segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Fire Bomb

Segunda-feira, Fevereiro 07, 2011

O sol está tão quente que o couro vai queimar minhas costas e meus dedos vão encher de bolhas quando eu encostar no volante e ainda assim vou enfiar o pé no acelerador e derrapar em todas as esquinas e pensamentos e passar todas as marchas erradas porque eu na verdade gosto bastante de estar sozinha e queimei uma pilha de sutiãs ainda ontem e tenho mais o que fazer a aturar pessoas que não sabem como viver, como sentir, como experimentar e nem sabem lembrar ou mergulhar ou nada. Na verdade, covardes são elas. Minhas mãos ainda estão cheias de bolhas e eu levei uns três postes e não vou desacelerar ou fingir que não tenho pressa, que não tenho vontade, porque sou eu quem escolhe o meu caminho e se eu enfiar a porra do carro no muro não tem problema não, eu tenho seguro então não adianta vir com a sua velocidade falsa porque eu realmente a desprezo. Sempre aviso que sou inflamada, que troco água por gasolina e estou pronta pra queimar e ninguém acredita, todo mundo finge que vai a cem e está a quarenta, ninguém quer viver nada de verdade, todos querem estradas assépticas, sem curvas, com paisagens bucólicas e hey jude no rádio e eu prefiro as minhas cheias de sangue e verdade. Se ninguém quer correr comigo eu também adoro correr sozinha. Podem me chamar de exagerada,afoita, eu não sei o que há com as pessoas que elas estão até o pescoço dessa letargia coletiva, e todos parecem mortos-vivos e querem emoções de mortos-vivos então não sou eu a maluca. Olhem bem para o retrovisor e vejam quem não está são. Continuo enfiando o pé no acelerador sem medo de me arrebentar; é exatamente quando dói que a gente tem certeza que está vivo.

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