Sábado, Junho 18, 2011
Eis que um dia estou eu com a cara enfiada nos livros, como sempre, e ouço uns três quatro miaus. Abri a janela para me deparar com dois olhões azul-claro, muito pidões, cheios de dengo.
Minha pequenininha é branca e cinza, com as orelhas em pé. vinha toda mansinha, se enroscar no meu colo, pedindo leite, carinho e uma caminha. Ela não podia ter acertado mais; eu, derretida que sou, coloquei ela dentro de casa em questão de semanas. Por isso eu costumo dizer que ela me escolheu e não o contrário.
Ela vinha se aninhar nos meus pés enquanto eu estudava, colocava o narizinho no vidro da porta quando eu chegava e me acordava altas horas da madrugada quando voltava da farra. Subia na pia e miava, miava, pedindo água.
Depois ela mudou de endereço. Aliás, mudou bastante; quilômetros. E eu adorava quando nas férias, podia apertá-la o quanto quisesse, ler com ela nos meus pés, e tomar sol com ela, no jardim. Adorava vê-la rolando no cimento, ou dormindo na varanda.
E um dia ela foi embora. Assim, sem mais, sem menos. Sem despedida, nem choro, nem vela. Sem brigar, me arranhar, miar. Pulou o telhado e sumiu. Fiquei numa aflição sem fim, sem saber da minha pequena, sem os miados de bom dia, sem os pêlos sujando minhas roupas.
Me disseram que amor de gato é assim.
Sem dependência. Sem obrigações. Ela vinha pedir e dar carinho na hora em que queria. E se queria ficar sozinha, não adiantava perder tempo chamando. E um dia, quando ela se cansou, ela simplesmente foi embora.
Amor de gato é o mais sincero, o menos doentio, o mais certo.
Eu morro de saudades da minha pequena, mas, eu também devo exercitar meu amor de gato. E ficar feliz por ela ter feito o que queria.
Todos os amores deveriam ser assim.
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