segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ampulheta I

Segunda-feira, Setembro 19, 2011

Vou atravessar o seu deserto
Sua aridez pálida e terrível
Do calor mais escaldante
Do frio mais congelante
Vou me perder nas dunas
Quem sabe achar algum oásis
Vou sentir na sola dos meus pés
Cada um dos seus ásperos grãos de areia
Que vai esfolar meus joelhos
Vou me deitar no seu mar de seco
Invadir sua terra arrasada
Território inóspito, solo infértil
Ser acometida por miragens
Morrer de sede
Até eu me misturar
Até eu me confundir na sua paisagem

.

Um traço, dois, três
Cada uma das suas letras
Formando um mosaico no meu corpo inteiro
Esferográfica na pele
Pra você me usar
Como um caderno em branco
Pra tinta penetrar
E nunca mais sair
Da semântica, da gramática, da ortografia
De você me tatuar um pouco, por hora
Pra eu fechar os olhos e esquecer
De todas as coisas que fazem sentido
E sentir minhas horas esvaziando dentro de você
Sem nada além de palavras marcadas na minha pele
Sem nada além da minha janela
Da tarde
Do sol
Da minha falta de rumo

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