Esse nosso jogo, tem cartas marcadas. Tudo bem, admito. Você
é a banca e está acabando comigo. Enquanto eu me esvaio em champanhe e vou
gastando todas as minhas fichas, o batom borrado e a carteira vazia. Mas não se
esqueça que quando as fichas acabarem, não vou ter mais nada pra perder. Não
vou ter mais como jogar.
Você se diverte assim porque acha que eu sou uma carta que
pode ser sacrificada. Que é só um extra, mas não vai te fazer ganhar o jogo.
Você me subestima tanto que acredita piamente que pode me deixar cozinhando por
tempo indeterminado, porque eu vou estar te esperando voltar. Porque ninguém
mais ou nada mais me interessaria (ou se interessaria por mim). Mas você
disfarça isso de nobreza, altruísmo, adora encher o peito pra dizer que é um
ser humano muito mais evoluído que eu. Que todo mundo. Quando na verdade você
só quer escapar para o seu mundinho estéril. Pra não ter que lidar com ninguém.
Você diz que quer ajudar todo mundo, mas
está se lixando para os sentimentos das pessoas, para quem precisa de
você.
Cuidado. Eu estou virando o jogo e você nem está percebendo.
O grande problema dos jogadores que sempre vencem é arrogância. Eles são
incapazes de perceber o perigo. Mais um pouco e eu ganho o jogo, quebro a mesa e
levo todas as fichas de volta pra casa.
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