sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mar Branco

Frio, silêncio, neve.
Fumaça, guitarra.
-Você deve ter muito orgulho de si mesma, garotinha.

Cativeiro

Não me mande de volta em trinta dias. Nem sessenta. Nem noventa.
(Nem qualquer tempo que seja antes do suficiente.

Pra ser sincera,

eu nunca quis passar pela vida das pessoas sem causar estrago. Eu nunca quis ser só mais uma companhia amena pra ninguém. Mesmo porque eu sei que qualquer um só é capaz de se aproximar de mim quando está cheio de rebeldia. Eu quero marcar quem chega perto de mim, pra sempre. Eu não preciso ser a eleita, a escolhida, eu nunca vou ser. Mas eu sou um rombo no passado de quem se atreveu ficar por perto. Porque eu quero te fincar minhas garras por dentro pra arranhar e as cicatrizes nunca mais saírem. Vou deixar minha marca na sua alma. Vou te chacoalhar por dentro, como um ferro em brasa, incandescente, abrindo sulcos na sua pele pra fazer uma tatuagem à fogo que vai te mudar pra sempre.

Poética da Ilusão

Estou te admirando de longe. Estou admirando sua coragem. Estou te querendo em silêncio. Mas é bom esperar. Porque o nosso ritmo não tem que ter nada a ver com mais ninguém. Aliás, nada disso tem a ver com mais ninguém.
Toda essa poesia, ela é só minha e sua.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ilha

Vem com seu barquinho que você chega.
Você quer me enlouquecer? Eu sei que é exatamente isso, e sabe que está funcionando. Eu já nem tenho mais idade pra isso. Eu quero exatamente as nossas conversas madrugada adentro, eu quero os seus abraços (eu sumo neles, eu juro), eu quero você aqui, eu nem sei como. Eu quero. Eu quero você. E está cada vez mais difícil porque você sabe como é essa solidão toda e eu quero toda essa poética, eu não posso fazer nada a não ser fazer birra e dizer eu quero eu quero eu te quero como há muito tempo eu não quero ninguém, e eu to sozinha é por isso, porque eu to cheia de gente e eu quero uma só, que eu só sossego quando você está por perto, eu quero essa sua voz doce no pé do meu ouvido e esse seu carinho e eu sei, eu entendo as implicações x, y, z, mas vem e dessa vez não foge mais porque eu sou de verdade e eu sei que você também é. Eu vou ficar louca. Acho que já estou. Veio em péssima hora. Mas é inevitável. A culpa é toda sua. Não me prende, não me controla, não me faz nada além daquela única coisa que a gente sabe que importa. Foda-se todas essas idiotices que existem, as infantilidades, tudo o mais, eu conheço você, conheço esse seu mar de mel e sei que no fundo é inegável o que acontece, então fica, não vai embora mais, que eu só penso nisso faz dias. Eu estou ficando louca. Você está me consumindo, da maneira mais deliciosa. Me acorda de novo, me toca de verdade, eu cansei de brincar de pique-esconde com todo mundo.

(Você me entende.)
 E eu não fecho.

Mar Morto

O seu oceano, é inteirinho de morte.
Eu toquei as águas escuras com as pontinhas dos pés, e resolvi mergulhar. Descer, engolir água, me afogar em você. Fui além dos seus bancos de areia, seu assoalho oceânico. Fui tão fundo até a sua pressão estourar meus tímpanos, fui desafiar minha resistência nesse teu fundo de mar.
Você é abissal.
Seu oceano é inteiro amargo.
Metros e metros cúbicos de azul-escuro, manchado de petróleo, água gelada, e nenhum peixinho.
E eu, para as suas ondas me engolirem. E engoliram.
Mas eu volto, porque sempre gostei mesmo é de uma boa aventura, de estar perto da morte, de mergulhar sem tanque de óxigênio sem nada e voltar quase ilesa.
Quase.

Juízo?

Não tenho, nunca tive e não vou começar a ter agora só porque você quer.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Inesperadamente, o melhor

Eu poderia dizer muitas coisas, já que adoro falar de mim. Mas descobri que de repente as pessoas me conhecem muito mais do que imagino. E por isso, no meu dia, no meu blog, vou deixar outras pessoas entrarem (porque elas são importantes pra mim, importantes demais):




amanhã, se te vir, direi coisas bonitas. mas você sabe que tem coisas que ficam melhor nas letras do que na boca - e vice-versa.
a começar, eu te desejo muito. muito de amor, de sexo e de revolução - e assim te desejo material pra conversa que eu sei que você gosta é de falar de amor, sexo e revolução.
te desejo a vida complicada que eu sei que você quer ter - não me engane, você gosta - e muita coisa pra chamar de sua, seu, não-sua e saia-do-meu-pé-sua-vaca-asquerosa.
te desejo cream cheese.
te desejo geléia, meia arrastão e suspensórios.
te desejo uma temporada nova com um começo incrível no exterior.
e é isso, te desejo o bem
parabéns (:





De resto, tenho a dizer que: Hoje eu tenho no lugar do coração uma garrafa de champanhe, dos mais caros. E ela está prestes a estourar e borbulhar meu corpo inteiro.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sorte.

Sorte de estar viva.
Sorte de ter os amigos que eu tenho.
Sorte de ser finalmente querida.
Sorte de ter quem me ame.
Sorte de poder realizar meus sonhos.
Sorte de tanta coisa.
Parece até demais para uma pessoa só.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Um brinde a todas nós, mulheres contemporâneas, que carregamos todo esse zeitgeist nas costas, nas unhas. Um brinde a nós com nossas meias pretas rasgadas, no chão com uma dose de vodka vagabunda e um cinzeiro transbordando e esmalte lascado nas unhas compridas, maquiagem borrada, todo o glamour decadente que a solidão da juventude é capaz de nos fornecer.
Um brinde à batata frita cheia de gordura, ao foda-se aos jantares caros, os sapatos de salto e vamos todas juntas sermos criaturas da noite, lindíssimas e alcóolatras e ninfomaníacas e insatisfeitas cheias de humor negro e cheias de politicamente incorreto, levantem os copos de plástico e brindem comigo, pelo preço que pagamos e estamos dispostas a pagar, com sangue, com toda a exposição e toda a solidão.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Manifesto pelos cerebrados

Eu nunca
Vou ser dessas pessoas que falam pelo coletivo
Eu nunca
Vou vomitar tudo que eu ouvir sem mastigar
Eu nunca
Vou lutar por algo que eu não acredito
Eu nunca
Vou me render por uma causa que não é minha
Nunca, nunca, nunca, um milhão de vezes
Vou repetir o quanto for necessário
Que esse tipo de utopia é burrice
No unissono, eu quero a minha voz
Eu quero cada uma das milhares
Bem alta e clara
Que é pra gritar junto
Mas não é pra gritar no mesmo tom

(E já que estamos todos em comum acordo, podem também pegar as suas tralhas e irem me fazer de idiota em outro canto)

Ei, psiu, garotinha! Já é dezembro.

Chuva torrencial, dessas de alagar a cidade inteira, pingos do tamanho de nozes, os sapatos e as barras da calça encharcados. Tempestade de verão e daí eu me lembro porque essa é a minha época preferida do ano, porque eu gosto tanto da possibilidade de me tornar uma nova pessoa, uma nova chance, um ano inteiro novinho. Já é tempestade todo dia, já é hora de perceber que sim, tudo mudou e se há um ano atrás essa mesma chuva foi uma cortina de sonho, agora ela é minha que dói e eu só quero isso, quero minha coleção de dezembros chuvosos. Que é sol de rachar o dia todo, ombros ardendo e uma tromba d'água de paralisar a minha cidade (ela é minha agora - ou quem sabe sempre foi) exatamente como eu sou, como eu sou um dia de verão, de calor escaldante e dilúvio, e é essa a minha época do ano e ela é incrível, sempre é. Ela é incrível com a minha ansiedade infantil por presentes e festinhas, com minhas escapadas pra ensopar o uniforme ouvindo música na chuva, que é pra me acabar de beijar o então amor da minha vida no meio da poça, que é pra estar quietinha de guarda-chuva com bloquinhos de realização completa. É só meu, é tudo tão só meu e agora é assim mais do que nunca e não é solitário, é lindo como os fogos de artifício da virada do ano; esperei onze meses para quando eu posso deitar na grama e afogar na chuva quente. Eu não poderia ter escolhido uma época melhor pra nascer (retiro o que disse antes!); me reinventar justamente quando tudo acaba pra começar de novo. Vem chuva, vem dia sete, vem avião, vem ano novo, venham todos cheios de pressa, que eu estou louca pra inundar o chão inteiro com tudo mais que eu tenho pra viver.