Quinta-feira, Janeiro 20, 2011
[minha consciência] Boa noite, senhorita Ana Carolina. Faz muito tempo desde a nossa última conversa.
[eu] Realmente. Como tem passado? Que ventos a trazem? Achei que não nos encontraríamos mais.
[minha consciência] O sarcasmo excessivo permanece.
[eu] E as sonhoglobinas, a quantas andam?
[minha consciência] Altas.
[eu]Jura? E a sonhorrealizadosglobinas, como estão?
[minha consciência] Elas não existem.
[eu] É pena. Mas... Se elas já estavam altas antes, o que te traz aqui? Não o mesmo assunto de novo, né? Afinal, você ficou cinco anos sem dar as caras.
[minha consciência] Senhorita Ana Carolina, a senhorita sabe muito bem o que me traz aqui.
[eu] ... É. Suponho que saiba. É triste, não é mesmo? Mas até você sabe reconhecer que melhorei até nesse aspecto. Ou veio me contar que o nível das babacoglobinas no meu sangue está alarmante?
[minha consciência] Elas estão em nível normal.
[eu] Taí uma coisa que eu não achei que ia ouvir um dia.
[minha consciência] Mas as sonhoglobinas...
[eu] Vai, admite. Você estava errada. Sério, se eu tivesse te escutado, estaríamos as duas fudidas.
[minha consciência] Bom...
[eu] Eu estava certa. Sem todas as milhões de sonhoglobinas no meu sangue, aonde eu estaria agora, hein? Onde estaríamos as duas?
[minha consciência] Mas isso não é desculpa para essa sua taxa excessiva!
[eu] Olha, consciência, a gente não tem que brigar não. A gente pode viver em paz. Eu até admito que ando te escutando muito mais. Só o que faz sentido, mas você também, é meio reacionária, né? Eu aprendi muita coisa, e perdi pessoas e vivi várias sensações que eu não conhecia. Eu ainda tenho muito pra aprender e pra crescer, e tudo isso vai doer pra cacete e vai ser uma delícia. Da última vez que conversamos, eu só queria passar de ano. Será que minhas sonhoglobinas estavam tão altas assim?
[minha consciência] Bom...
[eu] E as euacreditoemmimglobinas, aonde estavam? Consciência, você não precisa ser tão medrosa.
[minha consciência] Senhorita, essa conversa está tomando rumos...
[eu] Não, não. É você que não está me ouvindo. E eu estou te ouvindo. Quer saber? Minha paixão é viver, meu vício é viver e minha decepção é viver. Precisa de mais alguma resposta?
[minha consciência] Eu sou uma consciência. Eu tenho as respostas.
[eu] Não me conte nenhuma, então.
[minha consciência] E quanto as sonhoglobinas?
[eu] Até hoje não me mataram. E não se preocupe, o que não mata, engorda.
[minha consciência] Eu já nem sei mais se você não mudou nada ou mudou demais desde a última vez que nós conversamos.
[eu] Eu não mudei nada. Sou a mesma babaca de antes. Mas quem sabe, da próxima vez que nós conversemos, eu tenha uma outra taxa no meu sangue. A das conseguiserquemqueriaglobinas.
[minha consciência] Bom... Se é assim, adeus Ana Carolina.
[eu] Não minta, que nunca é adeus. Diga que é até logo porque eu não vou ter medo da próxima vez que você vier.
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