assim mais do que nunca e não é solitário, é lindo como os fogos de artifício da virada do ano; esperei onze meses para quando eu posso deitar na grama e afogar na chuva quente. Eu não poderia ter escolhido uma época melhor pra nascer (retiro o que disse antes!); me reinventar justamente quando tudo acaba pra começar de novo. Vem chuva, vem dia sete, vem avião, vem ano novo, venham todos cheios de pressa, que eu estou louca pra inundar o chão inteiro com tudo mais que eu tenho pra viver.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Preste atenção, querida... (Eu vim te desejar feliz aniversário)
Como se fosse simples, como se não doesse, como se fosse natural, o tempo passa. E de repente você percebe que já já você vai estar olhando pra trás e pensando que porra eu fiz da vida que me deram. Como se fosse bondade, você vai se lembrar só do que poderia ter feito diferente, sem se lembrar dos motivos para não ter feito. Porque é o agora que determina o depois; mas ele já não vai fazer diferença no futuro.
Sem eu nem saber direito como, eu estou aqui. Tenho mais anos do que gostaria, umas amarguras chatas e uma força que me compele e me consome. Do what it takes to survive, ‘cause I’m still here. Com pompa e circunstância. Cheia de sonhos, cheia de planos, cheia de frustrações.
Sem nem ter percebido, de repente eu sou cheia de bagagem. Já passei por várias histórias e coleciono todas na manga. Sem nem saber quando, de repente eu ando na rua e não olho mais para o chão. Eu nem mesmo estou perdida em divagações poéticas sobre futuros bobos e calcados em geléia.
Eu não vou saber te dizer como, quando, por que, mas de repente, eu sou adulta, eu sou uma mulher feita, assim, do alto dos meus vinte e poucos e de todas as pessoas queridas que eu nunca vou abandonar do alto desse meu controle descontrolado das pequenices que me fazem e o mundo já não é mais um moinho que está prontinho pra me triturar; ele agora é uma roda-gigante, meio capenga, meio enferrujada, com aquelas gaiolinhas que rangem e dá medo pra caralho mas quando você chega lá em cima você vê a cidade toda e vale à pena. (Eu vivo por isso, pelos momentos em que minha roda-gigante chega lá em cima).
E eu escrevo isso porque quando eu olhar para trás e me sentir vazia, quando eu estiver sozinha na vida meio mais ou menos que o destino preparou pra mim eu vou precisar me lembrar que a roda-gigante só vai aumentar o diâmetro e vai demorar muito tempo para os ciclos se completarem. Só que quando eu chegar lá em cima não vou ver mais a cidade inteira; vou ver a galáxia inteira (e ela vai ser só minha).
sábado, 26 de novembro de 2011
Pneus no asfalto nessa tarde de sábado. Corre, corre, corre, vento, óculos escuros, cheiro de gasolina e Garbage no rádio, estourando a caixinha de abelha por marginais e avenidas, pontes e viadutos, volante no meio dos olhos, os ponteiros do painel fincado neles, cinza demais para uma pessoa só. Três maços de cigarro no banco carona e um tanque infinitamente cheio, que é pra eu atravessar a megalópole e achar um lugar onde o céu e o chão se misturam.
Jornada dupla não é nada
- Coisa bonita hein? Todo um dia um vernissage.
- Toda noite.
- Com a nata intelectual e artística para discutir os rumos metafísicos da condição humana.
- Não existe isso de "rumos metafísicos".
- Pra ouvir Portishead tomando cházinho tailandês no seu sofá de chenile coral. Que new age.
- Deveras.
- Tipo mulher balzaquiana geração prozac.
- Quase balzaquiana.
- Indo a museus e saraus de poesia; feminista praticante.
- Exato.
- Mulher independente, bem sucedida, mal-amada, vivendo com gatos numa parte deprimente de uma metrópole e usando tamanquinhos de couro cru.
- Não é cru.
- Vegetariana quase vegan, cinéfila declarada, solitária de carteirinha.
- Mas e quem não é, hoje em dia?
- Qual das três coisas?
- As três.
- E ainda assim, toda noite um vernissage.
- Toda noite.
- Toda noite.
- Com a nata intelectual e artística para discutir os rumos metafísicos da condição humana.
- Não existe isso de "rumos metafísicos".
- Pra ouvir Portishead tomando cházinho tailandês no seu sofá de chenile coral. Que new age.
- Deveras.
- Tipo mulher balzaquiana geração prozac.
- Quase balzaquiana.
- Indo a museus e saraus de poesia; feminista praticante.
- Exato.
- Mulher independente, bem sucedida, mal-amada, vivendo com gatos numa parte deprimente de uma metrópole e usando tamanquinhos de couro cru.
- Não é cru.
- Vegetariana quase vegan, cinéfila declarada, solitária de carteirinha.
- Mas e quem não é, hoje em dia?
- Qual das três coisas?
- As três.
- E ainda assim, toda noite um vernissage.
- Toda noite.
Eu Hein
Mas que coisa
Gente mais maluca
Que quer jogar na minha cara coisas que eu nem entendo
Que quer tacar fogo em barril de pólvora só pra ver se a explosão é bonitinha
Que quer me ofender como se eu fosse uma pessoa ruim
Que pena
Justo quando eu estava tentando me aproximar
Quanto mais rápido você entener
Que as pessoas não vão atender suas expectativas
Melhor pra você.
Eu faço o que eu tenho que fazer
E poderia ter descido muito mais baixo
Te golpeado onde mais dói (como você fez comigo)
As armas estavam todas aqui, você me deu cada uma delas
E ainda vem me dizer que eu sou agressiva?
Você não consegue nem mesmo perceber
Que todo mundo faz esforço
Pra ficar do seu lado também
Gente mais maluca
Que quer jogar na minha cara coisas que eu nem entendo
Que quer tacar fogo em barril de pólvora só pra ver se a explosão é bonitinha
Que quer me ofender como se eu fosse uma pessoa ruim
Que pena
Justo quando eu estava tentando me aproximar
Quanto mais rápido você entener
Que as pessoas não vão atender suas expectativas
Melhor pra você.
Eu faço o que eu tenho que fazer
E poderia ter descido muito mais baixo
Te golpeado onde mais dói (como você fez comigo)
As armas estavam todas aqui, você me deu cada uma delas
E ainda vem me dizer que eu sou agressiva?
Você não consegue nem mesmo perceber
Que todo mundo faz esforço
Pra ficar do seu lado também
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Menina Farol
Pra você, tudo isso sempre foi muito simples, muito trivial. Todas as portas sempre se abriram, você foi sempre a mais cobiçada, todas as cabeças se viraram para você quando você entrou. Você frequentou as melhores festas, teve a vida mais divertida, teve todos aos seus pés, todas as vantagens que uma estética privilegiada pode oferecer. Você não teve que lidar com complexo de feiúra adolescente, não perdeu seu amor dos treze anos para a garota mais bonita da turma, não sonhou em fazer plástica para diminuir o nariz, a barriga, o pé, aumentar o peito, a boca, o cabelo. Você nunca nem mesmo teve que buscar ser interessante por outros meios que não sua beleza e gostosura inigualáveis. Você não teve medo de não ser aceita, nem desejou ter qualquer vida social que não estivesse dentro de uma tela. Pra você, tudo é uma chuva de pérolas, champagne e confete. E você ainda vem dizer que me entende, que me conhecia antes, que sabe como eu me sinto?
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Em Pratos Limpos
Ah, essa sua burocracia
Esses seus termos difíceis
Essa sua maravilhosa retórica com argumentos muito bem fundados na hipopotomonstrosesquipedaliofobia, inconstitucionalissimamente
Pra se esconder
Com pilares fracos como palitinhos de fósforo (que eu quebraria com um chute)
Você é raso
Como uma piscina de bolinhas
Muito embora, antes, pelo contrário
Faça de tudo pra acreditar que não
Quando na verdade, o que te falta
É coragem para assumir o que você quer
E eu por tanto tempo acreditando que você era meu igual
Quando você tem o defeito mais crasso que um ser humano pode ter
Você não passa de
(É a única coisa que você é)
Um covarde.
Esses seus termos difíceis
Essa sua maravilhosa retórica com argumentos muito bem fundados na hipopotomonstrosesquipedaliofobia, inconstitucionalissimamente
Pra se esconder
Com pilares fracos como palitinhos de fósforo (que eu quebraria com um chute)
Você é raso
Como uma piscina de bolinhas
Muito embora, antes, pelo contrário
Faça de tudo pra acreditar que não
Quando na verdade, o que te falta
É coragem para assumir o que você quer
E eu por tanto tempo acreditando que você era meu igual
Quando você tem o defeito mais crasso que um ser humano pode ter
Você não passa de
(É a única coisa que você é)
Um covarde.
Âncora
Mulher ao mar
Não acudam
Que bobagem sua acreditar
Nessas histórias de proximidade não-próxima
Eu que já fui e já voltei
Te garanto que você está só tentando se vendar
Com papel machê
Não acudam
Que bobagem sua acreditar
Nessas histórias de proximidade não-próxima
Eu que já fui e já voltei
Te garanto que você está só tentando se vendar
Com papel machê
Um Dia
Vinho tinto e massa na varanda
Ferro fundido e mormaço noturno
Unhas escuras
Solidão aprazível
O estalar de uma língua estrangeira
Sozinha e tão completa
No ar do mediterrâneo
Pra comer, respirar, beber arte
A Primavera
A Ponte Velha
A ilha que uma mulher longe de casa é capaz de se tornar
Cercada de cores e histórias
Não importa muito quando
Sendo logo
Tudo bem, quando der
Mas eu vou
(Então espera, minha próxima casa, que eu chego)
Ferro fundido e mormaço noturno
Unhas escuras
Solidão aprazível
O estalar de uma língua estrangeira
Sozinha e tão completa
No ar do mediterrâneo
Pra comer, respirar, beber arte
A Primavera
A Ponte Velha
A ilha que uma mulher longe de casa é capaz de se tornar
Cercada de cores e histórias
Não importa muito quando
Sendo logo
Tudo bem, quando der
Mas eu vou
(Então espera, minha próxima casa, que eu chego)
Sexta-feira, Novembro 18, 2011
Chega.
Eu quero sair da casca
Já não tenho mais tempo, nem idade, nem vontade
Pra esses medos
Eu quero colocar na cara uma mulher formada
Chega. Não vou mais me esconder atrás de uma máscara estúpida
Quero mostrar tudo que eu quero, que eu desejo e tenho medo
Porque não cabe medo para alguém que já sente tanta dor
Porque não faz mais sentido essa fantasia de menina ingênua
Eu quero, daqui pra frente
Expor toda a minha torridez
Eu acho que (finalmente) estou cansando de ser criança
Porque ser adulta é mais do que ser uma moça-bem-resolvida-dona-de-si-que-paga-os-impostos-e-administra-a-própria-vida
É existir de uma outra maneira
Eu quero sair dessa fantasia de garotinha intocada
Eu quero parar com o faz-de-conta de ser de todo mundo
E sentir
De dentro pra fora
Eu vou desabrochar
Porque tudo isso é muito pouco (não me serve)
Porque não quero me aproximar de ninguém para reproduzir receitas prontas
Cansei de brincar de casinha
O que eu quero é que todos os meus anos me coloquem numa plataforma
Para eu alcançar outro patamar
Onde todos são o que eu espero de qualquer pessoa completa (e nunca encontrei nenhuma)
E eu vou estar de pé, batom vermelho, nariz em pé, plena.
Chega.
Eu quero sair da casca
Já não tenho mais tempo, nem idade, nem vontade
Pra esses medos
Eu quero colocar na cara uma mulher formada
Chega. Não vou mais me esconder atrás de uma máscara estúpida
Quero mostrar tudo que eu quero, que eu desejo e tenho medo
Porque não cabe medo para alguém que já sente tanta dor
Porque não faz mais sentido essa fantasia de menina ingênua
Eu quero, daqui pra frente
Expor toda a minha torridez
Eu acho que (finalmente) estou cansando de ser criança
Porque ser adulta é mais do que ser uma moça-bem-resolvida-dona-de-si-que-paga-os-impostos-e-administra-a-própria-vida
É existir de uma outra maneira
Eu quero sair dessa fantasia de garotinha intocada
Eu quero parar com o faz-de-conta de ser de todo mundo
E sentir
De dentro pra fora
Eu vou desabrochar
Porque tudo isso é muito pouco (não me serve)
Porque não quero me aproximar de ninguém para reproduzir receitas prontas
Cansei de brincar de casinha
O que eu quero é que todos os meus anos me coloquem numa plataforma
Para eu alcançar outro patamar
Onde todos são o que eu espero de qualquer pessoa completa (e nunca encontrei nenhuma)
E eu vou estar de pé, batom vermelho, nariz em pé, plena.
Angústia
Sexta-feira, Novembro 18, 2011
Já não tenho mais como
Me desfazer pra me refazer desse jeito
Nessa altura do campeonato
Tudo isso dói demais.
Já não tenho mais como
Me desfazer pra me refazer desse jeito
Nessa altura do campeonato
Tudo isso dói demais.
Bem Me Quer, Mal Me Quer
Quarta-feira, Novembro 16, 2011
Mais um dia disso e minha sanidade vai descer o último degrau, abrir a porta e ir embora de vez.
Mais um dia disso e minha sanidade vai descer o último degrau, abrir a porta e ir embora de vez.
"everyone looks dangerous and no one keeps their promises and I am always running"
Terça-feira, Novembro 08, 2011
A noite que vive dentro de mim
É como um véu
É suficiente para abrigar dois
Eu sou o tipo da mulher que não presta
Eu quero existir nos seus braços
Como uma qualquer, uma amante barata
Eu quero te esconder por dentro
Eu faço mais sentido quando você derrete meus pensamentos
Não demora, eu quero, agora, que é como se você fosse uma lâmina para me lapidar e jogar fora os pedacinhos de dor e me machucar me cortar me deformar, eu quero, eu quero, eu preciso, como um alcóolatra precisa de um gole, como um viciado precisa de um tiro. Eu quero essa anestesia momentânea, esse calmante para minhas dúvidas, me vira do avesso, me faz sangrar sangue suor estrelas qualquer coisa seu nome pra eu me desfazer na sua carne, na sua pele, porque dói demais e é tão bom porque é só doendo que não dó mais, pra você ter o meu coração nas mãos e esmagá-lo pra ele estourar, aquele sopro de vida que bate, bate, bate, arrebenta e eu sinto que o meu corpo é uma folha de papel amassada, minha mente finalmente fica quieta e eu só sinto, como eu deveria ser, obedecendo aos instintos que me dominam e aos quais eu quero me render, então não vai embora, não pára, que eu quero mais mais mais mais até eu te sugar pra dentro de mim e vamos estar nós dois perdidos na minha escuridão absoluta onde só existe desejo e dor, quando tudo se acaba no instante em que sentir se torna insuportável e só tem morte em cada poro e não dói mais.
(vem aqui me abrir como se eu fosse uma noz)
A noite que vive dentro de mim
É como um véu
É suficiente para abrigar dois
Eu sou o tipo da mulher que não presta
Eu quero existir nos seus braços
Como uma qualquer, uma amante barata
Eu quero te esconder por dentro
Eu faço mais sentido quando você derrete meus pensamentos
Não demora, eu quero, agora, que é como se você fosse uma lâmina para me lapidar e jogar fora os pedacinhos de dor e me machucar me cortar me deformar, eu quero, eu quero, eu preciso, como um alcóolatra precisa de um gole, como um viciado precisa de um tiro. Eu quero essa anestesia momentânea, esse calmante para minhas dúvidas, me vira do avesso, me faz sangrar sangue suor estrelas qualquer coisa seu nome pra eu me desfazer na sua carne, na sua pele, porque dói demais e é tão bom porque é só doendo que não dó mais, pra você ter o meu coração nas mãos e esmagá-lo pra ele estourar, aquele sopro de vida que bate, bate, bate, arrebenta e eu sinto que o meu corpo é uma folha de papel amassada, minha mente finalmente fica quieta e eu só sinto, como eu deveria ser, obedecendo aos instintos que me dominam e aos quais eu quero me render, então não vai embora, não pára, que eu quero mais mais mais mais até eu te sugar pra dentro de mim e vamos estar nós dois perdidos na minha escuridão absoluta onde só existe desejo e dor, quando tudo se acaba no instante em que sentir se torna insuportável e só tem morte em cada poro e não dói mais.
(vem aqui me abrir como se eu fosse uma noz)
Nostalgia
Domingo, Novembro 06, 2011
Minha vida só faz sentido quando eu olho pra trás
E tento enxergar todas as escolhas que me fizeram ser quem sou
Ser nostálgica não é opção; é sobrevivência
Porque em algum momento eu decidi rejeitar
O caminho que estava traçado pra mim
E tentar seguir um outro, mais difícil, mas só meu
E isso faz toda a diferença
Porque a escolha foi minha
Eu não posso parar de tentar entender a minha própria história
Eu não posso parar, porque é olhando pra trás que o presente faz sentido
Eu não mudaria absolutamente nada
Eu não faria nada diferente
Não existe sensação melhor no mundo
Do que estar exatamente onde você deveria estar
Me dá vontade de chorar
Porque eu consegui dar sentido à minha vida
E ninguém nunca vai tirar de mim
O meu murinho feito de memórias
Que me constitui
Porque eu sei, eu não tenho dúvidas
(Depois de tanto tempo, depois de tanto estar no lugar errado)
Eu estou ao lado das pessoas certas
Eu estou sendo quem eu quero ser
Eu estou exatamente
Onde eu deveria estar
Minha vida só faz sentido quando eu olho pra trás
E tento enxergar todas as escolhas que me fizeram ser quem sou
Ser nostálgica não é opção; é sobrevivência
Porque em algum momento eu decidi rejeitar
O caminho que estava traçado pra mim
E tentar seguir um outro, mais difícil, mas só meu
E isso faz toda a diferença
Porque a escolha foi minha
Eu não posso parar de tentar entender a minha própria história
Eu não posso parar, porque é olhando pra trás que o presente faz sentido
Eu não mudaria absolutamente nada
Eu não faria nada diferente
Não existe sensação melhor no mundo
Do que estar exatamente onde você deveria estar
Me dá vontade de chorar
Porque eu consegui dar sentido à minha vida
E ninguém nunca vai tirar de mim
O meu murinho feito de memórias
Que me constitui
Porque eu sei, eu não tenho dúvidas
(Depois de tanto tempo, depois de tanto estar no lugar errado)
Eu estou ao lado das pessoas certas
Eu estou sendo quem eu quero ser
Eu estou exatamente
Onde eu deveria estar
Eu estou virando um caramujo
Sexta-feira, Novembro 04, 2011
Está tudo tão d i s t a n t e . . .
Os ecos estão esparsos
Não tenho tempo pra ouvir o que vem de fora
Não tenho olhos para os contornos da realidade
Estou me fechando como uma concha
Uma ostra
Porque eu tenho um monte de pérolas por dentro
Um universo inteiro
E eu sinto e vejo
Num estreito no qual meu coração se espreme
E dói da forma mais bonita
Tenho galáxias e fogos de artifícios explodindo no céu da boca
E meus olhos estão enxergando em
A
Q
U
A
R
E
L
A
Como se o mundo fosse um Boticelli
Os ecos grotescos
Não tenho mais tempo para ver, nem escutar
Não tenho mais vontade de adorar, nem de odiar
É só um espaço abafado
Estou afundando em mim para me afogar nos meus fluidos
Nos meus cantinhos
E eu não quero nada além
Da incrível maravilha de se existir
Como uma engrenagem que faz barulhinhos quando se move
Da incrível capacidade de transcender
Gênero, espaço, bagagem
E ser
Levitar
Adentrar
A profunda complexidade de um universo inteiro em expansão
Que se cria sozinho
Que é meu
(E tudo que está aqui fora
É só o que os meus tentáculos estrelados
Alcançam para degustar)
Por dentro do meu universo negro
Minhas galáxias, meus buracos negros
Meus meteoros e minhas supernovas
Eu posso sentir e projetar
Como um raio laser
Varrendo o mundo
De dentro pra fora
Uma ostra
Cheia de pérolas
Uma ostra
Guardando o universo inteiro
Vou me trancar em mim
Sem remorsos
E ficar pertinho das minhas pecinhas
Eu estou realmente
Cada vez mais próxima
Da existência
h.e.r.m.é.t.i.c.a
Está tudo tão d i s t a n t e . . .
Os ecos estão esparsos
Não tenho tempo pra ouvir o que vem de fora
Não tenho olhos para os contornos da realidade
Estou me fechando como uma concha
Uma ostra
Porque eu tenho um monte de pérolas por dentro
Um universo inteiro
E eu sinto e vejo
Num estreito no qual meu coração se espreme
E dói da forma mais bonita
Tenho galáxias e fogos de artifícios explodindo no céu da boca
E meus olhos estão enxergando em
A
Q
U
A
R
E
L
A
Como se o mundo fosse um Boticelli
Os ecos grotescos
Não tenho mais tempo para ver, nem escutar
Não tenho mais vontade de adorar, nem de odiar
É só um espaço abafado
Estou afundando em mim para me afogar nos meus fluidos
Nos meus cantinhos
E eu não quero nada além
Da incrível maravilha de se existir
Como uma engrenagem que faz barulhinhos quando se move
Da incrível capacidade de transcender
Gênero, espaço, bagagem
E ser
Levitar
Adentrar
A profunda complexidade de um universo inteiro em expansão
Que se cria sozinho
Que é meu
(E tudo que está aqui fora
É só o que os meus tentáculos estrelados
Alcançam para degustar)
Por dentro do meu universo negro
Minhas galáxias, meus buracos negros
Meus meteoros e minhas supernovas
Eu posso sentir e projetar
Como um raio laser
Varrendo o mundo
De dentro pra fora
Uma ostra
Cheia de pérolas
Uma ostra
Guardando o universo inteiro
Vou me trancar em mim
Sem remorsos
E ficar pertinho das minhas pecinhas
Eu estou realmente
Cada vez mais próxima
Da existência
h.e.r.m.é.t.i.c.a
Ao Homem da Minha Vida
Terça-feira, Novembro 01, 2011
Ele é namorado a moda antiga, daqueles de namorinho de portão, de beijo na mão, de rosa atrás da orelha, das pequenices e gentilezas de outrora.
Eu não provei a ferroada do seu ciúme, mas sei que ela é letal. Eu não provei a sua fúria, mas sei que ela é possível.
Provei sim da sua sede de aventuras, dos seus abraços doces, da sua lealdade incontestável.
Já dançamos em pracinhas, nos entupimos de caramelos, invadimos cemitérios, corremos da polícia, fomos no rotor na mesma divisória, dormimos abraçados, viramos um ano embrigadados e outro em uma roda gigante, já choramos juntos, rimos juntos, fizemos tantos planos (aqueles nas tardes preguiçosas na praia, aquele eufórico no meio da boate), já andamos incontáveis horas e é tudo tão pacato, tão natural que eu me assusto ao abrir os olhos e perceber que aquele menino doce, que me levava para comer caramelos já é um homem, com barba casa e profissão.
Vai ser pra sempre meu namorado a moda antiga.
Vai estar pra sempre dentro de mim(apesar do tempo, apesar da distância).
(De presente, será que não dá pra gente voltar no tempo e ter só mais um dia daqueles nossos?)
Ele é namorado a moda antiga, daqueles de namorinho de portão, de beijo na mão, de rosa atrás da orelha, das pequenices e gentilezas de outrora.
Eu não provei a ferroada do seu ciúme, mas sei que ela é letal. Eu não provei a sua fúria, mas sei que ela é possível.
Provei sim da sua sede de aventuras, dos seus abraços doces, da sua lealdade incontestável.
Já dançamos em pracinhas, nos entupimos de caramelos, invadimos cemitérios, corremos da polícia, fomos no rotor na mesma divisória, dormimos abraçados, viramos um ano embrigadados e outro em uma roda gigante, já choramos juntos, rimos juntos, fizemos tantos planos (aqueles nas tardes preguiçosas na praia, aquele eufórico no meio da boate), já andamos incontáveis horas e é tudo tão pacato, tão natural que eu me assusto ao abrir os olhos e perceber que aquele menino doce, que me levava para comer caramelos já é um homem, com barba casa e profissão.
Vai ser pra sempre meu namorado a moda antiga.
Vai estar pra sempre dentro de mim(apesar do tempo, apesar da distância).
(De presente, será que não dá pra gente voltar no tempo e ter só mais um dia daqueles nossos?)
Anti-Acidente
Quarta-feira, Outubro 19, 2011
Se é pra explodir
Se é pra ser essa bomba-relógio fazendo tique-taque o tempo inteiro
Que eu exploda de uma vez.
Em milhares de pedacinhos.
Com meu sangue pintando as paredes
Meu sangue-pólvora;
Meu pulso-relógio;
Meu coração-dinamite.
Se é pra explodir
Se é pra ser essa bomba-relógio fazendo tique-taque o tempo inteiro
Que eu exploda de uma vez.
Em milhares de pedacinhos.
Com meu sangue pintando as paredes
Meu sangue-pólvora;
Meu pulso-relógio;
Meu coração-dinamite.
Aos Dezessete
Quarta-feira, Outubro 19, 2011
Meus cabelos eram mais pretos (e mais compridos)
Meu andar tinha o "balançar dos joelhos" (das Lolitas, me contaram)
Minhas unhas eram curtas
Meu futuro era incerto
Minha inocência era exemplar
Minha pele era vazia
Meu mundo só ia até as paredes do meu quarto
Meu ímpeto auto-destrutivo era incontrolável
Meus vícios eram absolutos
Eu tinha duas fiéis escudeiras
E nós íamos mudar o mundo
Com uma espada, um mangual e arco e flecha
Amores plenos e incertos
O vigor de quem provou tão pouco
De quem sente o gosto do papel e da tinta
(E se alimenta disso)
Mas que quer tantos outros sabores
E é capaz de reagir ao menor estímulo
A ânsia de quem precisa acreditar em outros mundos
E está a beira de um abismo
Meus cabelos eram mais pretos (e mais compridos)
Meu andar tinha o "balançar dos joelhos" (das Lolitas, me contaram)
Minhas unhas eram curtas
Meu futuro era incerto
Minha inocência era exemplar
Minha pele era vazia
Meu mundo só ia até as paredes do meu quarto
Meu ímpeto auto-destrutivo era incontrolável
Meus vícios eram absolutos
Eu tinha duas fiéis escudeiras
E nós íamos mudar o mundo
Com uma espada, um mangual e arco e flecha
Amores plenos e incertos
O vigor de quem provou tão pouco
De quem sente o gosto do papel e da tinta
(E se alimenta disso)
Mas que quer tantos outros sabores
E é capaz de reagir ao menor estímulo
A ânsia de quem precisa acreditar em outros mundos
E está a beira de um abismo
No seu conto de fadas, eu sou a bruxa (que não é má)
Quarta-feira, Outubro 19, 2011
Meu menino bobo, sempre com as mãos nos bolsos, esse jeito distraído de quem vê as coisas como elas são, porque elas são o que são (e por que deveriam ser mais que isso?).
Com suas piadinhas infames, suas palavras doces, seus abraços fáceis, seu tom de voz ameno, sempre disposto a cobrir de carinho quem quiser se aproximar.
Uma calma materialista e realista. como um dia nem muito quente, nem muito frio, sem vento, em que as coisas permanecem imóveis e agradáveis.
Sempre tão gentil.
Meu menino bobo, ainda falta muito tempo pra você descobrir como as coisas são, de verdade. Ainda falta muito tempo pra você parar de ter romances de vitrine com essas meninas-princesas, parar de ser príncipe encantado para todas elas e colocar o coração no chão (junto com seus pés), na terra e esfregá-lo bem, porque príncipes são um porre, pode acreditar. Meu menino bobo, me escuta mais uma vez, me deixa despejar meus caquinhos no seu colo, me leva pra casa como um cavalheiro faria, mas sobe pra tomar uma cerveja depois.
Meu menino bobo, sempre com as mãos nos bolsos, esse jeito distraído de quem vê as coisas como elas são, porque elas são o que são (e por que deveriam ser mais que isso?).
Com suas piadinhas infames, suas palavras doces, seus abraços fáceis, seu tom de voz ameno, sempre disposto a cobrir de carinho quem quiser se aproximar.
Uma calma materialista e realista. como um dia nem muito quente, nem muito frio, sem vento, em que as coisas permanecem imóveis e agradáveis.
Sempre tão gentil.
Meu menino bobo, ainda falta muito tempo pra você descobrir como as coisas são, de verdade. Ainda falta muito tempo pra você parar de ter romances de vitrine com essas meninas-princesas, parar de ser príncipe encantado para todas elas e colocar o coração no chão (junto com seus pés), na terra e esfregá-lo bem, porque príncipes são um porre, pode acreditar. Meu menino bobo, me escuta mais uma vez, me deixa despejar meus caquinhos no seu colo, me leva pra casa como um cavalheiro faria, mas sobe pra tomar uma cerveja depois.
Defeito de Fábrica
Terça-feira, Outubro 18, 2011
Acho que colocaram meu coração no lugar do cérebro e o cérebro no lugar do coração.
Acho que colocaram meu coração no lugar do cérebro e o cérebro no lugar do coração.
Em Tempo
Segunda-feira, Outubro 17, 2011
Se você quiser
Eu posso desaguar em você
Como tromba d´água, dilúvio
Enchente
Se você quiser eu posso
Te invadir como uma lâmina, te rasgar
Te fazer transbordar
Pelos poros, pelos olhos
Se você quiser
Eu vou cair como tempestade verão
No fim da tarde
Inundar suas vielas
Desabrigar seus segredos
Te fazer afogar
De dentro pra fora
Se você quiser
Eu posso desaguar em você
Como tromba d´água, dilúvio
Enchente
Se você quiser eu posso
Te invadir como uma lâmina, te rasgar
Te fazer transbordar
Pelos poros, pelos olhos
Se você quiser
Eu vou cair como tempestade verão
No fim da tarde
Inundar suas vielas
Desabrigar seus segredos
Te fazer afogar
De dentro pra fora
Visivelmente Ansiosa
Segunda-feira, Outubro 17, 2011
Minha natureza nômade, meu constante desejo pelo afã das novidades. O quanto eu mudei, em poucos meses, semanas, dias, que pareceram letárgicos (e me sacudiram).
E eu nem percebi.
Eu não vi.
Eu não tinha idéia
Eu queria ter a capacidade de me reinventar a cada segundo
Eu queria morar cada dia em um lugar
Porque a constância me entedia
Porque porto seguro só faz sentido se for pra voltar
Eu não consigo mais me definir
O problema é que eu me perdi
Perdi o caminho de casa
E não sei se quero achar
Minha natureza nômade, meu constante desejo pelo afã das novidades. O quanto eu mudei, em poucos meses, semanas, dias, que pareceram letárgicos (e me sacudiram).
E eu nem percebi.
Eu não vi.
Eu não tinha idéia
Eu queria ter a capacidade de me reinventar a cada segundo
Eu queria morar cada dia em um lugar
Porque a constância me entedia
Porque porto seguro só faz sentido se for pra voltar
Eu não consigo mais me definir
O problema é que eu me perdi
Perdi o caminho de casa
E não sei se quero achar
Sessão de Análise
Segunda-feira, Outubro 17, 2011
- Doutor, você precisa me ajudar. Precisa me ajudar, porque eu me considero uma pessoa consciente, porque eu tenho senso crítico, senso de realidade, porque eu acredito na ciênca, na exatidão imprecisa da física, da matemática, da psicanálise. Mas eu não consigo me entender. Eu tomo decisões e não consigo achar os motivos. Eu sinto que estou contando mentiras pra mim do porque eu ajo como eu ajo. E isso acaba comigo, entende? Eu não to dizendo que sou bipolar, distímica, que preciso de uma farmácia de tarja preta. Eu sou bem normal, o quão normal minha história de vida me permite ser. Mas tem alguma coisa (muitas) que não se encaixa. Eu sei, doutor, sei que quem fala demais acaba falando bobagem, eu sei que me faço de burrinha e isso é tão calculado, mas por que isso é tão importante pra mim? Eu tenho um desejo que me consume, mas eu não sei que desejo é. Eu engulo tudo, todo mundo, que nem um trator, mas isso não me preenche, nem remotamente. Então, por favor, doutor me dê um diagnóstco preciso, me mostra quem eu sou de verdade, os motivos para eu tomar as decisões que eu tomo, dzer o que eu digo. A coisa que eu mais quero, que eu mais preciso é me enxergar por dentro com um filtro que só mostra verdade, por mas vergonhosa ou feia que ela seja. Doutor, não me entenda mal, eu sei que tem gente muito pior do que eu, não sou ingrata e sei que tive muita, muita sorte. Mas isso me mata. Me mata porque eu estou dividida, porque eu sinto tudo demais (como uma tempestade) e eu estou enlouquecendo, vou ficar maluca transbordando desse jeito. Então, doutor, se você pudesse me virar de cabeça pra baixo, me virar do avesso, me fazer hipnose, me pedir pra desenhar uma árvore, me perguntar da minha infânca, qualquer coisa, o que você precisar pra me mostrar o que tem do outro lado da minha máscara você ia ajudar muito. Porque enquanto eu não conseguir enxergar, tudo vai continuar confuso, cego, meio falso, meio intenso demais.
- Doutor, você precisa me ajudar. Precisa me ajudar, porque eu me considero uma pessoa consciente, porque eu tenho senso crítico, senso de realidade, porque eu acredito na ciênca, na exatidão imprecisa da física, da matemática, da psicanálise. Mas eu não consigo me entender. Eu tomo decisões e não consigo achar os motivos. Eu sinto que estou contando mentiras pra mim do porque eu ajo como eu ajo. E isso acaba comigo, entende? Eu não to dizendo que sou bipolar, distímica, que preciso de uma farmácia de tarja preta. Eu sou bem normal, o quão normal minha história de vida me permite ser. Mas tem alguma coisa (muitas) que não se encaixa. Eu sei, doutor, sei que quem fala demais acaba falando bobagem, eu sei que me faço de burrinha e isso é tão calculado, mas por que isso é tão importante pra mim? Eu tenho um desejo que me consume, mas eu não sei que desejo é. Eu engulo tudo, todo mundo, que nem um trator, mas isso não me preenche, nem remotamente. Então, por favor, doutor me dê um diagnóstco preciso, me mostra quem eu sou de verdade, os motivos para eu tomar as decisões que eu tomo, dzer o que eu digo. A coisa que eu mais quero, que eu mais preciso é me enxergar por dentro com um filtro que só mostra verdade, por mas vergonhosa ou feia que ela seja. Doutor, não me entenda mal, eu sei que tem gente muito pior do que eu, não sou ingrata e sei que tive muita, muita sorte. Mas isso me mata. Me mata porque eu estou dividida, porque eu sinto tudo demais (como uma tempestade) e eu estou enlouquecendo, vou ficar maluca transbordando desse jeito. Então, doutor, se você pudesse me virar de cabeça pra baixo, me virar do avesso, me fazer hipnose, me pedir pra desenhar uma árvore, me perguntar da minha infânca, qualquer coisa, o que você precisar pra me mostrar o que tem do outro lado da minha máscara você ia ajudar muito. Porque enquanto eu não conseguir enxergar, tudo vai continuar confuso, cego, meio falso, meio intenso demais.
A ideologia me mata
Sexta-feira, Outubro 14, 2011
Esses meus lados conflitantes vão acabar me rasgando em duas.
Esses meus lados conflitantes vão acabar me rasgando em duas.
Mais Parênteses
Terça-feira, Outubro 11, 2011
Bom mesmo vai ser
O dia em que minha cabeça parar de doer
O dia em que meu pulso sossegar
O dia que vai ter trinta e seis horas
(Pra me caber inteira dentro dele)
Bom mesmo vai ser
Quando a gente parar com essas bobagens
Quando eu tiver mais coragem e menos pose
Quando o espelho me devolver
Alguém sólido
Uma menina bem fornida
Assim, assim
Bom mesmo vai ser
(Nem preciso de tanto assim)
Quando cabeça e coração fizerem as pazes
Quando saudade e impulso não brigarem mais
Quando forma e desejo forem um só
Bom mesmo vai ser
O dia em que a minha dor
For um objeto sólido, de arestas e pontas
E não um bicho-papão
(Desforme)
Bom mesmo vai ser
O dia em que
Não vou precisar ser existencial
Mas apenas existir
Bom mesmo vai ser
O dia em que minha cabeça parar de doer
O dia em que meu pulso sossegar
O dia que vai ter trinta e seis horas
(Pra me caber inteira dentro dele)
Bom mesmo vai ser
Quando a gente parar com essas bobagens
Quando eu tiver mais coragem e menos pose
Quando o espelho me devolver
Alguém sólido
Uma menina bem fornida
Assim, assim
Bom mesmo vai ser
(Nem preciso de tanto assim)
Quando cabeça e coração fizerem as pazes
Quando saudade e impulso não brigarem mais
Quando forma e desejo forem um só
Bom mesmo vai ser
O dia em que a minha dor
For um objeto sólido, de arestas e pontas
E não um bicho-papão
(Desforme)
Bom mesmo vai ser
O dia em que
Não vou precisar ser existencial
Mas apenas existir
Congestionamento
Quarta-feira, Outubro 05, 2011
Eu sinto falta
Das suas declarações cheias de álcool
Do arrastado das consoantes
Esbarrando no sotaque
(E te entregando)
Eu sinto falta
Dessa calmaria boba
Dos planos mansinhos
Da leveza das conversas
Eu sinto falta
Dos apelidos
Dos segredos
De me sentir especial
(Só por existir, só por ser quem sou)
Eu sinto falta
Da minha ingenuidade
Da minha credulidade
Da minha pureza
Eu sinto falta
Do timbre da sua voz
Da sua risada cheia de sono
Do meu coração acelerar só de pensar em te ouvir
Eu sinto falta
E eu sei
Que alguma coisa mudou
(Eu senti)
E também sei
Que tudo é tão difícil
Que as circunstâncias
São as piores
Mas eu sinto falta
(Mesmo assim, apesar de)
E eu espero me sentir assim de novo,
Quem sabe
Um dia.
Especial
Só por existir
Só por ser quem sou.
Eu sinto falta
Das suas declarações cheias de álcool
Do arrastado das consoantes
Esbarrando no sotaque
(E te entregando)
Eu sinto falta
Dessa calmaria boba
Dos planos mansinhos
Da leveza das conversas
Eu sinto falta
Dos apelidos
Dos segredos
De me sentir especial
(Só por existir, só por ser quem sou)
Eu sinto falta
Da minha ingenuidade
Da minha credulidade
Da minha pureza
Eu sinto falta
Do timbre da sua voz
Da sua risada cheia de sono
Do meu coração acelerar só de pensar em te ouvir
Eu sinto falta
E eu sei
Que alguma coisa mudou
(Eu senti)
E também sei
Que tudo é tão difícil
Que as circunstâncias
São as piores
Mas eu sinto falta
(Mesmo assim, apesar de)
E eu espero me sentir assim de novo,
Quem sabe
Um dia.
Especial
Só por existir
Só por ser quem sou.
Segunda-feira, Outubro 03, 2011
Quero que se foda a gramática e a boa ortografia. Foda-se a crase, o bom uso da vírgula, os plurais corretos e a concordância. Pro inferno com os formalistas, os parnasianos, os caçadores de redondilhas maiores e menores da puta que pariu. Eu quero a verdade das palavras que comem letras, que atropelam a gramática, a pontuação, a subordinação das orações e obedecem somente ao instinto de continuar pelo prazer que palavras têm de se criarem sozinhas. Quero o vômito, afinal a gente sente sujo, confuso, sem vírgula. Eu quero a poesia do escracho, do não polido, do selvagem, daquilo que todos nós temos de mais primitivo, mais sincero, que vai saindo da boca do estômago direto para o papel e se alastra, contamina. Quero o escancarado, quero me escancarar e mostrar toda a minha confusão, toda a minha dor, toda a minha vontade, porque arte de verdade se faz com sangue. Não é pra ser bonito, é pra ser vermelho.
Quero que se foda a gramática e a boa ortografia. Foda-se a crase, o bom uso da vírgula, os plurais corretos e a concordância. Pro inferno com os formalistas, os parnasianos, os caçadores de redondilhas maiores e menores da puta que pariu. Eu quero a verdade das palavras que comem letras, que atropelam a gramática, a pontuação, a subordinação das orações e obedecem somente ao instinto de continuar pelo prazer que palavras têm de se criarem sozinhas. Quero o vômito, afinal a gente sente sujo, confuso, sem vírgula. Eu quero a poesia do escracho, do não polido, do selvagem, daquilo que todos nós temos de mais primitivo, mais sincero, que vai saindo da boca do estômago direto para o papel e se alastra, contamina. Quero o escancarado, quero me escancarar e mostrar toda a minha confusão, toda a minha dor, toda a minha vontade, porque arte de verdade se faz com sangue. Não é pra ser bonito, é pra ser vermelho.
Segunda-feira, Outubro 03, 2011
Quero que se foda a gramática e a boa ortografia. Foda-se a crase, o bom uso da vírgula, os plurais corretos e a concordância. Pro inferno com os formalistas, os parnasianos, os caçadores de redondilhas maiores e menores da puta que pariu. Eu quero a verdade das palavras que comem letras, que atropelam a gramática, a pontuação, a subordinação das orações e obedecem somente ao instinto de continuar pelo prazer que palavras têm de se criarem sozinhas. Quero o vômito, afinal a gente sente sujo, confuso, sem vírgula. Eu quero a poesia do escracho, do não polido, do selvagem, daquilo que todos nós temos de mais primitivo, mais sincero, que vai saindo da boca do estômago direto para o papel e se alastra, contamina. Quero o escancarado, quero me escancarar e mostrar toda a minha confusão, toda a minha dor, toda a minha vontade, porque arte de verdade se faz com sangue. Não é pra ser bonito, é pra ser vermelho.
Quero que se foda a gramática e a boa ortografia. Foda-se a crase, o bom uso da vírgula, os plurais corretos e a concordância. Pro inferno com os formalistas, os parnasianos, os caçadores de redondilhas maiores e menores da puta que pariu. Eu quero a verdade das palavras que comem letras, que atropelam a gramática, a pontuação, a subordinação das orações e obedecem somente ao instinto de continuar pelo prazer que palavras têm de se criarem sozinhas. Quero o vômito, afinal a gente sente sujo, confuso, sem vírgula. Eu quero a poesia do escracho, do não polido, do selvagem, daquilo que todos nós temos de mais primitivo, mais sincero, que vai saindo da boca do estômago direto para o papel e se alastra, contamina. Quero o escancarado, quero me escancarar e mostrar toda a minha confusão, toda a minha dor, toda a minha vontade, porque arte de verdade se faz com sangue. Não é pra ser bonito, é pra ser vermelho.
Menina Moderna
Sexta-feira, Setembro 30, 2011
É tão clichê, é tão previsível, que chega a ser ridículo. Fulaninha ama sicraninho que ama mariazinha, credo, achei que eu era mais criativa do que isso. No fundo, eu me divirto. Dou gargalhada de mim mesma quando estou sozinha, porque eu pareço uma personagem de enlatado americano, mas eu quero me divertir, porque é pra isso que a vida é feita. Me divertir com as relações bizarras nas quais eu me meto, nas quais as pessoas à minha volta se metem, com os meus dramalhões baratos de sofrer enchendo a cara e bancando a insensível, porque, já parou pra pensar? É realmente de doer a falta de criatividade. Mas eu gosto. Eu gosto do meu ridículo, eu gosto da minha juventude, das besteiras, dos dramalhões, dos clichês, porque tudo isso passa, eu sinto que está passando e tem coisa melhor do que rir até chorar da sua cara, e perceber o qual fake você é, e aí você ri bem alto tipo HAHAHAHAHAHA, deve ter sido isso tudo que eu sempre quis, que eu sempre sonhei em ter, uma vida cheia de referências a mil coisas mil pedaços mil personagens e eu ser boba da corte, é tudo tão divino e tão escroto, tão sublime e tão banal, e tudo tão bobo e tão superficial e ao mesmo tempo dói, dói na boca do estômago e me dá vontade de dobrar ao meio e vomitar, é como aquele vidrinho de purpurina quando eu tinha uns quatro anos que eu virava na cola branca e fazia a maior meleca e tinha pózinho brilhante na mesa inteira, inteira.Quando eu penso em tudo que aconteceu, cara, coração partido, partido, imagina só, meu coração partido ao meio, como pode. Ele é um músculo cheio de veias e bate tão forte que me ensurdece às vezes, partido uma pica, ta inteiro. Nem dá pra sentir mais porra nenhuma, mas verdades são relativas, tudo vem e vai, tudo muda, minhas necessidades mudaram, minhas experiências mudaram e já não cabem mais alguns remendos. Daqui, de onde eu vejo as coisas, tudo é efêmero. E eu estou me chacoalhando inteira, com tantas sensações novas, conclusões novas, idéias novas e é um mundo inteiramente novo pra eu viver todos os meus clichês idiotas e de repente faz tanto sentido me ver de fora e me achar tão ridícula, de repente faz sentido estar sozinha, de repente dá uma vontade fodida de descobrir mais dramalhões mais choro mais dor mais risada, mais tudo, tudo, tudo, tudo porque eu não sei se é assim que a gente aproveita a vida de verdade. Mas é o que eu estou fazendo. É que o eu conheço (mas quem sabe daqui a pouco eu descubro um outro jeito de fazer isso).
É tão clichê, é tão previsível, que chega a ser ridículo. Fulaninha ama sicraninho que ama mariazinha, credo, achei que eu era mais criativa do que isso. No fundo, eu me divirto. Dou gargalhada de mim mesma quando estou sozinha, porque eu pareço uma personagem de enlatado americano, mas eu quero me divertir, porque é pra isso que a vida é feita. Me divertir com as relações bizarras nas quais eu me meto, nas quais as pessoas à minha volta se metem, com os meus dramalhões baratos de sofrer enchendo a cara e bancando a insensível, porque, já parou pra pensar? É realmente de doer a falta de criatividade. Mas eu gosto. Eu gosto do meu ridículo, eu gosto da minha juventude, das besteiras, dos dramalhões, dos clichês, porque tudo isso passa, eu sinto que está passando e tem coisa melhor do que rir até chorar da sua cara, e perceber o qual fake você é, e aí você ri bem alto tipo HAHAHAHAHAHA, deve ter sido isso tudo que eu sempre quis, que eu sempre sonhei em ter, uma vida cheia de referências a mil coisas mil pedaços mil personagens e eu ser boba da corte, é tudo tão divino e tão escroto, tão sublime e tão banal, e tudo tão bobo e tão superficial e ao mesmo tempo dói, dói na boca do estômago e me dá vontade de dobrar ao meio e vomitar, é como aquele vidrinho de purpurina quando eu tinha uns quatro anos que eu virava na cola branca e fazia a maior meleca e tinha pózinho brilhante na mesa inteira, inteira.Quando eu penso em tudo que aconteceu, cara, coração partido, partido, imagina só, meu coração partido ao meio, como pode. Ele é um músculo cheio de veias e bate tão forte que me ensurdece às vezes, partido uma pica, ta inteiro. Nem dá pra sentir mais porra nenhuma, mas verdades são relativas, tudo vem e vai, tudo muda, minhas necessidades mudaram, minhas experiências mudaram e já não cabem mais alguns remendos. Daqui, de onde eu vejo as coisas, tudo é efêmero. E eu estou me chacoalhando inteira, com tantas sensações novas, conclusões novas, idéias novas e é um mundo inteiramente novo pra eu viver todos os meus clichês idiotas e de repente faz tanto sentido me ver de fora e me achar tão ridícula, de repente faz sentido estar sozinha, de repente dá uma vontade fodida de descobrir mais dramalhões mais choro mais dor mais risada, mais tudo, tudo, tudo, tudo porque eu não sei se é assim que a gente aproveita a vida de verdade. Mas é o que eu estou fazendo. É que o eu conheço (mas quem sabe daqui a pouco eu descubro um outro jeito de fazer isso).
Ampulheta I
Segunda-feira, Setembro 19, 2011
Vou atravessar o seu deserto
Sua aridez pálida e terrível
Do calor mais escaldante
Do frio mais congelante
Vou me perder nas dunas
Quem sabe achar algum oásis
Vou sentir na sola dos meus pés
Cada um dos seus ásperos grãos de areia
Que vai esfolar meus joelhos
Vou me deitar no seu mar de seco
Invadir sua terra arrasada
Território inóspito, solo infértil
Ser acometida por miragens
Morrer de sede
Até eu me misturar
Até eu me confundir na sua paisagem
.
Um traço, dois, três
Cada uma das suas letras
Formando um mosaico no meu corpo inteiro
Esferográfica na pele
Pra você me usar
Como um caderno em branco
Pra tinta penetrar
E nunca mais sair
Da semântica, da gramática, da ortografia
De você me tatuar um pouco, por hora
Pra eu fechar os olhos e esquecer
De todas as coisas que fazem sentido
E sentir minhas horas esvaziando dentro de você
Sem nada além de palavras marcadas na minha pele
Sem nada além da minha janela
Da tarde
Do sol
Da minha falta de rumo
Vou atravessar o seu deserto
Sua aridez pálida e terrível
Do calor mais escaldante
Do frio mais congelante
Vou me perder nas dunas
Quem sabe achar algum oásis
Vou sentir na sola dos meus pés
Cada um dos seus ásperos grãos de areia
Que vai esfolar meus joelhos
Vou me deitar no seu mar de seco
Invadir sua terra arrasada
Território inóspito, solo infértil
Ser acometida por miragens
Morrer de sede
Até eu me misturar
Até eu me confundir na sua paisagem
.
Um traço, dois, três
Cada uma das suas letras
Formando um mosaico no meu corpo inteiro
Esferográfica na pele
Pra você me usar
Como um caderno em branco
Pra tinta penetrar
E nunca mais sair
Da semântica, da gramática, da ortografia
De você me tatuar um pouco, por hora
Pra eu fechar os olhos e esquecer
De todas as coisas que fazem sentido
E sentir minhas horas esvaziando dentro de você
Sem nada além de palavras marcadas na minha pele
Sem nada além da minha janela
Da tarde
Do sol
Da minha falta de rumo
Fluoxetina: Efeitos colaterais
Domingo, Setembro 18, 2011
Eu precisaria de muito mais, mas estou procurando qualquer coisa. É engraçado, eu ia preferir ser histérica e deprimida, eu ia preferir ter minhas crises e minhas ressacas morais, porque me tirar essa angústia ia também me tirar a essência. E eu não queria essa lobotomia química. Eu sabia de mim.
Por um momento, eu saí das sombras. E não saí de mim.
Será que foi só euforia? Empolgação? Paixonite?
Seja o que for, eu quero de volta.
Acho que colocaram Prozac no meu açúcar, no sal, na água. Minhas lágrimas secaram, minha risada secou, estou insone, cansada. Não estou deprimida, e também não tenho mais desejo, euforia, dor, nada. Não tenho mais nada.
Me livrei dos meus vícios (e eram muitos) e fiquei vazia. Me livrei daqueles que me faziam mal (e para quem eu fazia mal também) e não tenho mais com quem lutas. Consegui muita coisa e nada mais me impulsiona.
Então eu sou o quê? Uma eterna insatisfeita?
- Bom...
Não. Não responde.
Eu precisaria de muito mais, mas estou procurando qualquer coisa. É engraçado, eu ia preferir ser histérica e deprimida, eu ia preferir ter minhas crises e minhas ressacas morais, porque me tirar essa angústia ia também me tirar a essência. E eu não queria essa lobotomia química. Eu sabia de mim.
Por um momento, eu saí das sombras. E não saí de mim.
Será que foi só euforia? Empolgação? Paixonite?
Seja o que for, eu quero de volta.
Acho que colocaram Prozac no meu açúcar, no sal, na água. Minhas lágrimas secaram, minha risada secou, estou insone, cansada. Não estou deprimida, e também não tenho mais desejo, euforia, dor, nada. Não tenho mais nada.
Me livrei dos meus vícios (e eram muitos) e fiquei vazia. Me livrei daqueles que me faziam mal (e para quem eu fazia mal também) e não tenho mais com quem lutas. Consegui muita coisa e nada mais me impulsiona.
Então eu sou o quê? Uma eterna insatisfeita?
- Bom...
Não. Não responde.
Domingo, Setembro 18, 2011
INT. RESTAURANTE DE LUXO - NOITE
ELA, 21, está sentada em uma mesa, muito elegantemente
vestida. Seus olhos estão cobertos por uma venda de cetim
preto. MARINHEIRO se aproxima da mesa e beija sua mão.
ELA
Você tem cheiro de mar. De sal.
INT. RESTAURANTE DE LUXO - NOITE
MARINHEIRO
(Acendendo um cigarro)
Bobagem, princesa.
ELA
(Irônica)
Bobagem? É, deve ser.
MARINHEIRO
Você é nova demais para perder a
esperança desse jeito.
ELA
Se você tirar a minha venda eu fico
cega.
GARÇOM se aproxima da mesa, serve champagne para os dois.
MARINHEIRO
Se você respirar bem pertinho da
taça, as bolhinhas sobem pelo seu
nariz.
ELA
Deve ser por isso que eu fico
bêbada, então. Bolhinhas fazendo
cócegas no meu crânio por dentro.
MARINHEIRO
(Entregando a garrafa para
ela)
Foda-se a taça. Bebe no gargalo.
Ela ri. Bebe vários goles e limpa a boca com as costas da
mão.
ELA
Me leva embora daqui.
EXT. PRAIA - NOITE
Marinheiro e Ela caminham na areia. Ela está descalça, com a
garrafa de champagne em uma mão, um cigarro apagado na
outra. Marinheiro acende seu cigarro com um fósforo e ela dá
uma tragada forte.
ELA
E depois de Istambul?
MARINHEIRO
Norte. Lá pela Sibéria. O dedinho
do pé gangrenou.
ELA
Sério?
MARINHEIRO
Seríssimo! Tive que amputar. Guardo
o dedinho num vidro.
ELA
Sensacional! Eu queria muito poder
ver isso.
MARINHEIRO
Você pode. Tira essa venda.
ELA
Pára. Você acha que eu não quero?
Uma forte onda quebra e molha os pés dos dois.
ELA
Ai, cacete, ta gelada!
MARINHEIRO
Vamos nadar.
ELA
Ficou maluco? Eu vou afogar.
MARINHEIRO
Você sabe nadar.
ELA
Mas já é noite, e o mar está bravo.
MARINHEIRO
É só saber a direção do vento. Já
saltei em alto mar no meio de
tempestade, princesa, eu sei o que
estou fazendo.
ELA
E o meu vestido?
MARINHEIRO
(Sorrindo)
Um vestido desses foi feito para
ser estragado.
Ela sorri de volta.
EXT. PRAIA - NOITE
Ela está deitada na areia. A maré é capaz de cobri-la.
Marinheiro está deitado por cima dela. Ela aperta os cabelos
molhados dele, ele se aproxima.
MARINHEIRO
Tira a venda.
ELA
Seus cabelos são pretos?
MARINHEIRO
Tira a venda.
ELA
Na minha cabeça eles são pretos.
MARINHEIRO
Tira a venda.
Pausa. Ela engole em seco.
ELA
(Sussurrando)
Eu vou ficar cega.
MARINHEIRO
(Sussurrando)
Você já está.
Ela suspira fundo e leva as mãos ao nó da venda. Marinheiro
a beija. Sua boca está salgada e gelada com o mar. Ele
aperta as mãos dela, e os dois desfazem o nó.
MARINHEIRO
(Sussurando)
No canal de Suez, conheci um velho
que vendia vendas, como a sua.
Ele tira a venda, que está encharcada. Joga-a no mar. Ela
está de olhos fechados. Uma onda quebra nos dois, ela começa
a tossir. Cospe água. Abre os olhos.
EXT. CENTRO DA CIDADE - DIA
Ela acabou de cuspir no chão. Zonza, olha a sua volta.
Muitos transeuntes passam por ela. Marinheiro não está mais
ao seu lado.
INT. RESTAURANTE DE LUXO - NOITE
ELA, 21, está sentada em uma mesa, muito elegantemente
vestida. Seus olhos estão cobertos por uma venda de cetim
preto. MARINHEIRO se aproxima da mesa e beija sua mão.
ELA
Você tem cheiro de mar. De sal.
INT. RESTAURANTE DE LUXO - NOITE
MARINHEIRO
(Acendendo um cigarro)
Bobagem, princesa.
ELA
(Irônica)
Bobagem? É, deve ser.
MARINHEIRO
Você é nova demais para perder a
esperança desse jeito.
ELA
Se você tirar a minha venda eu fico
cega.
GARÇOM se aproxima da mesa, serve champagne para os dois.
MARINHEIRO
Se você respirar bem pertinho da
taça, as bolhinhas sobem pelo seu
nariz.
ELA
Deve ser por isso que eu fico
bêbada, então. Bolhinhas fazendo
cócegas no meu crânio por dentro.
MARINHEIRO
(Entregando a garrafa para
ela)
Foda-se a taça. Bebe no gargalo.
Ela ri. Bebe vários goles e limpa a boca com as costas da
mão.
ELA
Me leva embora daqui.
EXT. PRAIA - NOITE
Marinheiro e Ela caminham na areia. Ela está descalça, com a
garrafa de champagne em uma mão, um cigarro apagado na
outra. Marinheiro acende seu cigarro com um fósforo e ela dá
uma tragada forte.
ELA
E depois de Istambul?
MARINHEIRO
Norte. Lá pela Sibéria. O dedinho
do pé gangrenou.
ELA
Sério?
MARINHEIRO
Seríssimo! Tive que amputar. Guardo
o dedinho num vidro.
ELA
Sensacional! Eu queria muito poder
ver isso.
MARINHEIRO
Você pode. Tira essa venda.
ELA
Pára. Você acha que eu não quero?
Uma forte onda quebra e molha os pés dos dois.
ELA
Ai, cacete, ta gelada!
MARINHEIRO
Vamos nadar.
ELA
Ficou maluco? Eu vou afogar.
MARINHEIRO
Você sabe nadar.
ELA
Mas já é noite, e o mar está bravo.
MARINHEIRO
É só saber a direção do vento. Já
saltei em alto mar no meio de
tempestade, princesa, eu sei o que
estou fazendo.
ELA
E o meu vestido?
MARINHEIRO
(Sorrindo)
Um vestido desses foi feito para
ser estragado.
Ela sorri de volta.
EXT. PRAIA - NOITE
Ela está deitada na areia. A maré é capaz de cobri-la.
Marinheiro está deitado por cima dela. Ela aperta os cabelos
molhados dele, ele se aproxima.
MARINHEIRO
Tira a venda.
ELA
Seus cabelos são pretos?
MARINHEIRO
Tira a venda.
ELA
Na minha cabeça eles são pretos.
MARINHEIRO
Tira a venda.
Pausa. Ela engole em seco.
ELA
(Sussurrando)
Eu vou ficar cega.
MARINHEIRO
(Sussurrando)
Você já está.
Ela suspira fundo e leva as mãos ao nó da venda. Marinheiro
a beija. Sua boca está salgada e gelada com o mar. Ele
aperta as mãos dela, e os dois desfazem o nó.
MARINHEIRO
(Sussurando)
No canal de Suez, conheci um velho
que vendia vendas, como a sua.
Ele tira a venda, que está encharcada. Joga-a no mar. Ela
está de olhos fechados. Uma onda quebra nos dois, ela começa
a tossir. Cospe água. Abre os olhos.
EXT. CENTRO DA CIDADE - DIA
Ela acabou de cuspir no chão. Zonza, olha a sua volta.
Muitos transeuntes passam por ela. Marinheiro não está mais
ao seu lado.
Não se enganem
Domingo, Setembro 11, 2011
Vou tirar as minhas roupas, todas elas. Vou enfrentar o espelho completamente despida daquelas mentiras que eu uso pra me guardar, me proteger. E ainda assim, na minha pele existem símbolos para que eu nunca esqueça de quem eu quero ser. Estão lá, marcados e nunca mais vão sair.
Essa garota que me encara de volta, com os olhos redondos e assustados, essa constituição frágil , esses pezinhos tortos. Quase ninguém tem acesso a ela. Estou sempre em braços diferentes, mas ninguém me toca de verdade. Parece que estão tocando plástico, com dedos enluvados. Ninguém vê, ninguém me escuta, ninguém me tem de fato. Tantos gostos diferentes, tantos toques diferentes, pessoas diferentes que acreditam ter acesso às minhas intimidades. Nenhuma delas me tocou. Nenhuma delas me despiu. Nenhuma delas me beijou. Nenhuma foi capaz de se livrar da minha capa de plástico-bolha e tocar a minha pele. Todas as células, os vasinhos, os nervos, a carne, nada, nada foi de ninguém a não ser só meu. Eu sei que ninguém nunca mais vai ter coragem o suficiente para me escarnar.
Estou tão embebida em álcool que estou como um cadáver.
Estou tão empoeirada que estou como uma estátua.
Estou tão fundo dentro de mim que já não sei mais se consigo emergir.
Vou tirar as minhas roupas, todas elas. Vou enfrentar o espelho completamente despida daquelas mentiras que eu uso pra me guardar, me proteger. E ainda assim, na minha pele existem símbolos para que eu nunca esqueça de quem eu quero ser. Estão lá, marcados e nunca mais vão sair.
Essa garota que me encara de volta, com os olhos redondos e assustados, essa constituição frágil , esses pezinhos tortos. Quase ninguém tem acesso a ela. Estou sempre em braços diferentes, mas ninguém me toca de verdade. Parece que estão tocando plástico, com dedos enluvados. Ninguém vê, ninguém me escuta, ninguém me tem de fato. Tantos gostos diferentes, tantos toques diferentes, pessoas diferentes que acreditam ter acesso às minhas intimidades. Nenhuma delas me tocou. Nenhuma delas me despiu. Nenhuma delas me beijou. Nenhuma foi capaz de se livrar da minha capa de plástico-bolha e tocar a minha pele. Todas as células, os vasinhos, os nervos, a carne, nada, nada foi de ninguém a não ser só meu. Eu sei que ninguém nunca mais vai ter coragem o suficiente para me escarnar.
Estou tão embebida em álcool que estou como um cadáver.
Estou tão empoeirada que estou como uma estátua.
Estou tão fundo dentro de mim que já não sei mais se consigo emergir.
Taquicardia
Domingo, Setembro 11, 2011
Vamos lá, minha estrelinha, me protege só mais essa vez. Me leva segura para onde eu devo estar. Não me deixa mais sentir medo (eu tenho tanto medo, tanto). Guarda só mais esse segredo pra mim. Estamos só nós duas e esse mar de escuridão. Como sempre. Como nos velhos tempos. Como nos novos tempos. Por favor, minha estrelinha, me conserva intacta. Viver é tão perigoso. E eu tenho pecados demais para viver sem punição. Desde sempre, estou tão acostumada com a solidão. Estou tão acostumada a ter que cuidar de mim, que é só quando estamos sozinhas que dá pra ser essa criança medrosa. Vai estrelinha, não me abandona agora. Vamos fazer como sempre fizemos, eu e você. Eu e você e um mundo de incertezas, de monstros, de perigos. Viver só é perigoso quando se vai andar, andar. E eu ando tanto. Eu e você e um mar de escuridão. Eu confio em você, minha estrelinha. Só você sabe das minhas verdades. Não me abandone agora. Não me abandone nunca.
Vamos lá, minha estrelinha, me protege só mais essa vez. Me leva segura para onde eu devo estar. Não me deixa mais sentir medo (eu tenho tanto medo, tanto). Guarda só mais esse segredo pra mim. Estamos só nós duas e esse mar de escuridão. Como sempre. Como nos velhos tempos. Como nos novos tempos. Por favor, minha estrelinha, me conserva intacta. Viver é tão perigoso. E eu tenho pecados demais para viver sem punição. Desde sempre, estou tão acostumada com a solidão. Estou tão acostumada a ter que cuidar de mim, que é só quando estamos sozinhas que dá pra ser essa criança medrosa. Vai estrelinha, não me abandona agora. Vamos fazer como sempre fizemos, eu e você. Eu e você e um mundo de incertezas, de monstros, de perigos. Viver só é perigoso quando se vai andar, andar. E eu ando tanto. Eu e você e um mar de escuridão. Eu confio em você, minha estrelinha. Só você sabe das minhas verdades. Não me abandone agora. Não me abandone nunca.
2011 - 1994 =
Sexta-feira, Agosto 26, 2011
Ninguém tem unhas como as dela. São largas, compridas e dobram! Geralmente estão sem esmalte, mas bem lixadas. Ela costuma colocar uma mão sobre a outra quando vai falar ou ouvir. Sempre está com uma blusa nova (vai dizer que não é nada, que nunca tem roupa), jeans e um sapato incrível, andando daquele jeito elegante, tranquilo e discreto. Os cadernos são impecáveis, o quarto uma bagunça. Sempre foi muito boa em matemática. Toma banho ouvindo música, diz gostar de tudo, demora horrores pra ficar pronta. Torce o nariz quando a faço pegar táxi, tem muita alergia (como sofre com a poeira da minha casa!), come pouco, é fraca com bebida. Odeia quando eu falo que é minha exclusivamente, mas ninguém é mais ciumenta do que ela quando qualquer pessoa entra na minha vida! Dança bem, fala "Ai meu deus! Quê isso aqui!" do jeito mais fofo que existe. Quando está brava, levanta as sobrancelhas e me passa um sermão que sempre faz com que eu me sinta imatura e idiota. Faz carinho por horas quando eu peço, tem excelente gosto para brincos, vira os olhos quando eu estou passando ridículo. Ela é uma muralha; tão sólida, tão particular. tão bem cimentada, tão indecifrável. É quem me freia, quem me diz o que é necessário. É elegante com seu charme discreto de quem acha a maior parte das coisas e pessoas ridícula. De quem me acha ridícula, mas me ama. Como eu a amo, como ela já é parte de mim, o reverso da minha medalha, um dos pilares que me mantêm em pé.
Ninguém tem unhas como as dela. São largas, compridas e dobram! Geralmente estão sem esmalte, mas bem lixadas. Ela costuma colocar uma mão sobre a outra quando vai falar ou ouvir. Sempre está com uma blusa nova (vai dizer que não é nada, que nunca tem roupa), jeans e um sapato incrível, andando daquele jeito elegante, tranquilo e discreto. Os cadernos são impecáveis, o quarto uma bagunça. Sempre foi muito boa em matemática. Toma banho ouvindo música, diz gostar de tudo, demora horrores pra ficar pronta. Torce o nariz quando a faço pegar táxi, tem muita alergia (como sofre com a poeira da minha casa!), come pouco, é fraca com bebida. Odeia quando eu falo que é minha exclusivamente, mas ninguém é mais ciumenta do que ela quando qualquer pessoa entra na minha vida! Dança bem, fala "Ai meu deus! Quê isso aqui!" do jeito mais fofo que existe. Quando está brava, levanta as sobrancelhas e me passa um sermão que sempre faz com que eu me sinta imatura e idiota. Faz carinho por horas quando eu peço, tem excelente gosto para brincos, vira os olhos quando eu estou passando ridículo. Ela é uma muralha; tão sólida, tão particular. tão bem cimentada, tão indecifrável. É quem me freia, quem me diz o que é necessário. É elegante com seu charme discreto de quem acha a maior parte das coisas e pessoas ridícula. De quem me acha ridícula, mas me ama. Como eu a amo, como ela já é parte de mim, o reverso da minha medalha, um dos pilares que me mantêm em pé.
Quarta-feira, Agosto 24, 2011
"Você vai ter que ser muito forte" é a frase que eu mais escutei. Vou ter que ser, estou sendo, podem ficar tranquilos, eu sou. É sempre assim. É sempre "você consegue", é sempre "ah, mas você não vai ficar mal por isso", é sempre "olha pra você, isso não é nada pra você". Desafios cada vez maiores e eu aceitei todos eles, porque eu consigo. Porque eu sou forte pra caralho, sou uma fortaleza. Porque ninguém me disse "calma, vai dar tudo certo". Todo mundo disse "eu sei que você consegue".
Eu não sou assim. Eu não sou super-mulher, eu não sou uma muralha, eu não sou inatingível desse jeito. Não sou nada disso. Não sou assim. Eu sou uma fraude. Eu sou fraca. Eu choro (mas é escondido e baixinho, pra ninguém saber). Eu fico com medo. Eu me sinto sozinha. Eu quero que as pessoas me digam que vai ficar tudo bem. Estou cansada de ouvir que eu consigo. Estou cansada de ouvir que eu sou forte. Não dá pra ser forte o tempo todo. Não é possível ser infalível eu tempo todo. "Você vai ter que sr muito forte agora, Ana, pra passar por isso". Eu me pergunto quando é que eu vou poder me dar ao luxo de não ser forte. Quando é que eu vou poder desabar no chão, fazer cena, ser infantil, ser boba, pedir amparo. Eu me pergunto quando é que alguém não vai me mandar erguer o queixo. Estou sendo forte demais há tempo demais. Quero ser um pouquinho fraca. Quero ser um pouquinho humana. Quero ser um pouco menos dessa pessoa que todos acreditam ser um pilar, um gigante que é capaz de passar por qualquer coisa sem se arranhar (porque eu estou cheia de cicatrizes).
"Você vai ter que ser muito forte" é a frase que eu mais escutei. Vou ter que ser, estou sendo, podem ficar tranquilos, eu sou. É sempre assim. É sempre "você consegue", é sempre "ah, mas você não vai ficar mal por isso", é sempre "olha pra você, isso não é nada pra você". Desafios cada vez maiores e eu aceitei todos eles, porque eu consigo. Porque eu sou forte pra caralho, sou uma fortaleza. Porque ninguém me disse "calma, vai dar tudo certo". Todo mundo disse "eu sei que você consegue".
Eu não sou assim. Eu não sou super-mulher, eu não sou uma muralha, eu não sou inatingível desse jeito. Não sou nada disso. Não sou assim. Eu sou uma fraude. Eu sou fraca. Eu choro (mas é escondido e baixinho, pra ninguém saber). Eu fico com medo. Eu me sinto sozinha. Eu quero que as pessoas me digam que vai ficar tudo bem. Estou cansada de ouvir que eu consigo. Estou cansada de ouvir que eu sou forte. Não dá pra ser forte o tempo todo. Não é possível ser infalível eu tempo todo. "Você vai ter que sr muito forte agora, Ana, pra passar por isso". Eu me pergunto quando é que eu vou poder me dar ao luxo de não ser forte. Quando é que eu vou poder desabar no chão, fazer cena, ser infantil, ser boba, pedir amparo. Eu me pergunto quando é que alguém não vai me mandar erguer o queixo. Estou sendo forte demais há tempo demais. Quero ser um pouquinho fraca. Quero ser um pouquinho humana. Quero ser um pouco menos dessa pessoa que todos acreditam ser um pilar, um gigante que é capaz de passar por qualquer coisa sem se arranhar (porque eu estou cheia de cicatrizes).
Ao melhor amante que uma mulher pode ter
Sexta-feira, Setembro 02, 2011
Ele é elegante mas não é tedioso. Aliás, me faz rir muito, de ficar sem ar. Também é capaz de me fazer chorar, mas isso é bem raro. É a companhia mais fiel, para os momentos em que estou sozinha. Me envolve inteira e não me deixa ir embora. Me conforta de um jeito agressivo, me dá uns tapas na cara quando eu digo que estou sofrendo, mas eu gosto, eu quero mais. Quando eu estou eufórica, não ri da minha cara, brinca comigo, pula comigo, dança comigo, fala pelos cotovelos comigo. Tem influência direta na minha libido e me come como ninguém. Me leva para dançar, para encontrar os amigos. Para ser feliz, ou triste e é por isso que mesmo sendo um cafajeste eu não o deixo ir embora. Já fazem anos que não importa quantos outros entrem na minha vida ele é o meu eleito.
Porque eu adoro quando ele me queima a garganta, faz o meu mundo girar, me dá sentido, cor, coragem, vontade. Não posso evitar querer encontrar as respostas para todas as dúvidas no fundo de um copo. Meu preferido me conhece como nenhum outro. Realmente o amante mais capaz de me fazer me sentir incrível esteja ele na forma de vodka, whisky, cachaça, absinto ou o que for. Preciso admitir que estou completamente conquistada.
Mas vamos falar do meu outro.
Inevitável
Meu Agosto veio e foi embora. Me chamou de Aninha, mas não me colocou no colo, não me fez carinho. Meu Agosto foi como um galanteador de calçada, aquele que me deixa ruborizada com umas cantadas bem baixas mas não quer saber dos meus problemas. Meu Agosto riu da minha falta de tempo, da minha pressa, do meu estresse. Deitou na minha cama, ligou minha tevê pra ver o futebol de domingo e me deixou fazer mil telefonemas, mandar mil emails. Meu Agosto me levou pra em exibir para os outros, me mandou colocar uma saia curta, passar batom vermelho, para os amigos verem que ele está pegando bem. Me levou para lugares caros, me colocou como um troféu e me choveram todos os tipos de comentário. Meu Agosto me chamou de Aninha porque pra ele eu sou 'inha' mesmo, não porque ele é gentil. Meu Agosto não parou pra me escutar quando eu quis contar que às vezes sinto que estou carregando um mundo nas costas. Disse que função de mulher é estar no fogão e abrir as pernas quando ele quiser mesmo e que se eu estava me fudendo a culpa era minha. Riu da minha cara quando disse que precisava de amigos, companhia, que me sentia sozinha e tinha angústias. Tirou umas notas da carteira e me mandou fazer umas compras pra esquecer. Me encheu de álcool pra se aproveitar de mim. Meu Agosto fez com que eu me sentisse uma esposinha assustada. E como não poderia deixar de ser nesses casos, um dia disse que ia comprar cigarros e sumiu.
Ele é elegante mas não é tedioso. Aliás, me faz rir muito, de ficar sem ar. Também é capaz de me fazer chorar, mas isso é bem raro. É a companhia mais fiel, para os momentos em que estou sozinha. Me envolve inteira e não me deixa ir embora. Me conforta de um jeito agressivo, me dá uns tapas na cara quando eu digo que estou sofrendo, mas eu gosto, eu quero mais. Quando eu estou eufórica, não ri da minha cara, brinca comigo, pula comigo, dança comigo, fala pelos cotovelos comigo. Tem influência direta na minha libido e me come como ninguém. Me leva para dançar, para encontrar os amigos. Para ser feliz, ou triste e é por isso que mesmo sendo um cafajeste eu não o deixo ir embora. Já fazem anos que não importa quantos outros entrem na minha vida ele é o meu eleito.
Porque eu adoro quando ele me queima a garganta, faz o meu mundo girar, me dá sentido, cor, coragem, vontade. Não posso evitar querer encontrar as respostas para todas as dúvidas no fundo de um copo. Meu preferido me conhece como nenhum outro. Realmente o amante mais capaz de me fazer me sentir incrível esteja ele na forma de vodka, whisky, cachaça, absinto ou o que for. Preciso admitir que estou completamente conquistada.
Mas vamos falar do meu outro.
Inevitável
Meu Agosto veio e foi embora. Me chamou de Aninha, mas não me colocou no colo, não me fez carinho. Meu Agosto foi como um galanteador de calçada, aquele que me deixa ruborizada com umas cantadas bem baixas mas não quer saber dos meus problemas. Meu Agosto riu da minha falta de tempo, da minha pressa, do meu estresse. Deitou na minha cama, ligou minha tevê pra ver o futebol de domingo e me deixou fazer mil telefonemas, mandar mil emails. Meu Agosto me levou pra em exibir para os outros, me mandou colocar uma saia curta, passar batom vermelho, para os amigos verem que ele está pegando bem. Me levou para lugares caros, me colocou como um troféu e me choveram todos os tipos de comentário. Meu Agosto me chamou de Aninha porque pra ele eu sou 'inha' mesmo, não porque ele é gentil. Meu Agosto não parou pra me escutar quando eu quis contar que às vezes sinto que estou carregando um mundo nas costas. Disse que função de mulher é estar no fogão e abrir as pernas quando ele quiser mesmo e que se eu estava me fudendo a culpa era minha. Riu da minha cara quando disse que precisava de amigos, companhia, que me sentia sozinha e tinha angústias. Tirou umas notas da carteira e me mandou fazer umas compras pra esquecer. Me encheu de álcool pra se aproveitar de mim. Meu Agosto fez com que eu me sentisse uma esposinha assustada. E como não poderia deixar de ser nesses casos, um dia disse que ia comprar cigarros e sumiu.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Zeitgeist
Sábado, Agosto 20, 2011
Olha bem pra nós dois. Veja como eu exalo esfericidade perambulando pela casa semi-nua de madrugada, com um cigarro na mão. Repara só como tenho ares de protagonista bebendo coca-cola e citando jargões da cultura pop. Não há como negar meu jeito de femme fatale com minhas cintas-liga e minhas unhas pontudas. Olha pra você com esse status de menino bonito angustiado. Vê só como você é irremediavelmente interessante se esgueirando pelos cantos como uma sombra, com os fones de ouvido. Olha pra você cheirando à nicotina, se afastando das rodinhas de conversa para tirar o caderninho do bolso e enchê-lo de garranchos.
Trocamos roupas, trocamos livros, trocamos músicas, trocamos confidências, trocamos palavras chulas, trocamos carícias e mais importande de tudo, trocamos arte, poesia e prosa. Fizemos um do outro platéia cativa para as nossas palavras cheias de pretensão. Eu alimento o seu ego e você o meu; dois gigantes de vaidade usando um ao outro de público.
Só não trocamos promessas, porque é assim que tem que ser. É até onde dois gigantes se permitem ir. Nada mais, nada menos, e um mundo de omissões. Tem mais morte e mais vida entre nós dois do que numa rua inteira cheia de gente.
Ou pelo menos, adoramos acreditar nisso.
Olha bem pra nós dois. Veja como eu exalo esfericidade perambulando pela casa semi-nua de madrugada, com um cigarro na mão. Repara só como tenho ares de protagonista bebendo coca-cola e citando jargões da cultura pop. Não há como negar meu jeito de femme fatale com minhas cintas-liga e minhas unhas pontudas. Olha pra você com esse status de menino bonito angustiado. Vê só como você é irremediavelmente interessante se esgueirando pelos cantos como uma sombra, com os fones de ouvido. Olha pra você cheirando à nicotina, se afastando das rodinhas de conversa para tirar o caderninho do bolso e enchê-lo de garranchos.
Trocamos roupas, trocamos livros, trocamos músicas, trocamos confidências, trocamos palavras chulas, trocamos carícias e mais importande de tudo, trocamos arte, poesia e prosa. Fizemos um do outro platéia cativa para as nossas palavras cheias de pretensão. Eu alimento o seu ego e você o meu; dois gigantes de vaidade usando um ao outro de público.
Só não trocamos promessas, porque é assim que tem que ser. É até onde dois gigantes se permitem ir. Nada mais, nada menos, e um mundo de omissões. Tem mais morte e mais vida entre nós dois do que numa rua inteira cheia de gente.
Ou pelo menos, adoramos acreditar nisso.
Saudades do Rio de Janeiro
Sábado, Agosto 20, 2011
Será que o Rio de Janeiro continua lindo? Ah, que saudades das noites viradas na praia, das tempestades de areia nos expulsando, daquele calor que não me deixa respirar de noite, de andar o calçadão inteiro com uma garrafa na mão e uma ingenuidade imensa na cabeça. Me pego pensando às vezes se era pra eu estar com essas meias pretas, nessa calçada molhada, sentada nesse parque com essas sacolas e essas músicas.
Lembra quando a gente subiu naquele trenzinho vermelho que parecia que ia despencar e chegou lá em cima, no topo do mundo, no topo da cidade mais linda do mundo, o sol fazendo tudo virar um grande espelho azul e quando eu apertei a sua mão e te prometi que um dia estaríamos ali de vez, eu tive certeza que não existiria nenhum bálsamo melhor para as minhas feridas do que a água salgada da baía.
Será que o Rio de Janeiro continua sendo? Preciso entrar no metrô infestado de plumas de novo, preciso tomar água de coco nas noites quentes de novo, preciso do pôr-do-sol da estrada da barra. Preciso de um pouco de fantasia, um pouco de magia, um pouco de preguiça, um pouco de esperteza, um pouco de extravagância, uma dose cavalar de Rio de Janeiro pra colorir a minha vida.
Será que o Rio de Janeiro continua lindo? Ah, que saudades das noites viradas na praia, das tempestades de areia nos expulsando, daquele calor que não me deixa respirar de noite, de andar o calçadão inteiro com uma garrafa na mão e uma ingenuidade imensa na cabeça. Me pego pensando às vezes se era pra eu estar com essas meias pretas, nessa calçada molhada, sentada nesse parque com essas sacolas e essas músicas.
Lembra quando a gente subiu naquele trenzinho vermelho que parecia que ia despencar e chegou lá em cima, no topo do mundo, no topo da cidade mais linda do mundo, o sol fazendo tudo virar um grande espelho azul e quando eu apertei a sua mão e te prometi que um dia estaríamos ali de vez, eu tive certeza que não existiria nenhum bálsamo melhor para as minhas feridas do que a água salgada da baía.
Será que o Rio de Janeiro continua sendo? Preciso entrar no metrô infestado de plumas de novo, preciso tomar água de coco nas noites quentes de novo, preciso do pôr-do-sol da estrada da barra. Preciso de um pouco de fantasia, um pouco de magia, um pouco de preguiça, um pouco de esperteza, um pouco de extravagância, uma dose cavalar de Rio de Janeiro pra colorir a minha vida.
Ao Meu Capitão
Sábado, Agosto 20, 2011
Estou dobrando as minhas roupas, estou fechando a minha mala, estou esvaziando minha conta bancária, estou passando doze horas na estrada, estou descendo sua rua (tão íngreme), estou jogando as pedrinhas na sua janela, estou sussurando no ar da madrugada um convite pra você fugir comigo.
Estou dobrando as minhas roupas, estou fechando a minha mala, estou esvaziando minha conta bancária, estou passando doze horas na estrada, estou descendo sua rua (tão íngreme), estou jogando as pedrinhas na sua janela, estou sussurando no ar da madrugada um convite pra você fugir comigo.
Luneta
Os meus pedaços, são milhares. Eles estão em todos os cantinhos do meu quarto, debaixo dos fios que insistem em se emaranhar, no fundo do armário, nas paredes. Pra quê esse mundo interior tão grande? Esse universo já está se criando sozinho, como uma das minhas fábulas. Nunca soube construir a ponte que me levaria de lá pra cá. Estou no limbo. Ando engasgando com as galáxias, os sóis, os planetas que eu construí dentro de mim. Ando vomitando minhas estrelas.
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Rosário
Rezei uma ave-maria e um pai-nosso por dia por anos. Educação católica filha da puta, eles conseguiram. Conseguiram me incutir a culpa. Culpa. Essa que não é só um substantivo, ou uma mera sensação, mas uma entidade, um ser de vida própria. Por que eu faço as coisas pra se me sentir desse jeito depois? Ser puxada para dois lados está me rasgando ao meio. As tentações me consumem. A carne é fraca. Eu vou para o inferno.
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Incêndio
Ateei fogo às cadeiras de plástico branco, às intermináveis massagens nos pés, ao chocolate quente das manhãs de segunda. Queimei o caminho por onde você passava, o moletom velho que eu sempre roubava, as indas e vindas, minha mão procurando a sua no meio da noite. Não deixei intactos os pneus dos quilômetros que eu percorri. Fiz dos seus sapatos, das suas ligações,os celulares que sempre interrompiam, labaredas. Queimei os anéis, o doce do meu aniversário, o esperar pelo ônibus do outro lado da cidade. Fiz fogo com meus suspiros no metrô, com minha histeria, com a sua forma na minha (de todos os jeitos) e aquela vez que eu joguei tudo pro alto e voltei pra cama.
Recolhi todas as cinzas, misturei com vodka e bebi.
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Borracha
Aquela menina sabe tudo, que sabe de todos. Ela está morrendo. Aquela, aquela mesma, aquela de nariz em pé, entediada, presunçosa. Aquela, que vai falar das questões, aquela que nunca se aproximou de ninguém. Aquela que estava sempre esperando a bofetada, aquela intocada, imaculada, aquela que nunca foi, nunca vai, nunca volta. Aquela que não sai da toca, que não dá a cara a tapa, que nem mesmo sabe das coisas que todo mundo sabe (porque pra todo mundo é natural). Aquela que não respira, que não suspira, que não beija, não sente, não sangra, não goza, não fala a verdade, não conhece, não sabe, aquela, aquela, lá, sabe? Está nas últimas, coitada.
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Não é suficiente
Apenas não é.
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Cimento
Quero silêncio. Quero saber qual é o próximo passo. Quero ficar aqui, quietinha, só mais um segundo. Quero ficar aqui, deitada no chão, porque parece que a terra se deslocou no eixo e eu ainda não entendi bem aonde estão os novos pólos. Preciso descobrir aonde está o norte.
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Gasolina
Subi no terraço e coloquei os pés no ar. Treze andares me separaram da morte. Esfreguei minhas mãos no cimento, a poeira de asfalto me cobriu de piche. No céu era metade dia, metade noite. Eu vi a lua e o sol, eu vi vermelho, azul, preto. Eu vi minhas mentiras, vi tudo que eu não sei. Eu vi um balde inteiro de incertezas, joguei todas no ar, vi que elas formaram nuvens, bolhas imensas, bolhas de vidro, carregadas de bolinhas de gude. Eu vi o sol e a lua refletidos, vi o céu ficar iluminado-diamante e vi uma chuva cair e espalhar vidro pela cidade toda. Eu vi caquinhos de espelhos, vi tudo diferente. Fiz um pára-quedas de algodão, e decidi pular. Treze andares não mais me separam da vida.
Teatro de Sombras
Domingo, Agosto 14, 2011
Vem aqui, vem tamborilar seus dedos em mim, um centímetro por vez. Vem apertar o vão da minha garganta para me roubar o ar,me encher de morte, me virar do avesso. Quero meus ossos contados, o escorregar das pontinhas dos seus dedos nos meus braços, o escorregar das pontinhas da suas unhas abrindo sulcos de vermelhidão nas minhas costas, a pontinha da sua língua deixando uma trilha de arrepios nas minhas pernas. Quero seus gemidos secos, meus gemidos roucos, meus cabelos nas suas mãos, minha vida nas suas mãos. Quero sentir que posso esfarelar com mais um aperto, quero sentir a presa de uma serpente na minha jugular. Quero meu hálito condensando nos seus lábios, fazendo tudo ficar úmido, esfumaçado, indiscernível. Vamos fazer de conta que a gente acredita que tudo isso aqui é natural, que meu corpo é feito para você explorar. Quero só enxergar sua voz no escuro, quero seus contornos fundidos nos meus, como um desenho feito a carvão que alguém esfregou com força. Vem aqui me inflamar por dentro, tornar meu corpo ígneo, eu quero uma erupção de cinzas que deixe a cidade inteira cega por dias.
Vem aqui, vem tamborilar seus dedos em mim, um centímetro por vez. Vem apertar o vão da minha garganta para me roubar o ar,me encher de morte, me virar do avesso. Quero meus ossos contados, o escorregar das pontinhas dos seus dedos nos meus braços, o escorregar das pontinhas da suas unhas abrindo sulcos de vermelhidão nas minhas costas, a pontinha da sua língua deixando uma trilha de arrepios nas minhas pernas. Quero seus gemidos secos, meus gemidos roucos, meus cabelos nas suas mãos, minha vida nas suas mãos. Quero sentir que posso esfarelar com mais um aperto, quero sentir a presa de uma serpente na minha jugular. Quero meu hálito condensando nos seus lábios, fazendo tudo ficar úmido, esfumaçado, indiscernível. Vamos fazer de conta que a gente acredita que tudo isso aqui é natural, que meu corpo é feito para você explorar. Quero só enxergar sua voz no escuro, quero seus contornos fundidos nos meus, como um desenho feito a carvão que alguém esfregou com força. Vem aqui me inflamar por dentro, tornar meu corpo ígneo, eu quero uma erupção de cinzas que deixe a cidade inteira cega por dias.
Natal na Rua Java
Domingo, Agosto 14, 2011
Aquele cheio de asfalto molhado, da chuva de todos os anos (às vezes mais, às vezes menos), caindo nas palmerinhas do jardim. A casa inteira iluminada, pisca-pisca colorido nas janelas e portas de vidro, queimando sob a chuva. Eu, meus sapatinhos novos, minha idade nova, andando de um lado para o outro na sala, esperando papai noel chegar. Quanta ansiedade, o tempo que não passava, não passava nunca. Até o dia em que a chuva obrigou papai-noel a arregaçar as mangas e eu pensei "que papai-noel moreno!" e pronto, fantasia acabada. Sair da sala quando meu avô fosse ver a Missa do Galo na tevê, os amigos-ocultos, bonecas barbie, aquele fusquinha azul no qual andei até minhas pernas ficarem esfoladas. Cantar noite azul noite adentro, correr com meus primos a noite inteira, dormir no banco detrás do carro, voltando pra casa.
Quando se é criança tudo é mágico.
As palmeiras secaram, os fusíveis queimaram. A casa está vazia, escura e eu quero uma taça de vinho pra esperar o sono chegar.
Aquele cheio de asfalto molhado, da chuva de todos os anos (às vezes mais, às vezes menos), caindo nas palmerinhas do jardim. A casa inteira iluminada, pisca-pisca colorido nas janelas e portas de vidro, queimando sob a chuva. Eu, meus sapatinhos novos, minha idade nova, andando de um lado para o outro na sala, esperando papai noel chegar. Quanta ansiedade, o tempo que não passava, não passava nunca. Até o dia em que a chuva obrigou papai-noel a arregaçar as mangas e eu pensei "que papai-noel moreno!" e pronto, fantasia acabada. Sair da sala quando meu avô fosse ver a Missa do Galo na tevê, os amigos-ocultos, bonecas barbie, aquele fusquinha azul no qual andei até minhas pernas ficarem esfoladas. Cantar noite azul noite adentro, correr com meus primos a noite inteira, dormir no banco detrás do carro, voltando pra casa.
Quando se é criança tudo é mágico.
As palmeiras secaram, os fusíveis queimaram. A casa está vazia, escura e eu quero uma taça de vinho pra esperar o sono chegar.
Boa Noite
Terça-feira, Agosto 09, 2011
Meus demônios têm hábitos noturnos. Eles aparecem quando eu estou sozinha, frágil. Eles puxam meu pé enquanto eu durmo, pra me acordar. Eles me roubam o sono por horas. Eles me assombram a noite inteira. Meus fantasmas esfregam coisas que eu quero esquecer na minha cara até eu ficar sem ar. Eles me fazem sentir tanta culpa que não cabe em mim. Eles transformam meu quarto todo em névoa, um cinema privado de tudo que poderia, deveria ter sido diferente. Eu viro pro lado, sopro com força pra neblina se dissipar. E um monstro salta de debaixo da cama, arranha minhas pernas até sangrar. Eu peço por favor, vão embora, me deixem dormir. Ele machuca mais, faz doer, faz meu coração bater por dentro dos meus olhos, transforma o meu corpo em um circo de horrores. Eu entro debaixo das cobertas, do travesseiro e eles abrem a janela, me fazem tremer de frio. Um vampiro sai do meu espelho deita por cima de mim, me abraça, me aquece, e finca os caninos na minha jugular. Suga toda a minha segurança, cada uma das minhas certezas, ameaça sugar cada um dos meus queridos para bem longe de mim. Aperta os meus ossos com força, parece que vai me esfarelar. Ele arranca minha calcinha, me violenta, me arrebenta, me deixa exígue. Eu nem consigo gritar. Eu não sei o que eles querem de mim. Quando o sol aparece eu não acredito mais em fantasmas, sou uma mocinha crescida. Quando o sol vai embora eu não tenho estaca, nem alho, nem varinha mágica nem nada que possa me proteger de mim mesma.
Meus demônios têm hábitos noturnos. Eles aparecem quando eu estou sozinha, frágil. Eles puxam meu pé enquanto eu durmo, pra me acordar. Eles me roubam o sono por horas. Eles me assombram a noite inteira. Meus fantasmas esfregam coisas que eu quero esquecer na minha cara até eu ficar sem ar. Eles me fazem sentir tanta culpa que não cabe em mim. Eles transformam meu quarto todo em névoa, um cinema privado de tudo que poderia, deveria ter sido diferente. Eu viro pro lado, sopro com força pra neblina se dissipar. E um monstro salta de debaixo da cama, arranha minhas pernas até sangrar. Eu peço por favor, vão embora, me deixem dormir. Ele machuca mais, faz doer, faz meu coração bater por dentro dos meus olhos, transforma o meu corpo em um circo de horrores. Eu entro debaixo das cobertas, do travesseiro e eles abrem a janela, me fazem tremer de frio. Um vampiro sai do meu espelho deita por cima de mim, me abraça, me aquece, e finca os caninos na minha jugular. Suga toda a minha segurança, cada uma das minhas certezas, ameaça sugar cada um dos meus queridos para bem longe de mim. Aperta os meus ossos com força, parece que vai me esfarelar. Ele arranca minha calcinha, me violenta, me arrebenta, me deixa exígue. Eu nem consigo gritar. Eu não sei o que eles querem de mim. Quando o sol aparece eu não acredito mais em fantasmas, sou uma mocinha crescida. Quando o sol vai embora eu não tenho estaca, nem alho, nem varinha mágica nem nada que possa me proteger de mim mesma.
Exuberante; adj. Superabundante, copioso: vegetação exuberante. Fig. Cheio de vigor e animação; extrovertido: temperamento exuberante.
Domingo, Agosto 07, 2011
Ela chega e de repente rouba todas as atenções. Estar ao lado dela é saber que você vai ser temporariamente invisível. É preciso aprender a lidar com isso, pois enquanto ela estiver por perto, ninguém mais terá chance. Ela chega do alto do seu salto agulha, da sua altura toda, com esse jeito de mulherão, jogando o cabelo de um lado pro outro, falando alto e rindo alto e fazendo piada de tudo, de todo mundo. É ímã. Deixa todo mundo hipnotizado, boquiaberto, em questão de segundos. É tanta segurança, é tanta história pra contar, ela vai criar uma órbita em torno de si com a força de mil sóis. Ela é assim; pode estar se debulhando em lágrimas, pode estar descalça e bêbada no meio da rua, pode estar radiante como nunca e jamais estará fraca, frágil. Ela faz tudo com tanta altivez, que chega a ser sobre-humano. Ela vem me dizer que é cheia de medos, eu não acredito. Não tem nada, absolutamente nada, que ela não possa vencer com a sua sinceridade que rasga, seu salto que esfarela, sua exuberância que rouba um pouquinho de toda a vida que está ao redor dela.
Ela chega e de repente rouba todas as atenções. Estar ao lado dela é saber que você vai ser temporariamente invisível. É preciso aprender a lidar com isso, pois enquanto ela estiver por perto, ninguém mais terá chance. Ela chega do alto do seu salto agulha, da sua altura toda, com esse jeito de mulherão, jogando o cabelo de um lado pro outro, falando alto e rindo alto e fazendo piada de tudo, de todo mundo. É ímã. Deixa todo mundo hipnotizado, boquiaberto, em questão de segundos. É tanta segurança, é tanta história pra contar, ela vai criar uma órbita em torno de si com a força de mil sóis. Ela é assim; pode estar se debulhando em lágrimas, pode estar descalça e bêbada no meio da rua, pode estar radiante como nunca e jamais estará fraca, frágil. Ela faz tudo com tanta altivez, que chega a ser sobre-humano. Ela vem me dizer que é cheia de medos, eu não acredito. Não tem nada, absolutamente nada, que ela não possa vencer com a sua sinceridade que rasga, seu salto que esfarela, sua exuberância que rouba um pouquinho de toda a vida que está ao redor dela.
Pudor não é comigo
Domingo, Agosto 07, 2011
Vinícius de Morais já tinha avisado: Censura não é pra mim. Então não me venha querendo que eu cruze as pernas, aumente o comprimento do vestido, não fale palavrão. Quando você arranca o copo da minha mão desse jeito me dá vontade de quebrá-lo na sua cabeça (juro que qualquer dia faço isso).
Eu não tenho vergonha de querer demais, de falar demais, de me fazer de boba o tempo todo. Quanto mais você tenta me domar mais vontade eu tenho de fugir. Pára de correr atrás de mim com essas algemas, pára de me dizer pra eu ficar quietinha, ser uma boa moça, eu não vou ser. Você quer me deixar assim sem sal sem gosto mas eu tenho na pele o meu despudor e você pode tentar lavar, esfregar bastante; não vai sair. Não, não tenho vergonha na cara. Sou despudorada, sou sim, de ruborizar qualquer um com o que eu penso, com o que eu falo. Você tem medo? Está esperando o quê, para ir embora; eu desprezo gente covarde.
É, é selvageria que não acaba mais. Chego até a ser obscena, mas pudor, não é pra mim. Pudor é tentar esconder as coisas que estão estampadas na cara. É tentar fingir que você não é um bicho guiado pelo instinto quando tem vontade de rosnar se atravessam seu caminho. Pudor é fingimento, é véu. É pra quem quer esconder que andou se esfregando na lama, no sangue, no veneno. É pra quem não tem coragem de ser assim cheio de falhas, de ridículo, de desejo, de vontade, vontade até transbordar. Não é pra mim.
Vinícius de Morais já tinha avisado: Censura não é pra mim. Então não me venha querendo que eu cruze as pernas, aumente o comprimento do vestido, não fale palavrão. Quando você arranca o copo da minha mão desse jeito me dá vontade de quebrá-lo na sua cabeça (juro que qualquer dia faço isso).
Eu não tenho vergonha de querer demais, de falar demais, de me fazer de boba o tempo todo. Quanto mais você tenta me domar mais vontade eu tenho de fugir. Pára de correr atrás de mim com essas algemas, pára de me dizer pra eu ficar quietinha, ser uma boa moça, eu não vou ser. Você quer me deixar assim sem sal sem gosto mas eu tenho na pele o meu despudor e você pode tentar lavar, esfregar bastante; não vai sair. Não, não tenho vergonha na cara. Sou despudorada, sou sim, de ruborizar qualquer um com o que eu penso, com o que eu falo. Você tem medo? Está esperando o quê, para ir embora; eu desprezo gente covarde.
É, é selvageria que não acaba mais. Chego até a ser obscena, mas pudor, não é pra mim. Pudor é tentar esconder as coisas que estão estampadas na cara. É tentar fingir que você não é um bicho guiado pelo instinto quando tem vontade de rosnar se atravessam seu caminho. Pudor é fingimento, é véu. É pra quem quer esconder que andou se esfregando na lama, no sangue, no veneno. É pra quem não tem coragem de ser assim cheio de falhas, de ridículo, de desejo, de vontade, vontade até transbordar. Não é pra mim.
Ice Princess
Quarta-feira, Agosto 03, 2011
Chegou a hora de descer do meu salto e te perguntar, a queima-roupa: O que você quer de mim? Você está me dizendo a verdade? Sobre o que você quer, o que você espera, quem você é? E eu? Estou te dizendo a verdade ou ela só existe antes de se transformar em palavras? E eu que sempre achei que era clara-cristalina como vodca...
Se eu não tivesse finalmente parado pra escutar pela primeira vez na vida algumas críticas que já estavam gastas eu nem mesmo teria percebido que sou tão inacessível. Isso não condiz com a verdade, é que... É que muita coisa. Não sei explicar.
Não quero que você me entenda mal, não quero que você se ofenda porque eu não te deixo chegar perto demais. Eu não quero entender mal, também. Comigo não existem meias-verdades e acredite, eu vou seguir cada um dos princípios que você disser que tem. Mas me perdi nos seus códigos. E parece que você se perdeu nos meus.
Chegou a hora de descer do meu salto e te perguntar, a queima-roupa: O que você quer de mim? Você está me dizendo a verdade? Sobre o que você quer, o que você espera, quem você é? E eu? Estou te dizendo a verdade ou ela só existe antes de se transformar em palavras? E eu que sempre achei que era clara-cristalina como vodca...
Se eu não tivesse finalmente parado pra escutar pela primeira vez na vida algumas críticas que já estavam gastas eu nem mesmo teria percebido que sou tão inacessível. Isso não condiz com a verdade, é que... É que muita coisa. Não sei explicar.
Não quero que você me entenda mal, não quero que você se ofenda porque eu não te deixo chegar perto demais. Eu não quero entender mal, também. Comigo não existem meias-verdades e acredite, eu vou seguir cada um dos princípios que você disser que tem. Mas me perdi nos seus códigos. E parece que você se perdeu nos meus.
Ruminante
Quarta-feira, Agosto 03, 2011
Eu sinto que tenho andado em círculos. Estou cansada de fazer as mesmas perguntas, chegar às mesmas conclusões, sentir as mesmas dores. Já se passou um tempo e eu não saí do lugar. Eu fico tentando digerir coisas que já viraram bile. Tudo é tão repetitivo. É tanta imbecilidade, é tanto clichê, que me dá vontade de tomar banho com água raz. Como é que eu posso ir pra outro lugar se estou num labirinto? Cada vez que eu acho que estou indo, dou de cara com a sebe. Qual o tamanho dele e aonde foi que você me largou aqui dentro? Parece que quanto mais eu tento sair, mais perdida eu fico.
Eu sinto que tenho andado em círculos. Estou cansada de fazer as mesmas perguntas, chegar às mesmas conclusões, sentir as mesmas dores. Já se passou um tempo e eu não saí do lugar. Eu fico tentando digerir coisas que já viraram bile. Tudo é tão repetitivo. É tanta imbecilidade, é tanto clichê, que me dá vontade de tomar banho com água raz. Como é que eu posso ir pra outro lugar se estou num labirinto? Cada vez que eu acho que estou indo, dou de cara com a sebe. Qual o tamanho dele e aonde foi que você me largou aqui dentro? Parece que quanto mais eu tento sair, mais perdida eu fico.
Do que eu sou e do que eu quero
Quarta-feira, Agosto 03, 2011
Me dizem que eu sou impetuosa, implacável. Ouço isso bastante. Também costumo ouvir que sou arrogante e insensível. Não concordo. Eu sou prática, apesar de pouco racional. Não é difícil entender, decifrar. Afinal, também costumam me dizer que tenho as emoções à flor da pele.
O que eu quero também é simples: quero boas histórias pra contar. Meu ciúme é uma agulhinha de tirar ferpa; dá um pouquinho de vontade de chorar, um pouquinho de vontade de vomitar, mas logo passa. Meu desejo é monstruoso, é gilhotina, é quimera. Engole o que vier. O que eu quero é um canino do meu desejo, um canino por vez. O que eu quero: boas histórias pra contar e dentes da minha fera esfarelados.
Me dizem que eu sou impetuosa, implacável. Ouço isso bastante. Também costumo ouvir que sou arrogante e insensível. Não concordo. Eu sou prática, apesar de pouco racional. Não é difícil entender, decifrar. Afinal, também costumam me dizer que tenho as emoções à flor da pele.
O que eu quero também é simples: quero boas histórias pra contar. Meu ciúme é uma agulhinha de tirar ferpa; dá um pouquinho de vontade de chorar, um pouquinho de vontade de vomitar, mas logo passa. Meu desejo é monstruoso, é gilhotina, é quimera. Engole o que vier. O que eu quero é um canino do meu desejo, um canino por vez. O que eu quero: boas histórias pra contar e dentes da minha fera esfarelados.
Razão de Ser
Quarta-feira, Agosto 03, 2011
Não sou racional, mas sou estrategista. Tudo pra mim é guerra. Guerra, com g maísculo. Quem não é meu aliado, automaticamente é meu inimigo. É pelo bem maior que eu ordeno bombardeios, contaminações, fuzilamento em massa. Metralhadora em uma mão, baioneta na outra. Sei que o segredo da guerra é manter a defensiva e estar pronto para o conta-ataque. Sei que se eu deixar o soldado errado se aproximar, vai acontecer uma queima de arquivo, um assassinato condecorado. E minha função é conquistar tudo sem nunca, nunca, deixar meu exército falhar.
Não sou racional, mas sou estrategista. Tudo pra mim é guerra. Guerra, com g maísculo. Quem não é meu aliado, automaticamente é meu inimigo. É pelo bem maior que eu ordeno bombardeios, contaminações, fuzilamento em massa. Metralhadora em uma mão, baioneta na outra. Sei que o segredo da guerra é manter a defensiva e estar pronto para o conta-ataque. Sei que se eu deixar o soldado errado se aproximar, vai acontecer uma queima de arquivo, um assassinato condecorado. E minha função é conquistar tudo sem nunca, nunca, deixar meu exército falhar.
Das Últimas
Quarta-feira, Agosto 03, 2011
Sempre soube que sou meteoromante. É ridículo o quanto. E agora, quase-quase primavera, com frio de inverno e outono por dentro.
É outono bravo aqui no labirinto. Eu estava tão preocupada em achar a saída que esqueci que ele ia morrer sozinho. As sebes já não estão mais verdes, o chão está cheio de folhas e já tem luz.
Muito em breve, o labirinto vai ser um esqueleto de galhos secos e não somente vou enxergar a saída como vou destruir as sebes secas com as mãos.
Fiquei tempo demais aqui dentro. O mundo deve ter mudado tanto lá fora enquanto isso. Eu estou louca pra ver.
Sempre soube que sou meteoromante. É ridículo o quanto. E agora, quase-quase primavera, com frio de inverno e outono por dentro.
É outono bravo aqui no labirinto. Eu estava tão preocupada em achar a saída que esqueci que ele ia morrer sozinho. As sebes já não estão mais verdes, o chão está cheio de folhas e já tem luz.
Muito em breve, o labirinto vai ser um esqueleto de galhos secos e não somente vou enxergar a saída como vou destruir as sebes secas com as mãos.
Fiquei tempo demais aqui dentro. O mundo deve ter mudado tanto lá fora enquanto isso. Eu estou louca pra ver.
Modo de Fazer
Quarta-feira, Agosto 03, 2011
Então, só pra deixar claro, você errou bem feio ao dizer marzipã porque na verdade eu tenho gosto de pimenta malagueta, dessas que quando você morder vai arrebentar sua boca inteira e te fazer chorar de dor então você vai cuspir tudo. Cospe, vai. Me cospe da sua boca, admite que eu sou demais pra você aguentar.
Nitroglicerina
Sexta-feira, Julho 22, 2011
Vez ou outra, essa dor amarga se transforma num monstro e fica mordiscando, roendo as minhas entranhas.
Geralmente acontece quando me dão com uma lembrança na cara. (Então é frequente, porque são lembranças demais em lugares demais).
Eu queria (eu quero?) tanta coisa. Agora eu consigo ver, céus, parece que eu estive caindo de bêbada por meses a fio, parece que jogaram pimenta nos meus olhos e só agora tudo está claro de novo. Agora eu consigo entender a extensão dos meus desejos. Agora fica mais fácil achar os motivos. Como é possível, ficar tão fora de mim assim, do jeito que eu fiquei?
Quando de repente, assim, começa a tocar aquela música e eu consigo ver, ainda que meio esfumaçada, aquela fantasia toda, aquele conto-de-fadas. Você me pegou pela mão e me levou pra outra dimensão. Eu mal consegui ficar de pé. Meus joelhos mal davam conta de me sustentar. Eu queria cair de tão tonta, de tão embrigada de você que estava, queria que você me levantasse e me fizesse entrar em coma para eu nunca mais ter que voltar.
Eu disse, eu lembro que meus olhos encheram d'água quando eu disse, "eu tenho uma estrelinha dentro de mim". Babaquice adolescente, bobagem. A estrelinha virou um monte de caco de vidro e eu estou tossindo sangue até hoje.
Choveu gasolina por muitos dias; eu sentei e assisti. Eu sentei e bebi. E cuspi. E engoli. A chuva derreteu todos os meus palitos de fósforo (eram tantos!). Eu implorei pra você criar um incêndio. Você me fez um vendaval.
Vez ou outra, essa dor amarga se transforma num monstro e fica mordiscando, roendo as minhas entranhas.
Geralmente acontece quando me dão com uma lembrança na cara. (Então é frequente, porque são lembranças demais em lugares demais).
Eu queria (eu quero?) tanta coisa. Agora eu consigo ver, céus, parece que eu estive caindo de bêbada por meses a fio, parece que jogaram pimenta nos meus olhos e só agora tudo está claro de novo. Agora eu consigo entender a extensão dos meus desejos. Agora fica mais fácil achar os motivos. Como é possível, ficar tão fora de mim assim, do jeito que eu fiquei?
Quando de repente, assim, começa a tocar aquela música e eu consigo ver, ainda que meio esfumaçada, aquela fantasia toda, aquele conto-de-fadas. Você me pegou pela mão e me levou pra outra dimensão. Eu mal consegui ficar de pé. Meus joelhos mal davam conta de me sustentar. Eu queria cair de tão tonta, de tão embrigada de você que estava, queria que você me levantasse e me fizesse entrar em coma para eu nunca mais ter que voltar.
Eu disse, eu lembro que meus olhos encheram d'água quando eu disse, "eu tenho uma estrelinha dentro de mim". Babaquice adolescente, bobagem. A estrelinha virou um monte de caco de vidro e eu estou tossindo sangue até hoje.
Choveu gasolina por muitos dias; eu sentei e assisti. Eu sentei e bebi. E cuspi. E engoli. A chuva derreteu todos os meus palitos de fósforo (eram tantos!). Eu implorei pra você criar um incêndio. Você me fez um vendaval.
Mais de vinte julhos
Segunda-feira, Julho 18, 2011
Eu estou tremendo de frio.
E tem um lobo ao meu lado.
Eu sinto o hálito podre no meu rosto e me dá ânsia.
Ele me diz que é minha culpa.
Ele me diz que os grãos de areia estão se esvaindo.
Ele me diz que tudo o que eu quero está sumindo gota a gota.
E é minha culpa. É tudo minha culpa. Que eu estou fazendo uma sabotagem em mim mesma.
Ele me diz que estou catapultando meus sonhos para longe de mim, onde eu não posso alcançar.
Ele me diz que eu preciso aprender a me comportar.
Ele me diz para eu escutá-lo. Caso contrário ele vai arrancar meus olhos com os dentes e me deixar para morrer de hemorragia.
.
Eu estou tremendo de frio.
E tem uma águia ao meu lado.
Ela roça a asa no meu rosto e faz cócegas.
Ela me diz que eu sou medrosa.
Ela me diz que eu sou uma fraude.
Ela me diz que eu preciso mergulhar.
Ela me diz para ir buscar os meus sonhos, e que para isso, eu preciso me catapultar também.
Ela me diz para eu escutá-la. Caso contrário ela vai fincar as garras nos meus ombros e me levar para me atirar em um desfiladeiro.
.
Eu estou tremendo de frio.
E tem uma pantera ao meu lado.
Ela me encara e me faz tremer.
Ela me diz que eu preciso me fechar.
Ela me diz que eu preciso me prender.
Ela me diz que não há nada de mais importante do que uma faísca.
Ela me diz que eu preciso entrar na areia movediça.
Me afundar nela.
Me afogar nela.
Morrer nela.
Ela me diz para eu escutá-la. Caso contrário ela vai me dar uma patada no peito e todas as minhas costelas vão perfurar meu coração.
..
Eu estou tremendo de frio.
E ao meu lado só tem sombras e silêncio.
Meus olhos, ombros e coração estão doloridos.
Eu estou tremendo de frio.
E tem um lobo ao meu lado.
Eu sinto o hálito podre no meu rosto e me dá ânsia.
Ele me diz que é minha culpa.
Ele me diz que os grãos de areia estão se esvaindo.
Ele me diz que tudo o que eu quero está sumindo gota a gota.
E é minha culpa. É tudo minha culpa. Que eu estou fazendo uma sabotagem em mim mesma.
Ele me diz que estou catapultando meus sonhos para longe de mim, onde eu não posso alcançar.
Ele me diz que eu preciso aprender a me comportar.
Ele me diz para eu escutá-lo. Caso contrário ele vai arrancar meus olhos com os dentes e me deixar para morrer de hemorragia.
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Eu estou tremendo de frio.
E tem uma águia ao meu lado.
Ela roça a asa no meu rosto e faz cócegas.
Ela me diz que eu sou medrosa.
Ela me diz que eu sou uma fraude.
Ela me diz que eu preciso mergulhar.
Ela me diz para ir buscar os meus sonhos, e que para isso, eu preciso me catapultar também.
Ela me diz para eu escutá-la. Caso contrário ela vai fincar as garras nos meus ombros e me levar para me atirar em um desfiladeiro.
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Eu estou tremendo de frio.
E tem uma pantera ao meu lado.
Ela me encara e me faz tremer.
Ela me diz que eu preciso me fechar.
Ela me diz que eu preciso me prender.
Ela me diz que não há nada de mais importante do que uma faísca.
Ela me diz que eu preciso entrar na areia movediça.
Me afundar nela.
Me afogar nela.
Morrer nela.
Ela me diz para eu escutá-la. Caso contrário ela vai me dar uma patada no peito e todas as minhas costelas vão perfurar meu coração.
..
Eu estou tremendo de frio.
E ao meu lado só tem sombras e silêncio.
Meus olhos, ombros e coração estão doloridos.
Sábado, Julho 16, 2011
Minha cidade está um caos. É trator pra lá, obra pra cá, uma cacofonia de marteladas e britadeiras. Me dá vontade às vezes de ajudar quem trabalha nisso e subir num trator e demolir alguma coisa. Ou nem chega a tanto, era só pegar uma pedra bem grande e destruir aqueles banquinhos de ladrilho vermelho.
Mas não vou fazer isso. Porque aquelas, aquelas coisas todas estão vivas dentro de mim. E toda essa mágoa que você me fez sentir, eu raramente me lembro dela. Eu achei, achei tanto que você tinha causado um dano irreversível. Achei que você tinha impregnado cada centímetro das lembranças que eu te confiei com dor e vergonha. Mas qual a minha surpresa; eu nem lembro que isso aconteceu. O que eu vivo aqui, o que eu sinto, o que eu lembro, é só meu.
A verdade é que você é muito mais descartável e esquecível do que gosta de acreditar.
Minha cidade está um caos. É trator pra lá, obra pra cá, uma cacofonia de marteladas e britadeiras. Me dá vontade às vezes de ajudar quem trabalha nisso e subir num trator e demolir alguma coisa. Ou nem chega a tanto, era só pegar uma pedra bem grande e destruir aqueles banquinhos de ladrilho vermelho.
Mas não vou fazer isso. Porque aquelas, aquelas coisas todas estão vivas dentro de mim. E toda essa mágoa que você me fez sentir, eu raramente me lembro dela. Eu achei, achei tanto que você tinha causado um dano irreversível. Achei que você tinha impregnado cada centímetro das lembranças que eu te confiei com dor e vergonha. Mas qual a minha surpresa; eu nem lembro que isso aconteceu. O que eu vivo aqui, o que eu sinto, o que eu lembro, é só meu.
A verdade é que você é muito mais descartável e esquecível do que gosta de acreditar.
7 de dezembro é o dia da idiossincrasia
Sábado, Julho 16, 2011
Soprinho, Disney, A Inspetora, Mafalda, Mulan, Harry Potter, Além das Consequências, Titanic, Batman, Sin City, Star Wars, Nelson Rodrigues ad infinitum, Rimbaud, Os Normais,The Dove Keeper, Pimenta Cítrica, Tatuagens, Esmalte de Vó, Fogo, Incandescente.
Se eu fosse um quebra-cabeças, seria um daqueles de mil peças.
Soprinho, Disney, A Inspetora, Mafalda, Mulan, Harry Potter, Além das Consequências, Titanic, Batman, Sin City, Star Wars, Nelson Rodrigues ad infinitum, Rimbaud, Os Normais,The Dove Keeper, Pimenta Cítrica, Tatuagens, Esmalte de Vó, Fogo, Incandescente.
Se eu fosse um quebra-cabeças, seria um daqueles de mil peças.
Terça-feira, Julho 12, 2011
É, não dá pra dizer que eu não quis. Não dá pra dizer que eu não gostei. É como se eu tirasse a aliança, deixasse ela em algum canto e a gente se trancasse num mundinho secreto onde o resto das coisas não importa. Adorei me sentir assim, uma esposa infiel, tão leviana. Você me disse tudo que eu queria ouvir, eu fiz tudo o que eu queria fazer e não usei nenhuma máscara, em momento algum. Do seu jeito calado até a maneira como você me vira do avesso, das minhas confissões, sexo, arte e dor, como eu sempre quis, até a noite em que eu acordei confusa e não sabia quem você era e queria tirar suas mãos de mim. Mas se eu mostrei o meu lado não tão adulto e você mostrou o seu lado não tão doce, isso ia acontecer, mais cedo ou mais tarde. O seus estilhaços no chão eu pego em uma mão só e aperto, me corto, corto corto com eles, até o sangue estar pingando. A coisa que eu mais quero é saber que estou viva.
É, não dá pra dizer que eu não quis. Não dá pra dizer que eu não gostei. É como se eu tirasse a aliança, deixasse ela em algum canto e a gente se trancasse num mundinho secreto onde o resto das coisas não importa. Adorei me sentir assim, uma esposa infiel, tão leviana. Você me disse tudo que eu queria ouvir, eu fiz tudo o que eu queria fazer e não usei nenhuma máscara, em momento algum. Do seu jeito calado até a maneira como você me vira do avesso, das minhas confissões, sexo, arte e dor, como eu sempre quis, até a noite em que eu acordei confusa e não sabia quem você era e queria tirar suas mãos de mim. Mas se eu mostrei o meu lado não tão adulto e você mostrou o seu lado não tão doce, isso ia acontecer, mais cedo ou mais tarde. O seus estilhaços no chão eu pego em uma mão só e aperto, me corto, corto corto com eles, até o sangue estar pingando. A coisa que eu mais quero é saber que estou viva.
Pausa
Domingo, Julho 10, 2011
É uma daquelas noites em que eu quero me acabar, nem lembrar mais qual é meu nome, e eu já to tão bêbada que tentei acender meu cigarro no filtro e esqueci meu número de telefone e vou pro bar pedir mais e ele chega e pergunta se eu aceito um cosmopolitan, eu pergunto se não podemos trocar por um sex on the beach, porque se é pra beber drink de mocinha que pelo menos tenha um nome safado. Ele ri, e me paga o drink e vamos dançar e eu já to tão descabelada e é bom o jeito que ele me aperta, me puxa, me beija. Mas ele não me deixa ir dançar, me aperta mais forte e peraí, meu bem, eu vim aqui pra dançar, não pra achar o amor da minha vida. Então me larga, Eu me desvencilho, vou rodopiando, meu esmalte cintilando com o brilho da chama do isqueiro. A música está boa, está alta, e é a única coisa que eu preciso.
É uma daquelas noites em que eu quero me acabar, nem lembrar mais qual é meu nome, e eu já to tão bêbada que tentei acender meu cigarro no filtro e esqueci meu número de telefone e vou pro bar pedir mais e ele chega e pergunta se eu aceito um cosmopolitan, eu pergunto se não podemos trocar por um sex on the beach, porque se é pra beber drink de mocinha que pelo menos tenha um nome safado. Ele ri, e me paga o drink e vamos dançar e eu já to tão descabelada e é bom o jeito que ele me aperta, me puxa, me beija. Mas ele não me deixa ir dançar, me aperta mais forte e peraí, meu bem, eu vim aqui pra dançar, não pra achar o amor da minha vida. Então me larga, Eu me desvencilho, vou rodopiando, meu esmalte cintilando com o brilho da chama do isqueiro. A música está boa, está alta, e é a única coisa que eu preciso.
Quarta-feira, Julho 06, 2011
Dessa vez eu fui até o final. Se me faltava coragem antes, dessa vez foi diferente. Eu entrei na tarde ensolarada e cheia de mormaço e desapareci (dentro de mim mesma). Eu desci as mesmas ruas, eu fiz o mesmo caminho, o plém plém do piano insistente no meu ouvido machucado. Passei pelas mesmas calçadas, pelas mesmas árvores, pela mesma banca de revista. Dobrei a mesma esquina e passei por aquele prédio que eu achava tão bonito (hoje eu o achei tão feio). As casas continuam as mesmas. Tinha até um altar no jardim de uma delas. Eu fui descendo, descendo cada vez mais fundo nesse meu mundo secreto, nesse meu reduto de lembranças. Não foi tão difícil, não foi tão ruim quanto eu achei que seria. Eu entrei, fui até o fim. Desci mais, fui mais fundo. O mais fundo que dava nessa minha cratera gigantesca de significados metafóricos. Dobrei a esquina e continuei. Continuei até chegar lá em baixo. Uma via, carros, um rio canalizado, poeira, muitas placas indicando pontos turisticos, uma ponte velha. Um cachorrinho dormindo, um caminhão passando, e nada. Mais nada.
Dessa vez, eu fui até o final. E só encontrei asfalto.
***
E enquanto eu ia emergindo -devagar, bem devagar- vejam que coincidência: Na calçada três garotos, uniformizados com meu uniforme de outros tempos cumprindo os rituais que eu costumava cumprir. Quanta adrenalina.
Tive vontade de me sentar ao lado deles e contar o que sabia, mas de maluquices já me basta esse texto. Sorri quietinha e segui andando.
Dessa vez eu fui até o final. Se me faltava coragem antes, dessa vez foi diferente. Eu entrei na tarde ensolarada e cheia de mormaço e desapareci (dentro de mim mesma). Eu desci as mesmas ruas, eu fiz o mesmo caminho, o plém plém do piano insistente no meu ouvido machucado. Passei pelas mesmas calçadas, pelas mesmas árvores, pela mesma banca de revista. Dobrei a mesma esquina e passei por aquele prédio que eu achava tão bonito (hoje eu o achei tão feio). As casas continuam as mesmas. Tinha até um altar no jardim de uma delas. Eu fui descendo, descendo cada vez mais fundo nesse meu mundo secreto, nesse meu reduto de lembranças. Não foi tão difícil, não foi tão ruim quanto eu achei que seria. Eu entrei, fui até o fim. Desci mais, fui mais fundo. O mais fundo que dava nessa minha cratera gigantesca de significados metafóricos. Dobrei a esquina e continuei. Continuei até chegar lá em baixo. Uma via, carros, um rio canalizado, poeira, muitas placas indicando pontos turisticos, uma ponte velha. Um cachorrinho dormindo, um caminhão passando, e nada. Mais nada.
Dessa vez, eu fui até o final. E só encontrei asfalto.
***
E enquanto eu ia emergindo -devagar, bem devagar- vejam que coincidência: Na calçada três garotos, uniformizados com meu uniforme de outros tempos cumprindo os rituais que eu costumava cumprir. Quanta adrenalina.
Tive vontade de me sentar ao lado deles e contar o que sabia, mas de maluquices já me basta esse texto. Sorri quietinha e segui andando.
O seu silêncio
Terça-feira, Julho 05, 2011
Me incomoda. É quietude demais. É aristocracia demais. Eu, que nunca tive sutileza alguma. Sempre falando alto demais, rindo alto demais, bebendo demais, fazendo demais, tropeçando e derrubando tudo pelo caminho.Sem vocações para ser lady. É como me dizia alguém muito importante: "Porra Ana, você é esporrenta pra caralho."
É que eu sou uma bomba-relógio de vontades. Meu melhor amigo me disse outro dia: "Quem diria que aquela menininha acuada e tímida que saiu daqui ia virar esse furacão?" Sendo herege com Machado de Assis, acho que o furacão já estava por dentro como a fruta dentro da casca, embora eu seja bem mais demônio que Capitu.
Seu silêncio me incomoda, mas não é de um jeito ruim. É bem intrigante na verdade, porque você não parece ter um silêncio vazio. Aliás, eu olho pra você consigo te ver fervilhando por dentro, consigo sentir que nem tudo é calmo e aristocrático quanto você queria fazer parecer, quando qualquer coisa escapa. Mas o seu silêncio não é falso.
Eu só não consigo entender essa mania que você tem de achar que eu sou frágil, que eu preciso da sua cautela, da sua proteção, como se só você pudesse ser cruel e eu fosse um anjo de candura. Você realmente acha que só você tem o poder de machucar os outros? Eu até gosto de colo, de vez em quando, mas eu sei que eu faço as coisas porque eu quero.
Entre o seu silêncio e todo o meu barulho, existem milhares de estilhaços.
Não se deixe enganar porque você me conheceu com uma ferida aberta.
Alguma hora ela vai fechar.
Me incomoda. É quietude demais. É aristocracia demais. Eu, que nunca tive sutileza alguma. Sempre falando alto demais, rindo alto demais, bebendo demais, fazendo demais, tropeçando e derrubando tudo pelo caminho.Sem vocações para ser lady. É como me dizia alguém muito importante: "Porra Ana, você é esporrenta pra caralho."
É que eu sou uma bomba-relógio de vontades. Meu melhor amigo me disse outro dia: "Quem diria que aquela menininha acuada e tímida que saiu daqui ia virar esse furacão?" Sendo herege com Machado de Assis, acho que o furacão já estava por dentro como a fruta dentro da casca, embora eu seja bem mais demônio que Capitu.
Seu silêncio me incomoda, mas não é de um jeito ruim. É bem intrigante na verdade, porque você não parece ter um silêncio vazio. Aliás, eu olho pra você consigo te ver fervilhando por dentro, consigo sentir que nem tudo é calmo e aristocrático quanto você queria fazer parecer, quando qualquer coisa escapa. Mas o seu silêncio não é falso.
Eu só não consigo entender essa mania que você tem de achar que eu sou frágil, que eu preciso da sua cautela, da sua proteção, como se só você pudesse ser cruel e eu fosse um anjo de candura. Você realmente acha que só você tem o poder de machucar os outros? Eu até gosto de colo, de vez em quando, mas eu sei que eu faço as coisas porque eu quero.
Entre o seu silêncio e todo o meu barulho, existem milhares de estilhaços.
Não se deixe enganar porque você me conheceu com uma ferida aberta.
Alguma hora ela vai fechar.
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