domingo, 11 de agosto de 2013

Nunca ninguém morreu de amor. Eu não vou ser a primeira.
Vai doer em cada célula e cada átomo e cada vazio e perfurar por dentro como aquela lâmina de sangue e vidro que preenchia meus pesadelos.
Vai doer como só essas coisas doem.
Mas estou viva, vou sobrevivendo.
Sempre fui forte, já perdi muita gente.
Já passei por coisas piores.
Eu vou indo calejada e toda retalhada mas vou me cicatrizar inteira.
Nem te mando a conta dos banhos de sal que vou tomar para curar cada ferida.
Depois daqui, pode deixar. Você não precisa mais saber de mim.
Nem se quiser.
Nem se pedir.
Até lá, vou sobrevivendo.
Nunca ninguém morreu de amor.
Eu. Não. Vou. Ser. A. Primeira.
Dor. De novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo, de novo meu deus do céu, por que é que eu nunca aprendo?

sábado, 10 de agosto de 2013

A sua frieza é como um espinhaço. Vai arranhando, vai machucando, vai me envenenando. Mas não vai me matar. Vai apenas matar a minha vontade de você.
Eu vou sumir no mundo. Eu sempre tive vocação para ser nômade. Gosto de ser forasteira. Minha natureza é assim.
Você acha que não precisa de ninguém. Talvez você não precise mesmo. Talvez você se baste.
Não se preocupe, porque vai doer mas vai passar. Vai passar como muita já coisa já doeu e passou.
Estou assim, preenchida de você até o último fio de cabelo, mas vou exorcizar cada partezinha sua dentro de mim. E um dia vai ser só uma lembrança, uma época, uma história.
Mas você vai se lembrar de mim. Eu te garanto que você vai se lembrar.
E quando eu me recompor, quando eu sair das sombras, quando eu voltar a brilhar, você vai me querer de novo.
Tarde demais. Vai ser tarde demais.