Segunda-feira, Outubro 17, 2011
- Doutor, você precisa me ajudar. Precisa me ajudar, porque eu me considero uma pessoa consciente, porque eu tenho senso crítico, senso de realidade, porque eu acredito na ciênca, na exatidão imprecisa da física, da matemática, da psicanálise. Mas eu não consigo me entender. Eu tomo decisões e não consigo achar os motivos. Eu sinto que estou contando mentiras pra mim do porque eu ajo como eu ajo. E isso acaba comigo, entende? Eu não to dizendo que sou bipolar, distímica, que preciso de uma farmácia de tarja preta. Eu sou bem normal, o quão normal minha história de vida me permite ser. Mas tem alguma coisa (muitas) que não se encaixa. Eu sei, doutor, sei que quem fala demais acaba falando bobagem, eu sei que me faço de burrinha e isso é tão calculado, mas por que isso é tão importante pra mim? Eu tenho um desejo que me consume, mas eu não sei que desejo é. Eu engulo tudo, todo mundo, que nem um trator, mas isso não me preenche, nem remotamente. Então, por favor, doutor me dê um diagnóstco preciso, me mostra quem eu sou de verdade, os motivos para eu tomar as decisões que eu tomo, dzer o que eu digo. A coisa que eu mais quero, que eu mais preciso é me enxergar por dentro com um filtro que só mostra verdade, por mas vergonhosa ou feia que ela seja. Doutor, não me entenda mal, eu sei que tem gente muito pior do que eu, não sou ingrata e sei que tive muita, muita sorte. Mas isso me mata. Me mata porque eu estou dividida, porque eu sinto tudo demais (como uma tempestade) e eu estou enlouquecendo, vou ficar maluca transbordando desse jeito. Então, doutor, se você pudesse me virar de cabeça pra baixo, me virar do avesso, me fazer hipnose, me pedir pra desenhar uma árvore, me perguntar da minha infânca, qualquer coisa, o que você precisar pra me mostrar o que tem do outro lado da minha máscara você ia ajudar muito. Porque enquanto eu não conseguir enxergar, tudo vai continuar confuso, cego, meio falso, meio intenso demais.
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