Domingo, Setembro 11, 2011
Vou tirar as minhas roupas, todas elas. Vou enfrentar o espelho completamente despida daquelas mentiras que eu uso pra me guardar, me proteger. E ainda assim, na minha pele existem símbolos para que eu nunca esqueça de quem eu quero ser. Estão lá, marcados e nunca mais vão sair.
Essa garota que me encara de volta, com os olhos redondos e assustados, essa constituição frágil , esses pezinhos tortos. Quase ninguém tem acesso a ela. Estou sempre em braços diferentes, mas ninguém me toca de verdade. Parece que estão tocando plástico, com dedos enluvados. Ninguém vê, ninguém me escuta, ninguém me tem de fato. Tantos gostos diferentes, tantos toques diferentes, pessoas diferentes que acreditam ter acesso às minhas intimidades. Nenhuma delas me tocou. Nenhuma delas me despiu. Nenhuma delas me beijou. Nenhuma foi capaz de se livrar da minha capa de plástico-bolha e tocar a minha pele. Todas as células, os vasinhos, os nervos, a carne, nada, nada foi de ninguém a não ser só meu. Eu sei que ninguém nunca mais vai ter coragem o suficiente para me escarnar.
Estou tão embebida em álcool que estou como um cadáver.
Estou tão empoeirada que estou como uma estátua.
Estou tão fundo dentro de mim que já não sei mais se consigo emergir.
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