domingo, 13 de novembro de 2011

Resolução de ano novo

Sexta-feira, Dezembro 17, 2010


Cigarros, cabelos bagunçados, suor e veneno.
Daí você vai dizer pára, sua maluca, o mundo não vai acabar amanhã, por que você não senta, não respira, não pára de histeria e daí eu vou responder que se você me conhecesse, meu bem, saberia que comigo o mundo sempre acaba amanhã. Daí você vai me fazer sentar e vai dizer não. Não aceito, vamos conversar, vamos resolver. E eu vou ouvir, sabe, vou até prestar atenção. E você vai falar por horas, e eu vou contestar, nunca fui de levar desaforo pra casa mesmo. Vou te alfinetar, vou mentir, vou ser descarada, vou usar de todas as armas que eu tiver ao meu alcance. Daí você diz que quer me comer e isso eu vou querer ouvir. Rasga as minhas roupas, mente que eu sou gostosa, mente que você não consegue passar nem mais um minuto sem me tocar, me diz pra calar a boca e abrir as pernas, me faz ser outra pessoa, me leva prum outro mundo. E aí quando você estiver entregue eu vou ficar bem pertinho e sussurrar no seu ouvido: Eu não te amo. Daí você vai dizer que também não ama, que eu sou uma vagabunda, e que você não sabe viver sem mim. Me machuca bastante, faz doer bem forte, e aí eu posso fingir que na verdade eu sou perfeita. Eu fui feita pra isso, fui feita para ser rasgada, dilacerada, escarnada. Eu fui feita pra gostar de dor, gostar de estar sucumbida, pra gostar de ser ridícula. Você demora, às vezes, e eu não espero. O mundo acaba amanhã, o nosso mundo acaba daqui a cinco minutos se você fizer direito. Me faz explodir, me faz morder a língua e morrer envenenada.

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