segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Teatro de Sombras

Domingo, Agosto 14, 2011


Vem aqui, vem tamborilar seus dedos em mim, um centímetro por vez. Vem apertar o vão da minha garganta para me roubar o ar,me encher de morte, me virar do avesso. Quero meus ossos contados, o escorregar das pontinhas dos seus dedos nos meus braços, o escorregar das pontinhas da suas unhas abrindo sulcos de vermelhidão nas minhas costas, a pontinha da sua língua deixando uma trilha de arrepios nas minhas pernas. Quero seus gemidos secos, meus gemidos roucos, meus cabelos nas suas mãos, minha vida nas suas mãos. Quero sentir que posso esfarelar com mais um aperto, quero sentir a presa de uma serpente na minha jugular. Quero meu hálito condensando nos seus lábios, fazendo tudo ficar úmido, esfumaçado, indiscernível. Vamos fazer de conta que a gente acredita que tudo isso aqui é natural, que meu corpo é feito para você explorar. Quero só enxergar sua voz no escuro, quero seus contornos fundidos nos meus, como um desenho feito a carvão que alguém esfregou com força. Vem aqui me inflamar por dentro, tornar meu corpo ígneo, eu quero uma erupção de cinzas que deixe a cidade inteira cega por dias.

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