segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Noite Americana

Quinta-feira, Junho 30, 2011

E eu ainda penso porque perco meu tempo sendo sincera com os outros. A vida devia ser tipo um filme do Bertolucci, tudo tão lindo e tão tão colorido e ser devassa é bom e tem sempre mil pessoas querendo satisfazer seus desejos mais sujos. Mas não. Não, você acorda e vê que é uma realidade escrota de tão medíocre, de tão pobre, de tão revista de consultório de dentista.

Sei lá o que eu estou falando. Está tarde, eu estou com sono, eu deveria estar fazendo outras coisas.

Eu acho que a resposta é não. É quase certeza, na verdade. É não agora e todos os dias, todos os momentos, para todas as perguntas. Não, não, não e não. Mas isso não resolve. Não está me acalmando. Não está apaziguando minha raiva. Tenha calma, pense em você, blá blá blá, foda-se todos os clichês. Eu estou com muita raiva. Mas não é essa raiva vermelha que explode, que me deixa incandescente como eu já me acostumei. É uma raiva esquisita, fria, quieta. Uma raiva amarga, como se eu tivesse criado uma carcaça. Não dói mais. Bom sinal, não doer. Mas eu estou sentindo uma amargura, uma coisa que amortece as sensações. E eu não quero ser assim. Eu sempre preferi ser aguda que crônica.

Eu não sei porque perco meu tempo sendo sincera com as pessoas. Elas querem jogar, elas querem qualquer coisa, elas dizem o que não sentem, fazem o que não acreditam. O meu não é muito sincero. É de verdade. Ele se desdobra mil vezes, joga suas peças no chão, arruina seu tabuleiro.

Afinal, jogos de tabuleiro são coisa de criança. E eu odeio crianças.

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