domingo, 29 de abril de 2012
Sentimental
E lá se vão quatro anos. De juntar as minhas coisas e colar a cabeça na janela ônibus, murmurando a minha promessa secreta. Lá se vão quatro anos indo e voltando, essa coisa tão mal-resolvida que eu já não sei mais se é ódio ou é amor. Belo Horizonte me dói por dentro, essa Avenida Afonso Pena que me corta pelos pulmões, a Praça da Savassi que eu tenho atrás do coração. Não sei como é, se algum dia ela me perdoa por ter ido embora, se um dia eu a perdôo por tudo que ela fez comigo, mas seja como for, quatro anos se passaram e agora que já não estamos mais de mal ela me alfineta por dentro pra me mostrar que não querer ser só é possível porque um dia eu fui.
Letargia
Um cigarro, um gole de cerveja, um barzinho, um bom filme, uma boa piada, rodízio japonês, chocolate, consumismo, trabalho, prestígio, faxina, roupa nova, tratamento de dente, pornografia, maconha, papo-cabeça, engajamento político, boa literatura, novela, enriquecimento intelectual, enriquecimento ilícito, brigadeiro, vegetarianismo, chá branco, vitaminascaféestimulantecalmantecartãodecréditointernetpoesiaroletarussa... Nada tem graça. Nada faz passar o tédio.
Bonnie and Clyde, ou alguma coisa desse estilo
Talvez minha constância seja passar. Eu sempre sei que vou embora. Tantos lugares por onde já passei. E estou sempre pensando na próxima parada.
Quem sabe, você vai vir comigo. E nós dois, sempre tão solitários de jeitos tão diferentes, vamos juntos ir passando, passando, pra ver o que é que a vida tem para nos oferecer.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Preguicinha
Cinco horas da tarde. De-zes-se-te horas. Horário de Brasília. O dia está acabando e eu não fiz nadinha. Dezessete horas que escorreram das minha mãos. Eu sempre tive uma relação de amor e ódio com tempo, mas até aí quem não tem, né? Um dia inteirinho de nada. Nada de crescimento intelectual, prazer mundano, entretenimento aleatório, nada de nada e essa casa está uma bagunça, um horror. E eu nem ligo. Nem ligo pra nada. Eu tatuei uma ampulheta enfiada na minha costela, bem onde eu respiro, pra lembrar que o tempo passa, vai embora e eu tenho que fazer o que eu quero fazer.
É. Hoje eu fiz exatamente o que eu queria fazer. Nada.
É. Hoje eu fiz exatamente o que eu queria fazer. Nada.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Saudade é uma constante na minha vida. Primeiro, saudade de gente que eu amo que se foi pra sempre. Depois, saudade de gente que eu amo foi pra muito longe, por muito tempo. Saudade de gente que eu amo que eu tive que deixar pra trás. Saudade de gente que eu amo que me deu as costas. Saudade de gente que eu amo de quem tive que me despedir. Saudade, saudade o tempo todo, nunca estou na companhia de todo mundo que eu queria (de quem eu deveria!) estar por perto. Parece meu quebra-cabeças tem que estar sempre faltando alguma peça.
Mas essa saudade, essa saudade de agora é tipo corrosiva, é tipo doída, é tipo mas forte a cada dia o tempo todo, é tipo saudade de me roubar a sanidade.
Mas essa saudade, essa saudade de agora é tipo corrosiva, é tipo doída, é tipo mas forte a cada dia o tempo todo, é tipo saudade de me roubar a sanidade.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
De celebração
Eu quero essa neblina que turva meus pensamentos, quando você me toca. Eu quero a minha falta de ar quando você me dá um desses nossos beijos desesperados do tipo não-me-solta-agora-não-por-favor, e eu vou derretendo nos seus braços, eu juro. Eu quero as suas mãos no meu corpo inteiro daquele jeito que você faz, como se você estivesse fazendo um mapa na sua cabeça e eu quero aquela faísca que eu vejo nos seus olhos quando você consegue finalmente se livrar dos meus jeans e esses seus braços que puta que pariu, devem ter sido feitos para eu fincar minhas unhas neles. Quero ver quando você perde o controle, a paciência e me puxa pra perto desajeitado e afoito que eu consigo perceber suas mãos tremendo de vontade de ser meu e eu tremo de vontade de ser sua de volta. Eu quero ver o seu olhar de cumplicidade quando eu digo que –Meu bem, eu vou gritar-, porque deve ser pecado em alguma religião (ou crime em algum lugar) ficar calada diante dessas sensações que você me provoca. Eu quero você por dentro, à minha volta, na minha respiração, na minha saliva, na minha alma, me devorando, me matando, me fazendo sua (como se eu já não fosse).
Balão de hélio
Eu não vou deixar você me esquecer. Porque se eu fecho os olhos eu quase consigo sentir o seu cheiro, eu quase consigo te tocar, ouvir essa sua voz anasalada boba e o jeito que você arregala os olhos quando briga comigo de brincadeira e ver bem de perto esses olhos verde folha que estavam cheios d’água quando você teve que me deixar. Essa saudade está doendo tanto que eu mal consigo suportar, e como pode isso, eu que já tive que me despedir de tanta gente tão importante, que sempre soube ficar longe, que tenho uma inteligência emocional mais ou menos razoável quando se trata de distância. Eu quero você agora aqui anda logo, do meu lado, pra gente viver o nosso mundinho das nossas coisas, como é que você conseguiu, como é que você fez isso, me virou a cabeça e de repente eu estou entendendo todas as coisas mais piegas e as músicas tipo backstreet boys e essa vontade de ter ao meu lado a cada segundo que é como você falou, a felicidade só faz sentido quando ela é compartilhada, então, por isso tudo, eu não vou te deixar me esquecer, que se a gente se encontrou é porque de algum modo não é pra gente ficar longe. Não pode ser, quando é tão certo estar perto.
Inacreditável
Meu Fevereiro foi aquele, aquele mês que é o melhor do ano, mas também é o mais curto. Meu Fevereiro compartilhou da minha descrença, do meu sarcasmo, do meu ridículo. Passou por cima daqueles receios que todos os outros sempre têm em relação à mim e veio assim ser minha companhia sem se intimidar. Meu Fevereiro admirou as coisas certas, tocou na minha alma nos pontos chave, não teve medo de me dizer coisas sobre mim que eu nem queria que alguém soubesse, mas não me machucou. Ele me viu como alguém de verdade, tirou minha capa de plástico com aquele toque gentil. Meu Fevereiro entendeu o que eu não vou tolerar nunca mais, de ninguém, e tomou cuidado quando foi preciso, me deixou ser vulnerável quando eu precisei ser e soube que eu era forte o suficiente quando foi necessário. Meu Fevereiro me fez esquecer minha preocupação com fraqueza e me fez ser humana, carne e osso, sentimentos, sem medo de ser imperfeita. Meu Fevereiro me descobriu, me fez feliz, acho que nunca fui de ninguém como fui dele. Meu Fevereiro me fez mulher (mas eu devia saber que ia ser preciso um homem de verdade para me fazer mulher de verdade). Meu Fevereiro foi o mês do carnaval mais colorido e escapista e incrível. E como não poderia deixar de ser nesses casos, Março chegou e eu estou aqui sem saber o que fazer com esse saquinho de confetes que eu nunca, nunca, quero jogar fora.
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