quinta-feira, 10 de maio de 2012

Há mais ou menos um ano atrás eu estava aqui, nessa cama, aos prantos, desesperada tentando entender por que você não me queria. Estava exausta, tinha passado a madrugada num ônibus do paraná até São Paulo, carregado minha mala por algumas viagens de metrô, atarefada o dia todo e ainda no fim de tudo não consegui pagar uma conta importante porque não deu tempo. Parecia que era um inferno astral constante e todas as pequenas tragédias do meu dia-a-dia me faziam me lembrar da dor da rejeição. Você não me queria, você não estava por perto, eu era uma pessoa indesejável, uma mulher que não poderia ser amada, como eu poderia pensar em viver dali pra frente sem você, com as suas alfinetadas estúpidas, com as suas críticas infinitas. Parece que o mundo deu bem mais do que trezentas e tantas voltas ao redor de si mesmo desde então. Tive tanta gente entrando e saindo da minha vida, gente que só passou, gente que ficou por um tempo, que esteve disposta a me devolver a auto-estima que você roubou de mim, gente que me fez feliz, desejada, louca de raiva, tantas coisas aconteceram que eu mal poderia sonhar em viver, pra eu refazer tudo aquilo no que eu acreditava, me permitir ser alguém diferente, me permitir procurar o que (e quem) me faça feliz. E daí dia desses, fui te encontrar por um acaso do destino, ouvir essas suas piadas insossas, e não senti nem mágoa, nem raiva, nem ansiedade, nem nada e é tão simples como sua presença não me provoca reação alguma, eu fico pasma de perceber como aquela paixão que me virou de cabeça pra baixo pôde se tornar absolutamente nada. Talvez porque aquela menina que se apaixonou por você não existe mais. E você não faz o tipo da que eu sou agora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário