Domingo, Agosto 14, 2011
Aquele cheio de asfalto molhado, da chuva de todos os anos (às vezes mais, às vezes menos), caindo nas palmerinhas do jardim. A casa inteira iluminada, pisca-pisca colorido nas janelas e portas de vidro, queimando sob a chuva. Eu, meus sapatinhos novos, minha idade nova, andando de um lado para o outro na sala, esperando papai noel chegar. Quanta ansiedade, o tempo que não passava, não passava nunca. Até o dia em que a chuva obrigou papai-noel a arregaçar as mangas e eu pensei "que papai-noel moreno!" e pronto, fantasia acabada. Sair da sala quando meu avô fosse ver a Missa do Galo na tevê, os amigos-ocultos, bonecas barbie, aquele fusquinha azul no qual andei até minhas pernas ficarem esfoladas. Cantar noite azul noite adentro, correr com meus primos a noite inteira, dormir no banco detrás do carro, voltando pra casa.
Quando se é criança tudo é mágico.
As palmeiras secaram, os fusíveis queimaram. A casa está vazia, escura e eu quero uma taça de vinho pra esperar o sono chegar.
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