Eu sempre gostei de ter nascido nessa época do ano. Esse clima sanguíneo e exagerado, tão parecido com a minha personalidade. Ou talvez minha personalidade foi se moldando a esses dezembros tempestuosos. Adoro que o ano acaba e eu estreio uma idade nova. Me força a pensar em mim mesma. E eu sempre adorei símbolos.
Adoro esses dias cheios de sol. Adoro esse clima de fim, de coisas mudando. Adoro, acima de tudo, as tempestades de caos que caem lá pelas cinco da tarde. Se eu pudesse ser um dia, seria o dia sete de dezembro.
Quanto mais eu vivo, menos eu tenho certezas sobre mim mesma. Achei que me conhecia tão bem, a minha vida inteira. Hoje, passei da idade em que acreditaria que minha vida ia começar. Às vezes, eu acho que ela ainda não começou. Tem um aviso? Um cartão, um telegrama que a gente recebe quando a vida realmente começa, ou a vida sempre começou e a gente que não percebe que estar vivo é estar vivo?
Muitas vezes, muitas, eu menti pra mim mesma. Mandei minhas vontades calarem a boca, porque elas não me conheciam. Fingi que não me importava com coisas que me doíam muito por dentro. Agora, eu não sei. Estou num momento de peças do quebra-cabeças todas espalhadas pela mesa. Mas, assim que é bom. Se eu puder ser mais eu mesma, eu mesma de verdade, vou conseguir ser mais feliz. É muito mais difícil do que eu imaginava, ser fiel à pessoa que sou lá no fundo.
Seja lá o que esse ano me reserva (apesar de fazer tantos planos, mas eles nunca dão muito certo), hoje eu vou tirar o dia para estar na minha companhia. E então, querida, o que você quer fazer? O que realmente vai te trazer paz? Eu já vivi muito mais que muita gente vive. Passei por todo o tipo de coisa. Como todo mundo, mas só eu sei o que é ser eu. E isso me basta.
Hoje, isso me basta. A calma dessa música vibrando dentro do quarto. A brisa soprando a cortina, os espelhinhos balançando. É bom ser eu mesma. É cada vez melhor ser eu mesma.
Parabéns pra mim.
Pimenta Cítrica
De tão cítrica, fica azeda.
sábado, 7 de dezembro de 2013
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
domingo, 20 de outubro de 2013
À deriva
Vem me buscar.
A verdade é que eu sou sua das pontas dos pés às pontas do cabelo.
É verdade que as pessoas são o que são e ninguém é especial.
Mas existem combinações, elas existem, eu sei porque eu te encontrei.
Não faz assim, não vai embora, não mente pra mim, não esconde o que você sente, eu sei, eu entendo, eu estou aqui para você.
A verdade é que eu sou sua das pontas dos pés às pontas do cabelo.
É verdade que as pessoas são o que são e ninguém é especial.
Mas existem combinações, elas existem, eu sei porque eu te encontrei.
Não faz assim, não vai embora, não mente pra mim, não esconde o que você sente, eu sei, eu entendo, eu estou aqui para você.
domingo, 13 de outubro de 2013
Chuva de Crisântemos
Você me fez tão feliz. Você fez com que eu me sentisse tão amada. Tão segura, tão tranquila, nos seus braços, esse seu jeito doce e manso de falar, as suas palavras sussurradas pra mim debaixo do lençol, quando você me despia devagar e quando limpava minhas lágrimas.
É, talvez chegou a hora de despertar do sonho.
Você foi uma névoa densa que me congelou, me fez flutuar por tanto tempo. Estive em transe. Mas é claro, nada disso dura para sempre.
Estou espalhando essas pétalas pela calçada e tentando seguir meu caminho.
É, talvez chegou a hora de despertar do sonho.
Você foi uma névoa densa que me congelou, me fez flutuar por tanto tempo. Estive em transe. Mas é claro, nada disso dura para sempre.
Estou espalhando essas pétalas pela calçada e tentando seguir meu caminho.
Estou me acostumando a ir me deitar sozinha e acordar sozinha. Estou me acostumando a rir sozinha, chorar sozinha, conversar sozinha. Evidente que é besteira achar que eu vou passar ilesa por tudo isso. É muito óbvio pra mim que daqui pra frente, sou outra pessoa. Não sei dizer que pessoa é essa, ou o rumo que vou tomar. Mas por dentro, algo se rompeu. Algo se reestruturou.
Você poderia dizer que eu estou mais forte. É, é verdade. Mas apesar da sua insistência, eu nunca me considerei fraca, não realmente. Seja como for, esses quatro meses mudaram tudo. Me mudaram, para sempre.
E não cabe a mim dizer qual o seu papel nesse novo quebra-cabeça que eu estou montando. Entre, a casa também (ainda) é sua e fique à vontade, mas talvez eu queira mais. Talvez seja minha hora de ir embora.
Você poderia dizer que eu estou mais forte. É, é verdade. Mas apesar da sua insistência, eu nunca me considerei fraca, não realmente. Seja como for, esses quatro meses mudaram tudo. Me mudaram, para sempre.
E não cabe a mim dizer qual o seu papel nesse novo quebra-cabeça que eu estou montando. Entre, a casa também (ainda) é sua e fique à vontade, mas talvez eu queira mais. Talvez seja minha hora de ir embora.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
A sua aposta é alta demais
Esse nosso jogo, tem cartas marcadas. Tudo bem, admito. Você
é a banca e está acabando comigo. Enquanto eu me esvaio em champanhe e vou
gastando todas as minhas fichas, o batom borrado e a carteira vazia. Mas não se
esqueça que quando as fichas acabarem, não vou ter mais nada pra perder. Não
vou ter mais como jogar.
Você se diverte assim porque acha que eu sou uma carta que
pode ser sacrificada. Que é só um extra, mas não vai te fazer ganhar o jogo.
Você me subestima tanto que acredita piamente que pode me deixar cozinhando por
tempo indeterminado, porque eu vou estar te esperando voltar. Porque ninguém
mais ou nada mais me interessaria (ou se interessaria por mim). Mas você
disfarça isso de nobreza, altruísmo, adora encher o peito pra dizer que é um
ser humano muito mais evoluído que eu. Que todo mundo. Quando na verdade você
só quer escapar para o seu mundinho estéril. Pra não ter que lidar com ninguém.
Você diz que quer ajudar todo mundo, mas
está se lixando para os sentimentos das pessoas, para quem precisa de
você.
Cuidado. Eu estou virando o jogo e você nem está percebendo.
O grande problema dos jogadores que sempre vencem é arrogância. Eles são
incapazes de perceber o perigo. Mais um pouco e eu ganho o jogo, quebro a mesa e
levo todas as fichas de volta pra casa.
sábado, 5 de outubro de 2013
Os dias perfeitos são aqueles em que eu cheguei em casa só um pouquinho antes da chuva cair, e é fácil me encolher debaixo das cobertas e sentir aquela dorzinha deliciosa em cada músculo e cada tendão, enquanto o tempo esbraveja lá fora e o trânsito continua irritado, mas eu estou longe, longe. Nesses dias, a única coisa capaz de me impedir de acender um cigarro seria uma ligação sua, mas é fácil saber que ela não vem, então eu observo a chuva castigando a cidade enquanto vou me matando. Depois de tanto tempo e depois de tanta mágoa pela mesma coisa, estou começando a ficar convencida de que estou enlouquecendo. Depois de tanto tempo com os pensamentos correndo em círculos, às vezes me dá aquela sensação inegável de fim. É difícil, você percebe, me manter alegre e firme quando a discrepância é tão grande e tão óbvia; quando eu tenho tantas lembranças daquele seu sentimento de amor-quase-veneração. Quando a sua voz ecoa tão distante, indiferente e apática, eu procuro entender e ver que você está confuso e precisa da minha compreensão, mas talvez eu esteja me enganando, porque sou eu quem precisa da minha compreensão para fingir para mim mesma que tudo isso ainda tem jeito. Depois de chorar tantas vezes que já perdi a conta pelo mesmo maldito motivo, me pergunto às vezes se você não iria se arrepender depois, mais tarde e se eu não deveria ser mais paciente, mais altruísta. Talvez o momento de eu reconhecer que estou travando uma batalha perdida, está próximo. Já consigo até me imaginar, capengamente, eu me erguendo e levantando. Nem sei por onde iria recomeçar, por onde ia me refazer, ser uma pessoa totalmente nova e diferente, diferente de tudo que já fui, com uma vida desconhecida pela frente. Mas seria, eventualmente, seria. Talvez quem sabe, fosse até melhor assim. Talvez, se eu ao menos conseguisse encontrar dentro de mim aquela das tardes perdidas no computador, aquela, que não sabia o que era ter você para quem isso não fazia a menor falta. Se eu conseguisse lavar você com a água da chuva, se eu conseguisse um mapa que me dissesse para onde devo ir para retomar a minha vida, aonde ela está, talvez eu o fizesse agora mesmo. Mas enquanto isso, vou tentando me conformar, pouco a pouco. Seus silêncios traduzem em melancolia para mim. A força que eu faço para ficar quieta e calma está me deixando amargurada. Como eu posso massagear o seu ego se você diz que não tem um? Como eu posso te fazer feliz se você mesmo admite que é incapaz disso? Ando me sentindo um fracasso, incompetentemente humana, talvez humana demais para você. É triste pensar, mas não posso negar que você pode não ter errado, quando disse que esperava de mim um milagre. Eu não sou um milagre. É possível que eu não seja mesmo o que você precisa.
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