sábado, 28 de julho de 2012

Melancolia

Ah, pois é. Eu não consigo acreditar que não exista vazio no universo movimentado de cada um. Por dentro de quem possa parecer mais ingênuo, mais simples, mais chapado, mas frívolo, existe um abismo. Um nada. Vir de coisa nenhuma, pra ir pra coisa nenhuma.
Viver é triste. É terrível. É solitário. É opressor.
Perguntas demais para respostas de menos. E essa sensação de abandono que já está incutida na espécie.
É árido fazer uma travessia por um caminho que não conhecemos.
Não adianta fingir que não.

***

Daí eu resolvi tentar tapar o meu buraco com as minhas próprias maluquices, que ninguém é de ferro.
Daí essa minha vontade louca de ser diferente.
Supera qualquer coisa.
Ser diferente de tudo. Viver diferente, respirar diferente, doer diferente, morrer diferente, amar diferente.
Chegar a ser alguém. É uma ilusão tosca, uma tentativa pífia, desesperada de encontrar sentido na minha existência. Como qualquer outra, de qualquer um.
Não dá pra ser diferente, porque o vazio, o vazio lá no fundo, aquele que nunca pára de doer, é comum a todos nós.

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