segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quarta-feira, Julho 06, 2011

Dessa vez eu fui até o final. Se me faltava coragem antes, dessa vez foi diferente. Eu entrei na tarde ensolarada e cheia de mormaço e desapareci (dentro de mim mesma). Eu desci as mesmas ruas, eu fiz o mesmo caminho, o plém plém do piano insistente no meu ouvido machucado. Passei pelas mesmas calçadas, pelas mesmas árvores, pela mesma banca de revista. Dobrei a mesma esquina e passei por aquele prédio que eu achava tão bonito (hoje eu o achei tão feio). As casas continuam as mesmas. Tinha até um altar no jardim de uma delas. Eu fui descendo, descendo cada vez mais fundo nesse meu mundo secreto, nesse meu reduto de lembranças. Não foi tão difícil, não foi tão ruim quanto eu achei que seria. Eu entrei, fui até o fim. Desci mais, fui mais fundo. O mais fundo que dava nessa minha cratera gigantesca de significados metafóricos. Dobrei a esquina e continuei. Continuei até chegar lá em baixo. Uma via, carros, um rio canalizado, poeira, muitas placas indicando pontos turisticos, uma ponte velha. Um cachorrinho dormindo, um caminhão passando, e nada. Mais nada.
Dessa vez, eu fui até o final. E só encontrei asfalto.

***

E enquanto eu ia emergindo -devagar, bem devagar- vejam que coincidência: Na calçada três garotos, uniformizados com meu uniforme de outros tempos cumprindo os rituais que eu costumava cumprir. Quanta adrenalina.
Tive vontade de me sentar ao lado deles e contar o que sabia, mas de maluquices já me basta esse texto. Sorri quietinha e segui andando.

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