sábado, 26 de novembro de 2011

Jornada dupla não é nada

- Coisa bonita hein? Todo um dia um vernissage.
- Toda noite.
- Com a nata intelectual e artística para discutir os rumos metafísicos da condição humana.
- Não existe isso de "rumos metafísicos".
- Pra ouvir Portishead tomando cházinho tailandês no seu sofá de chenile coral. Que new age.
- Deveras.
- Tipo mulher balzaquiana geração prozac.
- Quase balzaquiana.
- Indo a museus e saraus de poesia; feminista praticante.
- Exato.
- Mulher independente, bem sucedida, mal-amada, vivendo com gatos numa parte deprimente de uma metrópole e usando tamanquinhos de couro cru.
- Não é cru.
- Vegetariana quase vegan, cinéfila declarada, solitária de carteirinha.
- Mas e quem não é, hoje em dia?
- Qual das três coisas?
- As três.
- E ainda assim, toda noite um vernissage.
- Toda noite.

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