Nos disseram que a receita para ser feliz
É amar e ser amada
É ser linda e perfumada
É ter alguém ao lado
Com carinho e dinheiro para oferecer
Uma família bem quista
Viagens a dois e carro zero
Bolsas de marca e horas de salão
É uma armadilha, meninas.
É mentira.
Eu acho que eu prefiro
Não me cuidar porque me falta o tempo
Já que acordo cada dia em uma parte da cidade
Eu acho que eu prefiro
Ir dormir cada noite em uma cama diferente
E ir em frente sem saber o que vai ser de mim
Eu acho que sou mais livre
Sem ter nada no meu nome
Sem ser amada talvez até
Eu acho que a receita pra ser feliz
É andar sem correntes
É ser por inteiro
E conseguir tudo o que quer
Que é só seu
Não diz respeito
A mais ninguém
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
É o bicho, é o bicho
Calejadas e fraquinhas,
Raquíticas e meiguinhas
Aleijadas e burrinhas.
E com uma força descomunal por dentro.
Raquíticas e meiguinhas
Aleijadas e burrinhas.
E com uma força descomunal por dentro.
Nua
Oi, Espelho. Há
quanto tempo não nos falamos. Tantas vezes eu fugi de você por falta de tempo
ou de coragem de olhar com força pra você. Quantas vezes só o encarei pelo
tempo suficiente para não enxergar de verdade a parte que não corresponde ao
que eu sempre quis ver; a parte ossuda, olhuda, peluda, esbugalhada, torta,
assimétrica e pouco glamorosa.
Mas agora eu não
quero fugir; eu quero olhar porque não quero mais ter vergonha de ser ou querer
nada. Quantas fôrmas eu fiz pra mim, em quantos modelos eu tentei me encaixar.
E quanta gente mentiu pra mim ao dizer que eu precisava ser uma vencedora pra me
redimir de pecados que não eram meus. E enfim hoje sabendo que tive muita sorte
e tem gente que leva pior do que eu percebo que pra me validar me esforcei
tanto que valia morrer para que eu tivesse valor.
Mas não vale. Porque
eu nunca vou ter.
É tão óbvio perceber
que não importa o que eu faça, nunca vai ser o suficiente. Não vai ser o
suficiente para os outros. Não vai ser suficiente para mim. E esse desejo é tão
poderoso quanto suicida. Mas eu consigo ir me livrando dele agora.
Eu aceitei tantas amarras
e fui me amarrando também, me amarrando nas minhas idéias, nas minhas
projeções, nas minhas certezas, me amordaçando, me prendendo, me sufocando.
Engraçado que eu passei tanto tempo achando que ser livre era correr, era ser
selvagem, era poder fazer o que quiser.
E nem percebi. Que o
meu verdadeiro carrasco, que o verdadeiro vigia, estava por dentro. Que eu
sempre fui prisioneira de mim mesma.
Mas não acho que
isso seja nada extraordinário ou incomum.
Só que agora eu
estou, bem devagar, cortando as minhas amarras e cuidando das feridas que elas
provocaram. E agora, Espelho, você não me machuca mais. Eu não tenho mais medo
da minha história. Não tenho mais medo das minhas falhas. Não tenho mais medo
daquilo que eu nunca vou chegar a ser.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Oração pelas meninas
Que nós não sejamos donas dos nossos corpos
Que nós não sejamos donas da nossa voz
Que sejamos eternamente portadoras do pecado original
Que nunca nos falte quem no diga o que podemos fazer
Deus nos perdoe
Por nossa ousada existência
Por nossa indolente desobediência
Por nossas vidas enfim
Vidas essas que cabem em caixinhas
Que sejamos capazes de esquecer dos nossos desejos
Das nossas vontades
E que saibamos muito bem do nosso lugar
E do be-a-bá que nos entra pelo cu
Que nasçamos e cresçamos lindas
Com quadris largos para o bom parir
E ouvidos surdos para o aleijado ouvir
E que se por acidente colocarmos mais uma de nós no mundo
Que ela ande calada
Que aceite ser castrada
Que não reclame quando tiver a alma estuprada
Diversas vezes pela vida
Que seja dócil ao toque
E fiel ao verdadeiro amor
Que seja então menina moça mulher e velha
Sem levantar a voz nenhuma vez
Para que possa garantir que, quem sabe
Consiga morrer de morte morrida
Serpenteando, escorregadia
De lá pra cá
Para fugir do perigo
De ser quem é
Nunca santa o suficiente
Jamais puta o bastante
Se burra demais já não tem valor
Mas que também não se atreva ser opinante
E se sorte ela tiver
Vai conseguir morrer
Pra finalmente alcançar a nossa verdadeira vocação
Ser vasilhame oco onde cabe feto, terra, inseto
Que dá pra tirar os órgãos e enfiar algodão
Que afinal é todo esse o nosso propósito
Que nos enfiem alguma coisa que preste
E assim preenchida de algodão e formol
Ela vai ser lembrada como alguém que foi amada
Talvez até respeitada
Quiçá admirada
Que consigamos cumprir
Uma vida decente sem que ninguém descubra
As falhas e os ímpetos por dentro
Que são sentença de morte
Em qualquer parte em nos encontremos
E assim, nosso senhor, nos guie
Desde o momento em que nascemos
Deus, tem piedade de nós.
Que nós não sejamos donas da nossa voz
Que sejamos eternamente portadoras do pecado original
Que nunca nos falte quem no diga o que podemos fazer
Deus nos perdoe
Por nossa ousada existência
Por nossa indolente desobediência
Por nossas vidas enfim
Vidas essas que cabem em caixinhas
Que sejamos capazes de esquecer dos nossos desejos
Das nossas vontades
E que saibamos muito bem do nosso lugar
E do be-a-bá que nos entra pelo cu
Que nasçamos e cresçamos lindas
Com quadris largos para o bom parir
E ouvidos surdos para o aleijado ouvir
E que se por acidente colocarmos mais uma de nós no mundo
Que ela ande calada
Que aceite ser castrada
Que não reclame quando tiver a alma estuprada
Diversas vezes pela vida
Que seja dócil ao toque
E fiel ao verdadeiro amor
Que seja então menina moça mulher e velha
Sem levantar a voz nenhuma vez
Para que possa garantir que, quem sabe
Consiga morrer de morte morrida
Serpenteando, escorregadia
De lá pra cá
Para fugir do perigo
De ser quem é
Nunca santa o suficiente
Jamais puta o bastante
Se burra demais já não tem valor
Mas que também não se atreva ser opinante
E se sorte ela tiver
Vai conseguir morrer
Pra finalmente alcançar a nossa verdadeira vocação
Ser vasilhame oco onde cabe feto, terra, inseto
Que dá pra tirar os órgãos e enfiar algodão
Que afinal é todo esse o nosso propósito
Que nos enfiem alguma coisa que preste
E assim preenchida de algodão e formol
Ela vai ser lembrada como alguém que foi amada
Talvez até respeitada
Quiçá admirada
Que consigamos cumprir
Uma vida decente sem que ninguém descubra
As falhas e os ímpetos por dentro
Que são sentença de morte
Em qualquer parte em nos encontremos
E assim, nosso senhor, nos guie
Desde o momento em que nascemos
Deus, tem piedade de nós.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Falando sério
Vamos logo com a tortura
Que doer faz bem
Melhor que ser cega, surda e muda
Vamos logo com o auto-flagelo
Que dá pra morrer de paixão
Por estar tão vulnerável
Não demora com a ruminação desnecessária
Que dá pra viver de passado
Dá pra viver de presente
Só não dá pra viver de futuro
Que eu já sei que é armadilha
Então vamos logo despertando fantasma
Que dor antiga, velha e requentada
É melhor que dor nenhuma
Que doer faz bem
Melhor que ser cega, surda e muda
Vamos logo com o auto-flagelo
Que dá pra morrer de paixão
Por estar tão vulnerável
Não demora com a ruminação desnecessária
Que dá pra viver de passado
Dá pra viver de presente
Só não dá pra viver de futuro
Que eu já sei que é armadilha
Então vamos logo despertando fantasma
Que dor antiga, velha e requentada
É melhor que dor nenhuma
Para um bom monstro devorador
Devorar basta
Revertendo pra dentro, mandíbulas trincando.
Basta talvez até uma boa fuga
De ir cuspindo para não mastigar
Qualquer coisa que já não mais sirva.
De que adianta ser tanta raiva e desejo
Se a incompreensão é a mesma de antes
De que adianta tanta gente
Se só dá pra querer triturar
Com os olhos, pés e dentes
Fugir não é problema
Sair cuspindo fogo
Na fuça de todo mundo
Dando coice em história
Que conta pouca coisa
E de nada serve
Como uma cobra peçonhenta
É talvez hora de trocar de pele
Sair larva gosmenta, asquerosa
Serpenteando para outros ares
Presas em riste
Para um bom monstro devorador
Nada mais natural
Que devorar o que atrapalha
Devorar basta
Revertendo pra dentro, mandíbulas trincando.
Basta talvez até uma boa fuga
De ir cuspindo para não mastigar
Qualquer coisa que já não mais sirva.
De que adianta ser tanta raiva e desejo
Se a incompreensão é a mesma de antes
De que adianta tanta gente
Se só dá pra querer triturar
Com os olhos, pés e dentes
Fugir não é problema
Sair cuspindo fogo
Na fuça de todo mundo
Dando coice em história
Que conta pouca coisa
E de nada serve
Como uma cobra peçonhenta
É talvez hora de trocar de pele
Sair larva gosmenta, asquerosa
Serpenteando para outros ares
Presas em riste
Para um bom monstro devorador
Nada mais natural
Que devorar o que atrapalha
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Analogia Fácil
Estou aqui, no meu barquinho de papel porque aqui me colocaram e me disseram pra seguir viagem.
Na minha pocinha d'água escura e traiçoeira.
(Um, dois, três barquinhos à esmo)
Vou remando depressa porque o barquinho vai se desmanchando e eu nem sei se vou chegar a algum lugar.
Minha pocinha d'água, sempre noite, não enxergo nada.
De vez em quando dá pra vomitar luz e iluminar um caminho.
Mas meu barquinho de papel não tem leme, não nem bússula, não tem motor. Já se perdeu outra vez.
Quando eu chegar em Terra Firme
(-Me contaram.
- Quem?
- É o que dizem)
Vou secar o meu barquinho
E vou abri-lo na areia
E ele vai me mostrar o mapa inteiro
Da minha pocinha d'água e muito além.
Na minha pocinha d'água escura e traiçoeira.
(Um, dois, três barquinhos à esmo)
Vou remando depressa porque o barquinho vai se desmanchando e eu nem sei se vou chegar a algum lugar.
Minha pocinha d'água, sempre noite, não enxergo nada.
De vez em quando dá pra vomitar luz e iluminar um caminho.
Mas meu barquinho de papel não tem leme, não nem bússula, não tem motor. Já se perdeu outra vez.
Quando eu chegar em Terra Firme
(-Me contaram.
- Quem?
- É o que dizem)
Vou secar o meu barquinho
E vou abri-lo na areia
E ele vai me mostrar o mapa inteiro
Da minha pocinha d'água e muito além.
Bobinhos
O mundo vem de dentro-vem de fora se confunde inteiro se vomita de dentro pra fora-de fora pra dentro se cristaliza se espelha se molda se enfeita se enfeia se constrói se existe - só pra nos enganar.
E tem gente que cai. Muita gente.
E tem gente que cai. Muita gente.
Não acredito em nada
Nem no fim nem no começo
Não acredito em nada
Nem na Terra, nem nas estrelas
Não acredito em nada
Nem no dia, nem na escuridão
...
Não acredito em nada
Nem no Diabo e nem em Deus
Não acredito em nada
Nem na paz e nem na guerra
Não acredito em nada
Além da verdade de quem somos
Não acredito em nada.
Não acredito em Deus;
Não acredito na ciência.
Não acredito no meu poder de raciocínio
Nem no meu poder de compaixão
Não acredito na evolução
Não acredito na revolução
Não acredito na matemática
Não acredito na história
Não confio na minha visão
Não acredito em nada que me disseram.
Não sou, nem quero ser nada.
Só acredito naquilo
Que eu sinto e preciso dizer
Só nas minhas mentiras consistentes
Na minha filosofia de existência fugaz
A guerra é uma condição
E é preciso perceber
Nada vai mudar
Só porque agora eu existo
Não acredito em dicotomias
Não acredito em oposições
Não acredito no concreto
Não acredito no abstrato
Só acredito que eu existo
Que eu existo por enquanto
Isso sim é verdade.
O resto é o resto.
É pra quem se percebe
Maior do que é
Nem no fim nem no começo
Não acredito em nada
Nem na Terra, nem nas estrelas
Não acredito em nada
Nem no dia, nem na escuridão
...
Não acredito em nada
Nem no Diabo e nem em Deus
Não acredito em nada
Nem na paz e nem na guerra
Não acredito em nada
Além da verdade de quem somos
Não acredito em nada.
Não acredito em Deus;
Não acredito na ciência.
Não acredito no meu poder de raciocínio
Nem no meu poder de compaixão
Não acredito na evolução
Não acredito na revolução
Não acredito na matemática
Não acredito na história
Não confio na minha visão
Não acredito em nada que me disseram.
Não sou, nem quero ser nada.
Só acredito naquilo
Que eu sinto e preciso dizer
Só nas minhas mentiras consistentes
Na minha filosofia de existência fugaz
A guerra é uma condição
E é preciso perceber
Nada vai mudar
Só porque agora eu existo
Não acredito em dicotomias
Não acredito em oposições
Não acredito no concreto
Não acredito no abstrato
Só acredito que eu existo
Que eu existo por enquanto
Isso sim é verdade.
O resto é o resto.
É pra quem se percebe
Maior do que é
domingo, 19 de agosto de 2012
Do alto da minha torre
Ah, o abismo... O vazio que se desdobra em mil, essa dor que incinera.
Existir é ser um farol. É ter uma luz eternamente condenada a dar voltas em torno do próprio eixo, tentando encontrar um caminho no breu.
Sem possibilidade de se mover ou se transformar.
A existência é uma noite fechada e sem fim.
Existir é ser um farol. É ter uma luz eternamente condenada a dar voltas em torno do próprio eixo, tentando encontrar um caminho no breu.
Sem possibilidade de se mover ou se transformar.
A existência é uma noite fechada e sem fim.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Como uma boa romântica a moda antiga, eu gosto mesmo é das grandes cenas, dos frios na barriga que chegam a doer, das brigas na chuva, da catástofre sentimental que é se entregar a alguém por um motivo que não faz sentido, não é palpável, não é rentável, não é reembolsável.
Não sou a mais indicada para relações tipo boneco de cera.
Não sou a mais indicada para relações tipo boneco de cera.
sábado, 28 de julho de 2012
Tantos, tantos caquinhos. Em todos os lugares, daqui pra frente, um pedacinho que você deixou pra trás. Tantos caquinhos de um universo branco, a tal da milky way, que agora são meus.
O que eu espero e o que eu quero, o que eu fantasio e o que é real, tudo isso se mistura, me espeta por dentro, se emaranha.
Acho que (segredo nosso)
(Coisa boba)
(Nem tem importância)
(Melhor deixar pra lá)
(Vê se não conta pra ninguém)
Preciso de você.
O que eu espero e o que eu quero, o que eu fantasio e o que é real, tudo isso se mistura, me espeta por dentro, se emaranha.
Acho que (segredo nosso)
(Coisa boba)
(Nem tem importância)
(Melhor deixar pra lá)
(Vê se não conta pra ninguém)
Preciso de você.
Melancolia
Ah, pois é. Eu não consigo acreditar que não exista vazio no universo movimentado de cada um. Por dentro de quem possa parecer mais ingênuo, mais simples, mais chapado, mas frívolo, existe um abismo. Um nada. Vir de coisa nenhuma, pra ir pra coisa nenhuma.
Viver é triste. É terrível. É solitário. É opressor.
Perguntas demais para respostas de menos. E essa sensação de abandono que já está incutida na espécie.
É árido fazer uma travessia por um caminho que não conhecemos.
Não adianta fingir que não.
***
Daí eu resolvi tentar tapar o meu buraco com as minhas próprias maluquices, que ninguém é de ferro.
Daí essa minha vontade louca de ser diferente.
Supera qualquer coisa.
Ser diferente de tudo. Viver diferente, respirar diferente, doer diferente, morrer diferente, amar diferente.
Chegar a ser alguém. É uma ilusão tosca, uma tentativa pífia, desesperada de encontrar sentido na minha existência. Como qualquer outra, de qualquer um.
Não dá pra ser diferente, porque o vazio, o vazio lá no fundo, aquele que nunca pára de doer, é comum a todos nós.
Viver é triste. É terrível. É solitário. É opressor.
Perguntas demais para respostas de menos. E essa sensação de abandono que já está incutida na espécie.
É árido fazer uma travessia por um caminho que não conhecemos.
Não adianta fingir que não.
***
Daí eu resolvi tentar tapar o meu buraco com as minhas próprias maluquices, que ninguém é de ferro.
Daí essa minha vontade louca de ser diferente.
Supera qualquer coisa.
Ser diferente de tudo. Viver diferente, respirar diferente, doer diferente, morrer diferente, amar diferente.
Chegar a ser alguém. É uma ilusão tosca, uma tentativa pífia, desesperada de encontrar sentido na minha existência. Como qualquer outra, de qualquer um.
Não dá pra ser diferente, porque o vazio, o vazio lá no fundo, aquele que nunca pára de doer, é comum a todos nós.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Pra resumir
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
domingo, 1 de julho de 2012
Leviana
Cabecinha confusa
Coração ansioso
É complicado demais, às vezes
Querer tudo ao mesmo tempo
É doído escolher
Não quero
Queria nunca mais escolher
Nunca mais ter sim e não
E ter tudo
As minhas milhares de vidas
Os meus milhares de desejos
É difícil deixar pra trás
Acho que nunca consegui
Viver de passado
Viver de futuro
Para o presente, nunca dei muita atenção
(Mas e o carpe diem??)
Querer demais, me deixa exausta
Confusa e incerta
Será que era mesmo pra ser assim?
Nunca sei de nada.
Nunca sei o que eu quero de verdade.
Coração ansioso
É complicado demais, às vezes
Querer tudo ao mesmo tempo
É doído escolher
Não quero
Queria nunca mais escolher
Nunca mais ter sim e não
E ter tudo
As minhas milhares de vidas
Os meus milhares de desejos
É difícil deixar pra trás
Acho que nunca consegui
Viver de passado
Viver de futuro
Para o presente, nunca dei muita atenção
(Mas e o carpe diem??)
Querer demais, me deixa exausta
Confusa e incerta
Será que era mesmo pra ser assim?
Nunca sei de nada.
Nunca sei o que eu quero de verdade.
domingo, 10 de junho de 2012
E com pólvora na ampulheta
Você diz que me quer. Tem certeza? Tem certeza de que sabe aonde está se metendo? Eu faço parte de um segmento de mulher movida à paixões. Paixão por qualquer coisa, pelas pessoas, pelas situações, pela vida. A gente se apaixona pela música que está tocando, pelo cheiro de cigarro no moletom que alguém deixou pra trás, pela taça de espumante que a gente está bebendo. Com a gente não tem meio termo, é pra pisar fundo, é pra viver de verdade, é pra ser triste com força, é pra gritar com força, é pra ser feliz com muita, muita, muita força.
(Mesmo que dê aquela culpinha no dia seguinte)
Fera
Talvez você já tenha percebido, mas eu me apaixono com o corpo inteiro. Me apaixono nas pontas dos dedos, no meu suor, na minha saliva, você vai sentir na minha voz, na ponta minha língua, na pele. Não tem nada que eu possa te dizer, fazer, escrever, que vai ser mais preciso que o que está impregnado no meu hálito. Que como já sou puro instinto nada mais natural do que ser bem primitiva e falar com o corpo, nada mais autêntico, mais forte do que todas as minhas células se esforçando e trabalhando em favor do que você me provoca, sem pensar em nada, sem ser nada além de sensação e sentimento, por inteiro.
domingo, 3 de junho de 2012
Eu fui tão longe, me feri, me expus, queria saber, até onde dava, o que eu aguentava, o quanto me virar do avesso me faria me sentir melhor e o quanto ia me fazer mais sozinha. Doeu, dói ainda, o quanto eu me coloquei em risco, só pra me desafiar. Não, não foi só por isso, mais foi principalmente por isso. Ferida na carne, lá dentro, foi pra arrebentar, pra doer no outro dia, pra me fazer sangrar até hoje, foi assim porque eu queria, porque eu precisava que fosse assim. Mas não me preencheu, não sei. Não me arrependo, não fiz errado, fiz o que tinha que fazer. Eu necessitava me espetar em rocas de bruxa por aí, tanto, mais do que qualquer coisa, eu fiz, do jeito mais avulso e gratuito e baixo que eu conseguia, dos meus limites.
Acabou.
Agora passemos para a próxima ilusão da fila.
Miss Eu mesma
Eu acho bom eu ir parando com essas maluquices e ir dormir de uma vez, que quanto mais eu penso, menos eu chego a algum lugar.
E que tal o ano novo tem te tratado?
É, né, que tal? Sei não.
Parece às vezes que tem passado demais, planos de menos.
Parece às vezes que tem mais confusão do que qualque outra coisa.
A bagunça de fora que se mistura com a de dentro.
Sei não.
Tem me tratado de um jeito meio estranho, ta passando longe e de vez em quando aparece pra me entregar umas encomendas que eu não quero, não deveria querer, e que chegam atrasadas demais.
As novas que é bom, nada.
Parece às vezes que tem passado demais, planos de menos.
Parece às vezes que tem mais confusão do que qualque outra coisa.
A bagunça de fora que se mistura com a de dentro.
Sei não.
Tem me tratado de um jeito meio estranho, ta passando longe e de vez em quando aparece pra me entregar umas encomendas que eu não quero, não deveria querer, e que chegam atrasadas demais.
As novas que é bom, nada.
sábado, 2 de junho de 2012
Declaração (à moda da casa)
Eu quero ter muitos outros dias como os que já tivemos. Acho que é por isso que eu decidi ir contra tudo o que parecia sensato pra ficar com você. Você está aí, dormindo na sua cama, a sei lá quantos quilômetros de mim (muitos) e às vezes é tão difícil, é tão árido, é tão complicado te ter pela metade (ainda mais quando já tive por inteiro). Passei tanto tempo querendo encontrar assim, uma pessoa inteira, eu nem sei explicar direito, essa cumplicidade que me faz sentir que com você eu posso ser livre e entregue ao mesmo tempo, tem tanto sentido ficar ao seu lado, é tão natural, é tão óbvio, é simples e totalmente egoísta e epifânico como pegar aquela estrada naquele domingo. É a maneira como você me respeita, respeita o que eu penso, o que eu sinto, o que eu quero, que me faz me sentir tão à vontade em ser do jeito que eu sou, nos mínimos detalhes. Depois disso, te ter em migalhas é horrível, é doloroso, mas pior; me faz dormente, me faz esquecer, faz as memórias ficarem mais fracas, faz tudo às vezes parecer repetição, parecer pouco. Eu já estou cansada de ouvir de todo mundo dizer que estou cometendo um erro, estou cansada de sentir que as pessoas estão torcendo para eu desistir. Não estou tentando provar que estou certa, não estou tentando provar nada, nem sei aonde vou chegar. É que quando eu lembro do que aconteceu, lembro de você dirigindo naquele frio de bater queixo com um cigarro na boca e olhos brilhando com o sol que estava nascendo, eu não tenho escolha. Eu quero mais dias assim, muitos mais, o quanto for possível, mesmo que para isso eu precise ter muitos dias sem graça, chatos, dos dos quais eu provavelmente nem vou lembrar.
(Aliás, não foi exatamente isso o que você disse?)
domingo, 20 de maio de 2012
carta para Ela
Olha só, quando você ler isso tenta me perdoar. Eu sei que você não vai gostar, não vai entender, mas eu preciso te dizer que vou te deixar. Acho que já te deixei, já faz uns meses mesmo e eu só não tive coragem de contar. É que eu sei que você confia muito em mim, eu sei que você põe todas as suas esperanças em mim. Mas tente entender, que já se vão seis anos medindo cada passo por você e agora, não dá mais.
Não tome isso como ofensa. Eu sou grata a você. Sem você, eu jamais teria conquistado tudo aquilo de que eu tenho orgulho hoje. Eu admito que muito do que você sonhou pra mim me é muito útil. Só que você é jovem demais, não sabe de quase nada e tem coisas que você é incapaz de prever e entender. Eu fiz tudo do jeito que você queria. Eu deixei de dizer muita coisa por sua causa. Mas o que você quis pra mim foi baseado em imaginação, em masturbação mental, em tantas coisas, menos em vida. E agora eu vivi.
Tem tanto ainda para experimentar. A vida que você criou pra mim, ela foi incrível, mas ela só existe até certo ponto. Agora ela me limita. Ela está me podando. Eu sei que é terrível pra você saber disso, eu me sinto uma traidora ao escrever. Mas é a verdade. Então eu vou te deixar. Eu espero que você entenda que não quero que você se sinta só. Eu não estou te abandonando ao relento. Eu já voltei pra te dizer tudo aquilo que você precisava ouvir. Mas agora eu estou tirando esse peso amarrado nos meus pés para ser mais leve e ir adiante. Eu já não posso mais me preocupar se você vai ter ou não orgulho de mim (mas eu gostaria que tivesse ainda assim). Eu passei tempo demais tentando descobrir quem eu era. Não me arrependo disso.
Mas agora me parece mais urgente descobrir o que é que me faz feliz.
Do que é impositivo e intransigente. Você impõe sua maneira de pensar, de amar, de agir.
Eu já nem sei mais o que é que me incomoda, se é o fato de que você não vai ler isso, ou que você nem percebe o quanto eu estou longe e você ainda age como se eu estivesse por perto.
Não dá pra acreditar no quanto eu ando achando que você está (é?) diferente de mim.
Eu já nem sei mais o que é que me incomoda, se é o fato de que você não vai ler isso, ou que você nem percebe o quanto eu estou longe e você ainda age como se eu estivesse por perto.
Não dá pra acreditar no quanto eu ando achando que você está (é?) diferente de mim.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Eu encontrei meu marinheiro. Ele tem os cabelos escuros e os olhos verdes e aquela expressão cansada de quem já viu muito e viveu pouco. Ele entrou na minha vida à galope, arrombando cadeados, chutando portas, sem tempo para explicações. Sem tempo para as minhas habituais dúvidas cruéis do –estamos indo rápido demais- ou –estou tomando a atitude certa-. Não dava mais para sentir os mesmos medos, repetir as mesmas ladainhas, quando a coisa é tipo um dilúvio que te invade e te diz –Não temos tempo pra frescura dessa vez, hein. Ta aqui na sua frente, se você quer vem pegar. O meu marinheiro é, claro, tudo que eu esperava dele, mas eu já não penso mais nisso. Por que idealizá-lo, se ele não é uma fantasia, não é um boneco, não é um personagem. É alguém de carne e osso que vai me decepcionar em algum momento, mas eu não quero mais nada que não seja bem verdadeiro. Eu encontrei o meu marinheiro e eu o quero por perto exatamente pelo que ele é.
Há mais ou menos um ano atrás eu estava aqui, nessa cama, aos prantos, desesperada tentando entender por que você não me queria. Estava exausta, tinha passado a madrugada num ônibus do paraná até São Paulo, carregado minha mala por algumas viagens de metrô, atarefada o dia todo e ainda no fim de tudo não consegui pagar uma conta importante porque não deu tempo. Parecia que era um inferno astral constante e todas as pequenas tragédias do meu dia-a-dia me faziam me lembrar da dor da rejeição. Você não me queria, você não estava por perto, eu era uma pessoa indesejável, uma mulher que não poderia ser amada, como eu poderia pensar em viver dali pra frente sem você, com as suas alfinetadas estúpidas, com as suas críticas infinitas. Parece que o mundo deu bem mais do que trezentas e tantas voltas ao redor de si mesmo desde então. Tive tanta gente entrando e saindo da minha vida, gente que só passou, gente que ficou por um tempo, que esteve disposta a me devolver a auto-estima que você roubou de mim, gente que me fez feliz, desejada, louca de raiva, tantas coisas aconteceram que eu mal poderia sonhar em viver, pra eu refazer tudo aquilo no que eu acreditava, me permitir ser alguém diferente, me permitir procurar o que (e quem) me faça feliz. E daí dia desses, fui te encontrar por um acaso do destino, ouvir essas suas piadas insossas, e não senti nem mágoa, nem raiva, nem ansiedade, nem nada e é tão simples como sua presença não me provoca reação alguma, eu fico pasma de perceber como aquela paixão que me virou de cabeça pra baixo pôde se tornar absolutamente nada. Talvez porque aquela menina que se apaixonou por você não existe mais. E você não faz o tipo da que eu sou agora.
domingo, 29 de abril de 2012
Sentimental
E lá se vão quatro anos. De juntar as minhas coisas e colar a cabeça na janela ônibus, murmurando a minha promessa secreta. Lá se vão quatro anos indo e voltando, essa coisa tão mal-resolvida que eu já não sei mais se é ódio ou é amor. Belo Horizonte me dói por dentro, essa Avenida Afonso Pena que me corta pelos pulmões, a Praça da Savassi que eu tenho atrás do coração. Não sei como é, se algum dia ela me perdoa por ter ido embora, se um dia eu a perdôo por tudo que ela fez comigo, mas seja como for, quatro anos se passaram e agora que já não estamos mais de mal ela me alfineta por dentro pra me mostrar que não querer ser só é possível porque um dia eu fui.
Letargia
Um cigarro, um gole de cerveja, um barzinho, um bom filme, uma boa piada, rodízio japonês, chocolate, consumismo, trabalho, prestígio, faxina, roupa nova, tratamento de dente, pornografia, maconha, papo-cabeça, engajamento político, boa literatura, novela, enriquecimento intelectual, enriquecimento ilícito, brigadeiro, vegetarianismo, chá branco, vitaminascaféestimulantecalmantecartãodecréditointernetpoesiaroletarussa... Nada tem graça. Nada faz passar o tédio.
Bonnie and Clyde, ou alguma coisa desse estilo
Talvez minha constância seja passar. Eu sempre sei que vou embora. Tantos lugares por onde já passei. E estou sempre pensando na próxima parada.
Quem sabe, você vai vir comigo. E nós dois, sempre tão solitários de jeitos tão diferentes, vamos juntos ir passando, passando, pra ver o que é que a vida tem para nos oferecer.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Preguicinha
Cinco horas da tarde. De-zes-se-te horas. Horário de Brasília. O dia está acabando e eu não fiz nadinha. Dezessete horas que escorreram das minha mãos. Eu sempre tive uma relação de amor e ódio com tempo, mas até aí quem não tem, né? Um dia inteirinho de nada. Nada de crescimento intelectual, prazer mundano, entretenimento aleatório, nada de nada e essa casa está uma bagunça, um horror. E eu nem ligo. Nem ligo pra nada. Eu tatuei uma ampulheta enfiada na minha costela, bem onde eu respiro, pra lembrar que o tempo passa, vai embora e eu tenho que fazer o que eu quero fazer.
É. Hoje eu fiz exatamente o que eu queria fazer. Nada.
É. Hoje eu fiz exatamente o que eu queria fazer. Nada.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Saudade é uma constante na minha vida. Primeiro, saudade de gente que eu amo que se foi pra sempre. Depois, saudade de gente que eu amo foi pra muito longe, por muito tempo. Saudade de gente que eu amo que eu tive que deixar pra trás. Saudade de gente que eu amo que me deu as costas. Saudade de gente que eu amo de quem tive que me despedir. Saudade, saudade o tempo todo, nunca estou na companhia de todo mundo que eu queria (de quem eu deveria!) estar por perto. Parece meu quebra-cabeças tem que estar sempre faltando alguma peça.
Mas essa saudade, essa saudade de agora é tipo corrosiva, é tipo doída, é tipo mas forte a cada dia o tempo todo, é tipo saudade de me roubar a sanidade.
Mas essa saudade, essa saudade de agora é tipo corrosiva, é tipo doída, é tipo mas forte a cada dia o tempo todo, é tipo saudade de me roubar a sanidade.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
De celebração
Eu quero essa neblina que turva meus pensamentos, quando você me toca. Eu quero a minha falta de ar quando você me dá um desses nossos beijos desesperados do tipo não-me-solta-agora-não-por-favor, e eu vou derretendo nos seus braços, eu juro. Eu quero as suas mãos no meu corpo inteiro daquele jeito que você faz, como se você estivesse fazendo um mapa na sua cabeça e eu quero aquela faísca que eu vejo nos seus olhos quando você consegue finalmente se livrar dos meus jeans e esses seus braços que puta que pariu, devem ter sido feitos para eu fincar minhas unhas neles. Quero ver quando você perde o controle, a paciência e me puxa pra perto desajeitado e afoito que eu consigo perceber suas mãos tremendo de vontade de ser meu e eu tremo de vontade de ser sua de volta. Eu quero ver o seu olhar de cumplicidade quando eu digo que –Meu bem, eu vou gritar-, porque deve ser pecado em alguma religião (ou crime em algum lugar) ficar calada diante dessas sensações que você me provoca. Eu quero você por dentro, à minha volta, na minha respiração, na minha saliva, na minha alma, me devorando, me matando, me fazendo sua (como se eu já não fosse).
Balão de hélio
Eu não vou deixar você me esquecer. Porque se eu fecho os olhos eu quase consigo sentir o seu cheiro, eu quase consigo te tocar, ouvir essa sua voz anasalada boba e o jeito que você arregala os olhos quando briga comigo de brincadeira e ver bem de perto esses olhos verde folha que estavam cheios d’água quando você teve que me deixar. Essa saudade está doendo tanto que eu mal consigo suportar, e como pode isso, eu que já tive que me despedir de tanta gente tão importante, que sempre soube ficar longe, que tenho uma inteligência emocional mais ou menos razoável quando se trata de distância. Eu quero você agora aqui anda logo, do meu lado, pra gente viver o nosso mundinho das nossas coisas, como é que você conseguiu, como é que você fez isso, me virou a cabeça e de repente eu estou entendendo todas as coisas mais piegas e as músicas tipo backstreet boys e essa vontade de ter ao meu lado a cada segundo que é como você falou, a felicidade só faz sentido quando ela é compartilhada, então, por isso tudo, eu não vou te deixar me esquecer, que se a gente se encontrou é porque de algum modo não é pra gente ficar longe. Não pode ser, quando é tão certo estar perto.
Inacreditável
Meu Fevereiro foi aquele, aquele mês que é o melhor do ano, mas também é o mais curto. Meu Fevereiro compartilhou da minha descrença, do meu sarcasmo, do meu ridículo. Passou por cima daqueles receios que todos os outros sempre têm em relação à mim e veio assim ser minha companhia sem se intimidar. Meu Fevereiro admirou as coisas certas, tocou na minha alma nos pontos chave, não teve medo de me dizer coisas sobre mim que eu nem queria que alguém soubesse, mas não me machucou. Ele me viu como alguém de verdade, tirou minha capa de plástico com aquele toque gentil. Meu Fevereiro entendeu o que eu não vou tolerar nunca mais, de ninguém, e tomou cuidado quando foi preciso, me deixou ser vulnerável quando eu precisei ser e soube que eu era forte o suficiente quando foi necessário. Meu Fevereiro me fez esquecer minha preocupação com fraqueza e me fez ser humana, carne e osso, sentimentos, sem medo de ser imperfeita. Meu Fevereiro me descobriu, me fez feliz, acho que nunca fui de ninguém como fui dele. Meu Fevereiro me fez mulher (mas eu devia saber que ia ser preciso um homem de verdade para me fazer mulher de verdade). Meu Fevereiro foi o mês do carnaval mais colorido e escapista e incrível. E como não poderia deixar de ser nesses casos, Março chegou e eu estou aqui sem saber o que fazer com esse saquinho de confetes que eu nunca, nunca, quero jogar fora.
sábado, 3 de março de 2012
A gente precisa de tão pouco pra ser feliz - e eu sabia, mas me esqueci disso. Pra quê esse mundo de aparências, areia movediça, todos tremendo de insegurança e sentimentos que são de plástico, medo de ser de verdade, carne e osso.
E o quanto eu errei, ao achar que era livre, quando não podia nem mesmo me permitir sentir, ou fazer, ou dizer o que queria dizer.
Será que eu preciso de tudo isso mesmo, dessa vida de glamour decadente, essa vida -perfeita- ou eu estou apenas cumprindo um papel que eu inventei há muitos anos atrás e que talvez, talvez...
Mas de que adianta pensar nisso agora.
E o quanto eu errei, ao achar que era livre, quando não podia nem mesmo me permitir sentir, ou fazer, ou dizer o que queria dizer.
Será que eu preciso de tudo isso mesmo, dessa vida de glamour decadente, essa vida -perfeita- ou eu estou apenas cumprindo um papel que eu inventei há muitos anos atrás e que talvez, talvez...
Mas de que adianta pensar nisso agora.
Any-fucking-time you want
Vem fugir comigo, porque afinal nós não temos amarras. Vamos encher esse tanque de gasolina e o porta-luva de camels e chiclete de canela e vamos pegar a interestadual 94 e ir embora, sumir do mundo, como você sempre fez e como eu sempre me matei de desejo de fazer; que o mundo é como você disse (e meus olhos encheram d'água quando eu ouvi) a gente só precisa mesmo é de ar pra respirar. A idéia de te deixar me dilacera e a idéia de viver nesse castelo de faz-de-conta de novo me sufoca, que é como diz aquela música, não existe amor aonde eu vivo e eu juro que se você quiser a gente pega e some hoje mesmo que viver com algemas só faz sentido se for do tipo invisível que me faz querer não soltar da sua mão.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Constelação (Boreau)
Não é que eu acredite em destino, mas me parece meio enviesado que eu tenha atrevessado três continentes pra descobrir que tudo pode ser tão simples, e simples é bom. Me parece meio maluquice que eu tenha atravessado três continentes para te encontrar, assim, nesse finzinho de mundo, onde só tem neve e petróleo, onde tudo é preto e branco, e existam uns quatro continentes, quatro hemisférios entre nós e quanta gente, quantas pessoas passaram pela minha vida. Pessoas fenomenais, pessoas interessantes, pessoas cheias de histórias, cheias de vida, cheias de faíscas, mas foi em você que eu encontrei alguém que me quer pelo que eu sou; exatamente pelo que eu sou. E eu sei que você sabe que eu não preciso de você; não preciso. E você não precisa de mim. Mas eu te quero, te quero exatamente pelo que você é e é assim que a coisa toda fica mágica, porque não é que eu acredite em destino, mas nós dois que já estivemos em tantos outros lugares do mundo nesse exato momento estamos aqui e parece que tudo foi escrito para eu te encontrar, aqui, agora e querer você e você me querer de volta. Simples assim.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Com sua licença poética, seu Vinícius...
Vem me buscar em casa com um chrysler, me leva para um pub, pra gente tomar uma vodka cranberry a aí quando tiver tocando Aerosmith na jukebox eu tomo logo uns três goles e quando já estou meio tipsy você me leva pra casa como um bom cavalheiro sem beijo na bochecha sem nada pra na noite seguinte me levar num drive-in e a gente assiste Gone With The Wind fumando um bom malrboro e tomando uma cherry coke, e quando Scarlett O'Hara estiver esganiçando que nunca passará fome de novo, você me dá um french kiss e diz que está tarde e precisamos ir. Só lá pelo terceiro date seus dedos alcançam a braguilha dos meus jeans e você fica todo envergonhado quando eu murmuro qualquer coisa na minha língua-mãe, mas me sussurra que eu posso continuar, que é bom. Acordamos e você me faz waffles e scrambled eggs, bebo dois copos de sunny D e te levo pra cama de novo, que uma coisa que eu sei vindo de onde venho é que o dia lá fora às vezes pode esperar.
Universo Paralelo
Então me deixa despejar todas as minhas histórias no seu colo, deixa que eu conto minha vida inteira em uma noite só, porque que diferença faz, fica sabendo dos meus segredos, das minhas fraquezas, dos meus desejos e eu não vou esconder mais nada, nem fingir mais nada, porque que diferença faz, que diferença faz se eu sei que esses dias estão contados e quando eu me for não vai restar nada, nada vai importar, então que diferença faz.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Ponto de Virada
Mudar é muito difícil e eu sei. Mas não dá mais pra fugir, não quando eu vi tanto, ouvi tanto, vivi tanto.
É agora que eu preciso me permitir ser outra pessoa.
Outra Ana.
É agora que eu preciso me permitir ser outra pessoa.
Outra Ana.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Piegas, porém sincero. Ou: Sincero, porém piegas.
Eu preciso dizer que sou grata. Não grata da maneira cristã, da maneira boa-moça-amo-todo-mundo, não é nada disso. Eu sou grata de verdade. Sou grata porque sei que tive muita sorte. Sorte de ter meios, caminhos, pessoas que me deram coragem de ser quem eu sou, fazer o que eu queria, mesmo que não fosse fácil, mesmo que não fosse óbvio.
Sou grata por ter ouvido e enxergado que haviam caminhos, mesmo quando estava perdida nos meus dramalhões adolescentes, sou grata porque tive a chance de realizar meus sonhos, sou grata por ter do meu lado pessoas que (eu não vou dizer me aturam, nem que são sensacionais, porque isso não é o suficiente para descrever) me inspiram e que me orgulham o tempo todo e eu me sinto absolutamente honrada por ter o amor de cada uma delas. Eu sou grata porque gosto de ser assim, do jeito que eu sou e que seja pretensão, mas ninguém deveria ter vergonha do que é e eu sou grata por já ter tido essa vergonha, sou grata por ter sido peixe fora d'água por tanto tempo, sou grata por ter conhecido na minha vida todos os tipos de pessoa - as boas e as ruins e sou grata por ter tentado me virar com todas elas, às vezes histérica, às vezes patética, mas eu juro que sou grata por cada momento, os bons e os ruins e os auges também. E acima de tudo eu sou grata porque eu tenho nas pontas dos dedos a ferramenta para expressar minha gratidão, meu ódio, minha vergonha, minha tristeza, minha solidão, meu tesão, seja que raios for e é quando eu escrevo sobre a minha vida que ela passa a fazer sentido.
Sou grata por ter ouvido e enxergado que haviam caminhos, mesmo quando estava perdida nos meus dramalhões adolescentes, sou grata porque tive a chance de realizar meus sonhos, sou grata por ter do meu lado pessoas que (eu não vou dizer me aturam, nem que são sensacionais, porque isso não é o suficiente para descrever) me inspiram e que me orgulham o tempo todo e eu me sinto absolutamente honrada por ter o amor de cada uma delas. Eu sou grata porque gosto de ser assim, do jeito que eu sou e que seja pretensão, mas ninguém deveria ter vergonha do que é e eu sou grata por já ter tido essa vergonha, sou grata por ter sido peixe fora d'água por tanto tempo, sou grata por ter conhecido na minha vida todos os tipos de pessoa - as boas e as ruins e sou grata por ter tentado me virar com todas elas, às vezes histérica, às vezes patética, mas eu juro que sou grata por cada momento, os bons e os ruins e os auges também. E acima de tudo eu sou grata porque eu tenho nas pontas dos dedos a ferramenta para expressar minha gratidão, meu ódio, minha vergonha, minha tristeza, minha solidão, meu tesão, seja que raios for e é quando eu escrevo sobre a minha vida que ela passa a fazer sentido.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
A gente muda quando está longe
Mas dessa vez, nem que seja pra eu me estabacar, que eu não cometa o mesmo erro de sempre, cair na mesma armadilha do meu orgulho, fugir querendo ficar, que eu de verdade não deixe o meu medo se apoderar de mim.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Depois de umas três garrafas
Eu estou descendo uma ladeira sozinha. Sou pequena, frágil, feiosa, sozinha e confusa. Meu mundo é um ciclo confuso de raiva, estrelas amarelas, promessas de nunca, nunca se entregar ao sistema malvado, ser igual aos outros, e eu só quero ser livre, livre, livre, livre, os cortes debaixo da calça ardem às vezes e eu sento na ladeira e imagino o mundo inteiro só chão. Só chão.
.
Eu estou trancada no banheiro do apartamento e você está esmurrando a porta dizendo que me quer, por que eu tenho que ser assim, sai daí vamos conversar você está me fazendo sofrer você está me assustando não faz mais assim, e você não entende que existe um abismo por dentro, que eu não consigo separar aquela de antes com a do espelho, que eu preciso sabotar tudo e fazer você ir pra longe de mim porque eu não mereço o afeto de ninguém, e quem você ama é uma fraude.
.
Eu estou sozinha numa rua que é só silêncio e não vejo folhas em nenhuma árvore. Não dá pra sentir as pontas dos dedos mais e tudo bem, tudo bem demais se eu já sei lidar com a minha solidão tão bem que me sinto só, e tudo bem, que eu pareço tanto ser que já sou, e tudo bem que vingança já não é mais exatamente meu plano de vida e tudo bem, tudo bem, tudo bem e se eu me arrebentar que mal tem e tudo bem que eu já tive mais do que todo mundo deve ter e tudo bem que tudo bem, porque eu já nem tenho mais as cicatrizes, porque eu tive muita sorte, e se estou na rota de uma catástrofe eu tenho certeza de que vou sobreviver e tudo o mais.
(Mas. E depois?)
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Eu estou trancada no banheiro do apartamento e você está esmurrando a porta dizendo que me quer, por que eu tenho que ser assim, sai daí vamos conversar você está me fazendo sofrer você está me assustando não faz mais assim, e você não entende que existe um abismo por dentro, que eu não consigo separar aquela de antes com a do espelho, que eu preciso sabotar tudo e fazer você ir pra longe de mim porque eu não mereço o afeto de ninguém, e quem você ama é uma fraude.
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Eu estou sozinha numa rua que é só silêncio e não vejo folhas em nenhuma árvore. Não dá pra sentir as pontas dos dedos mais e tudo bem, tudo bem demais se eu já sei lidar com a minha solidão tão bem que me sinto só, e tudo bem, que eu pareço tanto ser que já sou, e tudo bem que vingança já não é mais exatamente meu plano de vida e tudo bem, tudo bem, tudo bem e se eu me arrebentar que mal tem e tudo bem que eu já tive mais do que todo mundo deve ter e tudo bem que tudo bem, porque eu já nem tenho mais as cicatrizes, porque eu tive muita sorte, e se estou na rota de uma catástrofe eu tenho certeza de que vou sobreviver e tudo o mais.
(Mas. E depois?)
sábado, 21 de janeiro de 2012
Poeminha Sem-Vergonha
Numa tarde de terça-feira
Você escreve em mim inteira
Com o sol se espremendo pela fresta da cortina
E lá embaixo a cidade continua sua sinfonia de buzinas
Que afinal a preguiça é o pecado original
E ter que rezar uma ave-maria ou duas logo depois não é assim tão mal
Se no meu quadril você desenha um vampirinho
Ele pode ir sugando a tinta das minhas tatuagens com um canudinho
E se no meu ombro você cita Vinícius de Morais
Lembre-se de deixar tudo na mais santa paz
Com esses diálogos cheinhos de nada
E essas bobagens de gente apaixonada
Não posso esconder que quando a gente está junto
A gente é um pouquinho mais feliz que todo mundo
Você escreve em mim inteira
Com o sol se espremendo pela fresta da cortina
E lá embaixo a cidade continua sua sinfonia de buzinas
Que afinal a preguiça é o pecado original
E ter que rezar uma ave-maria ou duas logo depois não é assim tão mal
Se no meu quadril você desenha um vampirinho
Ele pode ir sugando a tinta das minhas tatuagens com um canudinho
E se no meu ombro você cita Vinícius de Morais
Lembre-se de deixar tudo na mais santa paz
Com esses diálogos cheinhos de nada
E essas bobagens de gente apaixonada
Não posso esconder que quando a gente está junto
A gente é um pouquinho mais feliz que todo mundo
Linhas Tortas
Talvez, o que eu mais quis naquela época é te perguntar o porque. Por que, por que, por que, perdi tantas noites de sono mastigando essa mesma pergunta e nada. (Também porque nunca tive coragem de te perguntar)
Eu ainda não sei. E às vezes, sim, claro, fico pensando que nunca saí do lugar, que na verdade meu problema continua sendo você.
Só que eu não trocaria tudo que eu vivi nesses últimos tempos por nada.
Nem pelo amor da minha vida.
(Que no final das contas, nem é você).
Eu ainda não sei. E às vezes, sim, claro, fico pensando que nunca saí do lugar, que na verdade meu problema continua sendo você.
Só que eu não trocaria tudo que eu vivi nesses últimos tempos por nada.
Nem pelo amor da minha vida.
(Que no final das contas, nem é você).
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Carpete, trovão e um cobertor
Eu não vou te dizer que eu sei o que eu quero. Porque eu sei mais ou menos. Porque eu nem chego a me conhecer o suficiente para te dar certeza de como eu vou agir.
Eu não vou te dizer que sou uma boa menina. Porque eu sei que eu não sou. E por mais que eu tente ficar quieta, no meu canto, sempre acabo atrevessando o caminho de alguém.
Eu também não vou te dizer que eu sou má. Porque eu sei que eu não sou. Eu tenho plena e total capacidade de ser leal. E de me entregar de verdade, sem bote salva-vidas.
Eu entendo o meu cinismo. Eu entendo até porque eu sou assim tão fechada. Mas eu não quero demais. Só quero mais umas vinte das suas onomatopéias para ir abrindo as minhas fechaduras.
Gosto de estar sozinha. Com meus pensamentos, meus livros, meu cobertor, numa cama confortável com a chuva no vidro da janela e uma mente que viaja por todos os cantos do mundo.
Mas eu também gosto de usar os meus cinco sentidos ao máximo pra explorar alguém o sufiente, até a última gota.
Eu não vou te dizer que sou uma boa menina. Porque eu sei que eu não sou. E por mais que eu tente ficar quieta, no meu canto, sempre acabo atrevessando o caminho de alguém.
Eu também não vou te dizer que eu sou má. Porque eu sei que eu não sou. Eu tenho plena e total capacidade de ser leal. E de me entregar de verdade, sem bote salva-vidas.
Eu entendo o meu cinismo. Eu entendo até porque eu sou assim tão fechada. Mas eu não quero demais. Só quero mais umas vinte das suas onomatopéias para ir abrindo as minhas fechaduras.
Gosto de estar sozinha. Com meus pensamentos, meus livros, meu cobertor, numa cama confortável com a chuva no vidro da janela e uma mente que viaja por todos os cantos do mundo.
Mas eu também gosto de usar os meus cinco sentidos ao máximo pra explorar alguém o sufiente, até a última gota.
Eu queria ser um lobo. Arreganhar meus caninos e correr pela neve, com a minha matilha. Sem a minha matilha. Correr pela neve pronta pra estraçalhar qualquer coisa que me desse vontade. Sentir os cheiros de tudo, conhecer tudo pelo faro, rosnar, ganir, morder.
Eu acho que tenho um lobo. Por dentro. Que me devora os cantinhos. Que abocanha meu coração e me faz esganiçar quando eu grito.
Eu grito muito.
É que eu grito numa língua que ninguém escuta.
Eu acho que tenho um lobo. Por dentro. Que me devora os cantinhos. Que abocanha meu coração e me faz esganiçar quando eu grito.
Eu grito muito.
É que eu grito numa língua que ninguém escuta.
Diálogo Expositivo
Estava quente naquele quarto. Quente quase insuportável, aquele mormaço que entra pelo nariz e condensa tudo por dentro, as paredes encardidas e a luz do sol entrando pelas cortinas. Parecia um quarto de filme, daqueles filmes em que o mocinho americano está perdido em alguma cidadezinha da Colômbia e está curando a própria ferida de tiro-
Ela estava deitada de bruços, o corpo todo marcado, as unhas lascadas, o cabelo bagunçado fazendo um leque no travesseiro.
- Você já viu o jeito que o cara resolveu essa parada na sua tatuagem?
- Hm?
O isqueiro raspou na pele dela - quase queimando.
- Legal. Olha depois.
- Ta muito tarde já?
- Eu preciso ir pra casa.
- Eu também.
- Todas as mulheres deveriam usar calcinha e sutiã assim, combinando. Fica bonito.
- É, estamos vivas apenas para o seu prazer visual.
Ele virou os olhos. Ela também.
- Imagina se eu tivesse uma doença contagiosa. Uma que passasse pela pele assim. Como aquela febre espanhola.
- Não era gripe espanhola?
- Foda-se, você me entendeu.
Ela estava suada. Queria sair daquele quarto e cair numa cidadezinha da Colômbia, ser raptada por um bandido com uma jaqueta de couro, que a enfiaria num carro antigo, a amordaçaria e a prendesse num cativeiro sujo no meio da amazônia.
- Estou com muita preguiça.
- Sério, que horas são?
E aí o bandido a trataria mal no começo, mas no fundo ele seria só um incompreendido e os dois se apaixonariam perdidamente e iram fugir juntos num carro furreca até o fim do mundo--
- Sei lá, como é que eu vou saber?
- Eu preciso me vestir.
Talvez seria melhor se fosse uma cidade fantasma. Se ela saísse e não tivesse mais ninguém - todo mundo tivesse sido morto pela porra da febre espanhola, vai saber, e ela ia andar sozinha pela cidade inteira, entrar em todos os prédios, todas as mansões, acabar com todo o vinho caro de cada uma delas e morrer de coma alcóolico em alguma cama king size em lençóis de seda-
Ela rolou na cama. Estava cheia de sono e precisava de um banho.
- Queria ser teletransportada pra casa agora.
A voz dela estava rouca e repetiu umas trezentas vezes na cabeça dela.
Ela queria sair daquele quarto e cair no céu; andar de nuvem em nuvem sozinha com o vento no rosto - talvez porque ela odiava o vento. Queria que o mundo inteiro coubesse em duzentos minutos de arquivo em vídeo comprimido com o codec certo para rodar em qualquer lugar. Um filme em que ela fosse a protagonista e que o clímax durasse os dois últimos atos.
- Qual é o nome daquele filme que o clímax dura quarenta minutos mesmo?
- Hã? Que filme? Eu não sei.
Ela se levantou. Ele também. Os dois saíram do quarto. Ela caiu num largo qualquer, que já conhecia e tinha que ir pra casa, fazer o mesmo caminho, nos mesmos ônibus.
Ela não foi.
Ela estava deitada de bruços, o corpo todo marcado, as unhas lascadas, o cabelo bagunçado fazendo um leque no travesseiro.
- Você já viu o jeito que o cara resolveu essa parada na sua tatuagem?
- Hm?
O isqueiro raspou na pele dela - quase queimando.
- Legal. Olha depois.
- Ta muito tarde já?
- Eu preciso ir pra casa.
- Eu também.
- Todas as mulheres deveriam usar calcinha e sutiã assim, combinando. Fica bonito.
- É, estamos vivas apenas para o seu prazer visual.
Ele virou os olhos. Ela também.
- Imagina se eu tivesse uma doença contagiosa. Uma que passasse pela pele assim. Como aquela febre espanhola.
- Não era gripe espanhola?
- Foda-se, você me entendeu.
Ela estava suada. Queria sair daquele quarto e cair numa cidadezinha da Colômbia, ser raptada por um bandido com uma jaqueta de couro, que a enfiaria num carro antigo, a amordaçaria e a prendesse num cativeiro sujo no meio da amazônia.
- Estou com muita preguiça.
- Sério, que horas são?
E aí o bandido a trataria mal no começo, mas no fundo ele seria só um incompreendido e os dois se apaixonariam perdidamente e iram fugir juntos num carro furreca até o fim do mundo--
- Sei lá, como é que eu vou saber?
- Eu preciso me vestir.
Talvez seria melhor se fosse uma cidade fantasma. Se ela saísse e não tivesse mais ninguém - todo mundo tivesse sido morto pela porra da febre espanhola, vai saber, e ela ia andar sozinha pela cidade inteira, entrar em todos os prédios, todas as mansões, acabar com todo o vinho caro de cada uma delas e morrer de coma alcóolico em alguma cama king size em lençóis de seda-
Ela rolou na cama. Estava cheia de sono e precisava de um banho.
- Queria ser teletransportada pra casa agora.
A voz dela estava rouca e repetiu umas trezentas vezes na cabeça dela.
Ela queria sair daquele quarto e cair no céu; andar de nuvem em nuvem sozinha com o vento no rosto - talvez porque ela odiava o vento. Queria que o mundo inteiro coubesse em duzentos minutos de arquivo em vídeo comprimido com o codec certo para rodar em qualquer lugar. Um filme em que ela fosse a protagonista e que o clímax durasse os dois últimos atos.
- Qual é o nome daquele filme que o clímax dura quarenta minutos mesmo?
- Hã? Que filme? Eu não sei.
Ela se levantou. Ele também. Os dois saíram do quarto. Ela caiu num largo qualquer, que já conhecia e tinha que ir pra casa, fazer o mesmo caminho, nos mesmos ônibus.
Ela não foi.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Sobre alguém que eu amo
Ela gosta mesmo é das idéias
Das boas idéias, independentemente de onde venham
Sem distinção entre capitalismo e comunismo, judaísmo e islamismo, empreendedorismo e naturalismo
Ela é capaz de admirar qualquer ismo que seja
Com certa ingenuidade que até me faz inveja
Porque ela tem muita fé na humanidade
E vive à margem das coisas
Porque já veio, viu e venceu
Já cruzou todas as fronteiras
E já não importam mais as convenções do dia-a-dia
Enfrenta o mundo sozinha, de peito aberto
Mas tem pavor de baratinhas
É mãe-leoa às vezes,
Mas não se pode negar que é diferente
De todas as outras
Porque é Mulher com M maísculo
De fibra e dignidade inabaláveis
Do jeito que um dia
Eu quero chegar a ser
Das boas idéias, independentemente de onde venham
Sem distinção entre capitalismo e comunismo, judaísmo e islamismo, empreendedorismo e naturalismo
Ela é capaz de admirar qualquer ismo que seja
Com certa ingenuidade que até me faz inveja
Porque ela tem muita fé na humanidade
E vive à margem das coisas
Porque já veio, viu e venceu
Já cruzou todas as fronteiras
E já não importam mais as convenções do dia-a-dia
Enfrenta o mundo sozinha, de peito aberto
Mas tem pavor de baratinhas
É mãe-leoa às vezes,
Mas não se pode negar que é diferente
De todas as outras
Porque é Mulher com M maísculo
De fibra e dignidade inabaláveis
Do jeito que um dia
Eu quero chegar a ser
Beautiful Dead End
Ir de bicicleta até o fim do mundo
O pôr-do-sol é cor-de-rosa
Eu queria engarrafar todos os cheiros desse lugar pra levar comigo
O vento gelado que corta minhas bochechas
Enquanto a tarde faz silêncio
E ele sopra a meu favor
E eu sinto saudades
De um tempo que ainda não passou
Nunca estive tão livre
Nunca estive tão forte
Bonito mesmo é viver de dentro pra fora
Aí sim, é lindo de doer
Aí sim,
Tudo tem sentido
O pôr-do-sol é cor-de-rosa
Eu queria engarrafar todos os cheiros desse lugar pra levar comigo
O vento gelado que corta minhas bochechas
Enquanto a tarde faz silêncio
E ele sopra a meu favor
E eu sinto saudades
De um tempo que ainda não passou
Nunca estive tão livre
Nunca estive tão forte
Bonito mesmo é viver de dentro pra fora
Aí sim, é lindo de doer
Aí sim,
Tudo tem sentido
domingo, 1 de janeiro de 2012
Fogos de Artifício
Qualquer coisa
Álcool
Imaginação
Livre demais para ser elaborada
Longe.
Longe demais.
Longe o suficiente.
Para não desperdiçar nem mais um minuto.
E ir, ser, ter coragem.
Álcool
Imaginação
Livre demais para ser elaborada
Longe.
Longe demais.
Longe o suficiente.
Para não desperdiçar nem mais um minuto.
E ir, ser, ter coragem.
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