domingo, 13 de novembro de 2011

E eu achando que ia receitar doses cavalares e cítricas de mim mesma para os outros pelo resto da vida

21.4.10 10:05 PM

Não sinto pudores de ser uma menina má. Uma má menina. Mais que isso, talvez. Sou uma quimera. Um monstro devorador. De histórias, de pessoas, de ilusões. Quero engolir o mundo. Preciso. Engolir, mastigar, triturar e cuspir. Porque tudo que existe está aí para ser experimentado. E eu sou o experimento universal. E abocanharia a lua se pudesse. Quero ter o mundo nas pontas dos dedos. E não me envergonho de querer ser déspota, maestra. E vou varrer todas as minhas fraquezas para debaixo do tapete. Mas e você? Por quê?
Porque eu quero. E pode me ferir. Me ferir bem fundo, eu me sinto tão viva na dor. Não tenho hesitações, mergulho em cada sensação, mas eu não sei medir o que vai além da pele quando me divido com alguém. Estou no limite, no fio de uma faca, entre uma autofagia e a desconfiança do que eu mereço ou não. Quero engolir a todos; mas não sei bem se quero ser engolida. Porque eu sou azeda de tão cítrica; e você me adoça. E quando você descobrir minhas fraquezas vai me ter na mão. E eu não sei se consigo me despir assim. O que você quer de mim? Eu nem sei o que é ser respeitada. Eu nem sei o que é ser honrada. O que é que você vê quando olha pra mim? Por que é que enxerga além da aspereza e da petulância? Quem você viu que eu não conheço? E quando você me vê por dentro, você me estilhaça. Mas tudo bem, eu sempre gostei de estar em cacos. Mas você revira os pedaços, encontra os avessos, e monta um quebra-cabeças de mim, que eu nem conheço, me refaz inteira e eu já não sei mais qual é o poder que tenho sobre mim mesma.
Não quero ser fraca. É o meu maior medo. Mas eu mesma estou me engolindo. Porque sabe, um escorpião tem sempre o ferrão apontado para as próprias costas. E esse veneno doce, junto com o meu azedo, nas minhas veias, é vício.

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