segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Segunda-feira, Outubro 03, 2011


Quero que se foda a gramática e a boa ortografia. Foda-se a crase, o bom uso da vírgula, os plurais corretos e a concordância. Pro inferno com os formalistas, os parnasianos, os caçadores de redondilhas maiores e menores da puta que pariu. Eu quero a verdade das palavras que comem letras, que atropelam a gramática, a pontuação, a subordinação das orações e obedecem somente ao instinto de continuar pelo prazer que palavras têm de se criarem sozinhas. Quero o vômito, afinal a gente sente sujo, confuso, sem vírgula. Eu quero a poesia do escracho, do não polido, do selvagem, daquilo que todos nós temos de mais primitivo, mais sincero, que vai saindo da boca do estômago direto para o papel e se alastra, contamina. Quero o escancarado, quero me escancarar e mostrar toda a minha confusão, toda a minha dor, toda a minha vontade, porque arte de verdade se faz com sangue. Não é pra ser bonito, é pra ser vermelho.

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