Quinta-feira, Junho 16, 2011
Uns tempos atrás fui a uma farmácia, porque precisava muito mesmo de um bom remédio, um xarope bem forte, um comprimido que me deixasse dormir por uns dois dias. O farmacêutico me mostrou muitos, muitos vidrinhos.
"Qual você quer, moça?"
Qual? Porra, qualquer um.
"Qualquer um. Sério, qualquer um."
Qualquer um que tenha um gosto bom e seja fácil de tomar. Ele me deu um vidrinho, eu paguei o que tinha que pagar por ele e o trouxe pra casa.
***
Abri o vidrinho; tinha cheiro de tutti-fruti, gosto de alguma coisa bem doce mas bem vermelha, tipo red velvet.
***
Não é que eu ando virando copinhos desde então? É bem tipicamente eu, tomar remédio como se fosse sobremesa. É doce, queima a garganta e me deixa levemente embriagada assim, de um jeito que eu até posso dirigir mas ando mais ou menos em linha reta. Boa escolha, essa minha.
No rótulo está escrito "Cuidado: Não ingerir em quantidades excessivas". Grande petulância de um xarope docinho achar que vai me matar, ou me viciar. O vidrinho vai acabar, e às vezes me dá até vontade de tomar de canudinho, assim, acabar com ele de uma vez.
Mas acho que é mais gostoso ir tomando aos poucos; afinal, eu ainda não estou totalmente curada.
E mesmo que seja doce, ainda é um remédio.
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