terça-feira, 31 de janeiro de 2012
A gente muda quando está longe
Mas dessa vez, nem que seja pra eu me estabacar, que eu não cometa o mesmo erro de sempre, cair na mesma armadilha do meu orgulho, fugir querendo ficar, que eu de verdade não deixe o meu medo se apoderar de mim.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Depois de umas três garrafas
Eu estou descendo uma ladeira sozinha. Sou pequena, frágil, feiosa, sozinha e confusa. Meu mundo é um ciclo confuso de raiva, estrelas amarelas, promessas de nunca, nunca se entregar ao sistema malvado, ser igual aos outros, e eu só quero ser livre, livre, livre, livre, os cortes debaixo da calça ardem às vezes e eu sento na ladeira e imagino o mundo inteiro só chão. Só chão.
.
Eu estou trancada no banheiro do apartamento e você está esmurrando a porta dizendo que me quer, por que eu tenho que ser assim, sai daí vamos conversar você está me fazendo sofrer você está me assustando não faz mais assim, e você não entende que existe um abismo por dentro, que eu não consigo separar aquela de antes com a do espelho, que eu preciso sabotar tudo e fazer você ir pra longe de mim porque eu não mereço o afeto de ninguém, e quem você ama é uma fraude.
.
Eu estou sozinha numa rua que é só silêncio e não vejo folhas em nenhuma árvore. Não dá pra sentir as pontas dos dedos mais e tudo bem, tudo bem demais se eu já sei lidar com a minha solidão tão bem que me sinto só, e tudo bem, que eu pareço tanto ser que já sou, e tudo bem que vingança já não é mais exatamente meu plano de vida e tudo bem, tudo bem, tudo bem e se eu me arrebentar que mal tem e tudo bem que eu já tive mais do que todo mundo deve ter e tudo bem que tudo bem, porque eu já nem tenho mais as cicatrizes, porque eu tive muita sorte, e se estou na rota de uma catástrofe eu tenho certeza de que vou sobreviver e tudo o mais.
(Mas. E depois?)
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Eu estou trancada no banheiro do apartamento e você está esmurrando a porta dizendo que me quer, por que eu tenho que ser assim, sai daí vamos conversar você está me fazendo sofrer você está me assustando não faz mais assim, e você não entende que existe um abismo por dentro, que eu não consigo separar aquela de antes com a do espelho, que eu preciso sabotar tudo e fazer você ir pra longe de mim porque eu não mereço o afeto de ninguém, e quem você ama é uma fraude.
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Eu estou sozinha numa rua que é só silêncio e não vejo folhas em nenhuma árvore. Não dá pra sentir as pontas dos dedos mais e tudo bem, tudo bem demais se eu já sei lidar com a minha solidão tão bem que me sinto só, e tudo bem, que eu pareço tanto ser que já sou, e tudo bem que vingança já não é mais exatamente meu plano de vida e tudo bem, tudo bem, tudo bem e se eu me arrebentar que mal tem e tudo bem que eu já tive mais do que todo mundo deve ter e tudo bem que tudo bem, porque eu já nem tenho mais as cicatrizes, porque eu tive muita sorte, e se estou na rota de uma catástrofe eu tenho certeza de que vou sobreviver e tudo o mais.
(Mas. E depois?)
sábado, 21 de janeiro de 2012
Poeminha Sem-Vergonha
Numa tarde de terça-feira
Você escreve em mim inteira
Com o sol se espremendo pela fresta da cortina
E lá embaixo a cidade continua sua sinfonia de buzinas
Que afinal a preguiça é o pecado original
E ter que rezar uma ave-maria ou duas logo depois não é assim tão mal
Se no meu quadril você desenha um vampirinho
Ele pode ir sugando a tinta das minhas tatuagens com um canudinho
E se no meu ombro você cita Vinícius de Morais
Lembre-se de deixar tudo na mais santa paz
Com esses diálogos cheinhos de nada
E essas bobagens de gente apaixonada
Não posso esconder que quando a gente está junto
A gente é um pouquinho mais feliz que todo mundo
Você escreve em mim inteira
Com o sol se espremendo pela fresta da cortina
E lá embaixo a cidade continua sua sinfonia de buzinas
Que afinal a preguiça é o pecado original
E ter que rezar uma ave-maria ou duas logo depois não é assim tão mal
Se no meu quadril você desenha um vampirinho
Ele pode ir sugando a tinta das minhas tatuagens com um canudinho
E se no meu ombro você cita Vinícius de Morais
Lembre-se de deixar tudo na mais santa paz
Com esses diálogos cheinhos de nada
E essas bobagens de gente apaixonada
Não posso esconder que quando a gente está junto
A gente é um pouquinho mais feliz que todo mundo
Linhas Tortas
Talvez, o que eu mais quis naquela época é te perguntar o porque. Por que, por que, por que, perdi tantas noites de sono mastigando essa mesma pergunta e nada. (Também porque nunca tive coragem de te perguntar)
Eu ainda não sei. E às vezes, sim, claro, fico pensando que nunca saí do lugar, que na verdade meu problema continua sendo você.
Só que eu não trocaria tudo que eu vivi nesses últimos tempos por nada.
Nem pelo amor da minha vida.
(Que no final das contas, nem é você).
Eu ainda não sei. E às vezes, sim, claro, fico pensando que nunca saí do lugar, que na verdade meu problema continua sendo você.
Só que eu não trocaria tudo que eu vivi nesses últimos tempos por nada.
Nem pelo amor da minha vida.
(Que no final das contas, nem é você).
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Carpete, trovão e um cobertor
Eu não vou te dizer que eu sei o que eu quero. Porque eu sei mais ou menos. Porque eu nem chego a me conhecer o suficiente para te dar certeza de como eu vou agir.
Eu não vou te dizer que sou uma boa menina. Porque eu sei que eu não sou. E por mais que eu tente ficar quieta, no meu canto, sempre acabo atrevessando o caminho de alguém.
Eu também não vou te dizer que eu sou má. Porque eu sei que eu não sou. Eu tenho plena e total capacidade de ser leal. E de me entregar de verdade, sem bote salva-vidas.
Eu entendo o meu cinismo. Eu entendo até porque eu sou assim tão fechada. Mas eu não quero demais. Só quero mais umas vinte das suas onomatopéias para ir abrindo as minhas fechaduras.
Gosto de estar sozinha. Com meus pensamentos, meus livros, meu cobertor, numa cama confortável com a chuva no vidro da janela e uma mente que viaja por todos os cantos do mundo.
Mas eu também gosto de usar os meus cinco sentidos ao máximo pra explorar alguém o sufiente, até a última gota.
Eu não vou te dizer que sou uma boa menina. Porque eu sei que eu não sou. E por mais que eu tente ficar quieta, no meu canto, sempre acabo atrevessando o caminho de alguém.
Eu também não vou te dizer que eu sou má. Porque eu sei que eu não sou. Eu tenho plena e total capacidade de ser leal. E de me entregar de verdade, sem bote salva-vidas.
Eu entendo o meu cinismo. Eu entendo até porque eu sou assim tão fechada. Mas eu não quero demais. Só quero mais umas vinte das suas onomatopéias para ir abrindo as minhas fechaduras.
Gosto de estar sozinha. Com meus pensamentos, meus livros, meu cobertor, numa cama confortável com a chuva no vidro da janela e uma mente que viaja por todos os cantos do mundo.
Mas eu também gosto de usar os meus cinco sentidos ao máximo pra explorar alguém o sufiente, até a última gota.
Eu queria ser um lobo. Arreganhar meus caninos e correr pela neve, com a minha matilha. Sem a minha matilha. Correr pela neve pronta pra estraçalhar qualquer coisa que me desse vontade. Sentir os cheiros de tudo, conhecer tudo pelo faro, rosnar, ganir, morder.
Eu acho que tenho um lobo. Por dentro. Que me devora os cantinhos. Que abocanha meu coração e me faz esganiçar quando eu grito.
Eu grito muito.
É que eu grito numa língua que ninguém escuta.
Eu acho que tenho um lobo. Por dentro. Que me devora os cantinhos. Que abocanha meu coração e me faz esganiçar quando eu grito.
Eu grito muito.
É que eu grito numa língua que ninguém escuta.
Diálogo Expositivo
Estava quente naquele quarto. Quente quase insuportável, aquele mormaço que entra pelo nariz e condensa tudo por dentro, as paredes encardidas e a luz do sol entrando pelas cortinas. Parecia um quarto de filme, daqueles filmes em que o mocinho americano está perdido em alguma cidadezinha da Colômbia e está curando a própria ferida de tiro-
Ela estava deitada de bruços, o corpo todo marcado, as unhas lascadas, o cabelo bagunçado fazendo um leque no travesseiro.
- Você já viu o jeito que o cara resolveu essa parada na sua tatuagem?
- Hm?
O isqueiro raspou na pele dela - quase queimando.
- Legal. Olha depois.
- Ta muito tarde já?
- Eu preciso ir pra casa.
- Eu também.
- Todas as mulheres deveriam usar calcinha e sutiã assim, combinando. Fica bonito.
- É, estamos vivas apenas para o seu prazer visual.
Ele virou os olhos. Ela também.
- Imagina se eu tivesse uma doença contagiosa. Uma que passasse pela pele assim. Como aquela febre espanhola.
- Não era gripe espanhola?
- Foda-se, você me entendeu.
Ela estava suada. Queria sair daquele quarto e cair numa cidadezinha da Colômbia, ser raptada por um bandido com uma jaqueta de couro, que a enfiaria num carro antigo, a amordaçaria e a prendesse num cativeiro sujo no meio da amazônia.
- Estou com muita preguiça.
- Sério, que horas são?
E aí o bandido a trataria mal no começo, mas no fundo ele seria só um incompreendido e os dois se apaixonariam perdidamente e iram fugir juntos num carro furreca até o fim do mundo--
- Sei lá, como é que eu vou saber?
- Eu preciso me vestir.
Talvez seria melhor se fosse uma cidade fantasma. Se ela saísse e não tivesse mais ninguém - todo mundo tivesse sido morto pela porra da febre espanhola, vai saber, e ela ia andar sozinha pela cidade inteira, entrar em todos os prédios, todas as mansões, acabar com todo o vinho caro de cada uma delas e morrer de coma alcóolico em alguma cama king size em lençóis de seda-
Ela rolou na cama. Estava cheia de sono e precisava de um banho.
- Queria ser teletransportada pra casa agora.
A voz dela estava rouca e repetiu umas trezentas vezes na cabeça dela.
Ela queria sair daquele quarto e cair no céu; andar de nuvem em nuvem sozinha com o vento no rosto - talvez porque ela odiava o vento. Queria que o mundo inteiro coubesse em duzentos minutos de arquivo em vídeo comprimido com o codec certo para rodar em qualquer lugar. Um filme em que ela fosse a protagonista e que o clímax durasse os dois últimos atos.
- Qual é o nome daquele filme que o clímax dura quarenta minutos mesmo?
- Hã? Que filme? Eu não sei.
Ela se levantou. Ele também. Os dois saíram do quarto. Ela caiu num largo qualquer, que já conhecia e tinha que ir pra casa, fazer o mesmo caminho, nos mesmos ônibus.
Ela não foi.
Ela estava deitada de bruços, o corpo todo marcado, as unhas lascadas, o cabelo bagunçado fazendo um leque no travesseiro.
- Você já viu o jeito que o cara resolveu essa parada na sua tatuagem?
- Hm?
O isqueiro raspou na pele dela - quase queimando.
- Legal. Olha depois.
- Ta muito tarde já?
- Eu preciso ir pra casa.
- Eu também.
- Todas as mulheres deveriam usar calcinha e sutiã assim, combinando. Fica bonito.
- É, estamos vivas apenas para o seu prazer visual.
Ele virou os olhos. Ela também.
- Imagina se eu tivesse uma doença contagiosa. Uma que passasse pela pele assim. Como aquela febre espanhola.
- Não era gripe espanhola?
- Foda-se, você me entendeu.
Ela estava suada. Queria sair daquele quarto e cair numa cidadezinha da Colômbia, ser raptada por um bandido com uma jaqueta de couro, que a enfiaria num carro antigo, a amordaçaria e a prendesse num cativeiro sujo no meio da amazônia.
- Estou com muita preguiça.
- Sério, que horas são?
E aí o bandido a trataria mal no começo, mas no fundo ele seria só um incompreendido e os dois se apaixonariam perdidamente e iram fugir juntos num carro furreca até o fim do mundo--
- Sei lá, como é que eu vou saber?
- Eu preciso me vestir.
Talvez seria melhor se fosse uma cidade fantasma. Se ela saísse e não tivesse mais ninguém - todo mundo tivesse sido morto pela porra da febre espanhola, vai saber, e ela ia andar sozinha pela cidade inteira, entrar em todos os prédios, todas as mansões, acabar com todo o vinho caro de cada uma delas e morrer de coma alcóolico em alguma cama king size em lençóis de seda-
Ela rolou na cama. Estava cheia de sono e precisava de um banho.
- Queria ser teletransportada pra casa agora.
A voz dela estava rouca e repetiu umas trezentas vezes na cabeça dela.
Ela queria sair daquele quarto e cair no céu; andar de nuvem em nuvem sozinha com o vento no rosto - talvez porque ela odiava o vento. Queria que o mundo inteiro coubesse em duzentos minutos de arquivo em vídeo comprimido com o codec certo para rodar em qualquer lugar. Um filme em que ela fosse a protagonista e que o clímax durasse os dois últimos atos.
- Qual é o nome daquele filme que o clímax dura quarenta minutos mesmo?
- Hã? Que filme? Eu não sei.
Ela se levantou. Ele também. Os dois saíram do quarto. Ela caiu num largo qualquer, que já conhecia e tinha que ir pra casa, fazer o mesmo caminho, nos mesmos ônibus.
Ela não foi.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Sobre alguém que eu amo
Ela gosta mesmo é das idéias
Das boas idéias, independentemente de onde venham
Sem distinção entre capitalismo e comunismo, judaísmo e islamismo, empreendedorismo e naturalismo
Ela é capaz de admirar qualquer ismo que seja
Com certa ingenuidade que até me faz inveja
Porque ela tem muita fé na humanidade
E vive à margem das coisas
Porque já veio, viu e venceu
Já cruzou todas as fronteiras
E já não importam mais as convenções do dia-a-dia
Enfrenta o mundo sozinha, de peito aberto
Mas tem pavor de baratinhas
É mãe-leoa às vezes,
Mas não se pode negar que é diferente
De todas as outras
Porque é Mulher com M maísculo
De fibra e dignidade inabaláveis
Do jeito que um dia
Eu quero chegar a ser
Das boas idéias, independentemente de onde venham
Sem distinção entre capitalismo e comunismo, judaísmo e islamismo, empreendedorismo e naturalismo
Ela é capaz de admirar qualquer ismo que seja
Com certa ingenuidade que até me faz inveja
Porque ela tem muita fé na humanidade
E vive à margem das coisas
Porque já veio, viu e venceu
Já cruzou todas as fronteiras
E já não importam mais as convenções do dia-a-dia
Enfrenta o mundo sozinha, de peito aberto
Mas tem pavor de baratinhas
É mãe-leoa às vezes,
Mas não se pode negar que é diferente
De todas as outras
Porque é Mulher com M maísculo
De fibra e dignidade inabaláveis
Do jeito que um dia
Eu quero chegar a ser
Beautiful Dead End
Ir de bicicleta até o fim do mundo
O pôr-do-sol é cor-de-rosa
Eu queria engarrafar todos os cheiros desse lugar pra levar comigo
O vento gelado que corta minhas bochechas
Enquanto a tarde faz silêncio
E ele sopra a meu favor
E eu sinto saudades
De um tempo que ainda não passou
Nunca estive tão livre
Nunca estive tão forte
Bonito mesmo é viver de dentro pra fora
Aí sim, é lindo de doer
Aí sim,
Tudo tem sentido
O pôr-do-sol é cor-de-rosa
Eu queria engarrafar todos os cheiros desse lugar pra levar comigo
O vento gelado que corta minhas bochechas
Enquanto a tarde faz silêncio
E ele sopra a meu favor
E eu sinto saudades
De um tempo que ainda não passou
Nunca estive tão livre
Nunca estive tão forte
Bonito mesmo é viver de dentro pra fora
Aí sim, é lindo de doer
Aí sim,
Tudo tem sentido
domingo, 1 de janeiro de 2012
Fogos de Artifício
Qualquer coisa
Álcool
Imaginação
Livre demais para ser elaborada
Longe.
Longe demais.
Longe o suficiente.
Para não desperdiçar nem mais um minuto.
E ir, ser, ter coragem.
Álcool
Imaginação
Livre demais para ser elaborada
Longe.
Longe demais.
Longe o suficiente.
Para não desperdiçar nem mais um minuto.
E ir, ser, ter coragem.
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