segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Jardim de Vagalumes

Sexta-feira, Abril 08, 2011

Flor de ir embora 
É uma flor que se alimenta do que a gente chora 
Rompe a terra decidida 
Flor do meu desejo de correr o mundo afora 
Flor de sentimento 
Amadurecendo aos poucos a minha partida 
Quando a flor abrir inteira 
Muda a minha vida 
Esperei o tempo certo 
E lá vou eu 
E lá vou eu 
Flor de ir embora, eu vou 
Agora esse mundo é meu 



Um dia, eu também vou embora daqui.
Não é agora. Talvez não seja em breve. Não estou mais sendo explusa.
Mas eu vou. Então ando aproveitando o máximo dos meus queridos, dos meus lugares, deixando meu carimbo em cada parte da cidade que é importante pra mim.
Eu vou ser eternamente grata. Eu soube o que era estar em casa quando vim pra cá. Conheci mais sobre mim, aprendi a viver de verdade, colecionei memórias dignas de filmes hollywoodianos. Eu soube o que era ser feliz. Essa cidade foi a cola para eu finalmente estar inteira.
E eu acho que sempre vou querer voltar pra cá, de uma maneira ou de outra.
Mas eu vou precisar ir. Estou dia a dia molhando a minha flor de ir embora. Tem muito mais me esperando. Tem muito mais que eu preciso ver. Tem muito mais cenários para as minhas memórias. Tem muito mais pessoas que eu vou pregar dentro de mim, muito mais membros-fantasmas a serem incorporados.
E os meus queridos, ah, eu tenho pouco tempo para criar esse laço com quem eu amo e está aqui, esse laço que não vai se desfazer mesmo eu estando muito longe, por muito tempo.
Vou amadurecendo aos poucos, bem aos pouquinhos, a minha partida. Surpreendentemente, vai doer quando eu for. Mas eu sei que existem mais lugares que vão me fazer ainda mais inteira. Ainda mais próxima de quem eu quero ser. E depois eu vou partir novamente. E uma outra vez. E sucessivamente, até eu ter um jardim inteiro de flores de ir embora.

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