segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pudor não é comigo

Domingo, Agosto 07, 2011

Vinícius de Morais já tinha avisado: Censura não é pra mim. Então não me venha querendo que eu cruze as pernas, aumente o comprimento do vestido, não fale palavrão. Quando você arranca o copo da minha mão desse jeito me dá vontade de quebrá-lo na sua cabeça (juro que qualquer dia faço isso).
Eu não tenho vergonha de querer demais, de falar demais, de me fazer de boba o tempo todo. Quanto mais você tenta me domar mais vontade eu tenho de fugir. Pára de correr atrás de mim com essas algemas, pára de me dizer pra eu ficar quietinha, ser uma boa moça, eu não vou ser. Você quer me deixar assim sem sal sem gosto mas eu tenho na pele o meu despudor e você pode tentar lavar, esfregar bastante; não vai sair. Não, não tenho vergonha na cara. Sou despudorada, sou sim, de ruborizar qualquer um com o que eu penso, com o que eu falo. Você tem medo? Está esperando o quê, para ir embora; eu desprezo gente covarde.
É, é selvageria que não acaba mais. Chego até a ser obscena, mas pudor, não é pra mim. Pudor é tentar esconder as coisas que estão estampadas na cara. É tentar fingir que você não é um bicho guiado pelo instinto quando tem vontade de rosnar se atravessam seu caminho. Pudor é fingimento, é véu. É pra quem quer esconder que andou se esfregando na lama, no sangue, no veneno. É pra quem não tem coragem de ser assim cheio de falhas, de ridículo, de desejo, de vontade, vontade até transbordar. Não é pra mim.

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