Na verdade, eu sou uma mentira. Sei quem gostaria de ser, mas não sou. sei como me mostro, mas não sou. Meticulosa. Cada ação calculada para que os outros me vejam como eu quero ser vista. Tão preocupada com o externo. Brutalmente sincera, mas todas as minhas verdades são meias verdades. Escondo coisas pro prazer. Gosto de ter a informação que omiti. Gosto de sentir que controlo tudo; não controlo nada. Sou cheia de medos. Não me suporto. Não suporto ficar sozinha. Não suporto meus pensamentos. Preciso encher a cabeça ou enlouqueço. Sempre penso o pior. Sempre em paranóia. De vergonha. Queria ser imaculada. Me sinto uma prostituta. Queria ser inconsequente me sinto uma incauta. Sempre errada. Sempre no espelho quebrado. Sempre quebrando o espelho. Mentindo. Pra mim. Para os outros. Mentindo porque mentir me acalma. Minto por esporte. Tento me enganar. Não dá. Perdi os freios. Perdi o controle da minha vida. Faz tempo. Faz muito tempo. Coleciono fracassos. Esqueço das vitórias. Mas os fracassos me perseguem. Nunca estou satisfeita. Nunca estou adequada. Sou em vão. Estou sempre na contra-mão. Covarde, idiota. Pra quê tanto masoquismo? Pra que tanta megalomania? Suicida nata. Cheia de morte e vivendo com força. Tudo errado. Quero ser diferente, não faço nada certo. Um erro. Quebrei muitos espelhos. Quebrei todos. Roubei essa idéia. Não sou original. Tatuagens. Feridas. marca na minha pele o que eu sou. Eu não sei. Não sei o que eu sou. Fere à fogo então. Eu sei quem queria ser. Desastrada, sou um desastre. Já imaginei tantas vezes meus pulsos cortados. Tantos palavrões, tanta falta de sentido. Mediocridade é ser feliz. Não sei ser feliz. Não consigo. Vou vomitar. Sempre acho que vou vomitar. Sempre quero expulsar coisas de dentro de mim. Por quê não dá? Quem me controla? Eu sou uma marionete de mim mesma. Refém da minha mente. Antes via bolas coloridas sem querer. Agora vejo chagas sem querer. Tão frágil. Por quê? Hipocondria me controla. Eu quero sumir de mim. Estou sem freios. Vou bater, mas não bato nunca. Por que não bati ainda? Preciso parar de me ameaçar. Preciso reagir. Preciso fazer. Covarde. Um fracasso. Um erro. Um espelho quebrado. Sem fogo. Sem nada. Sâo só mentiras. Eu sou uma farsa. Ninguém percebe. Estou envenenada. Ninguém percebe.Sem freios e nenhuma curva pelo caminho. Que sina. Onde estão os muros? Onde está minha colisão? Não quero condução, quero conclusão. Desgovernada, sem controle, mas controlada. Existe mais alguém dentro de mim. Existe mais alguém que me controla. Sou uma marionete. Quem eu sou? Quem controla ou quem é controlada? Sou sorrisos ou sadismo? Onde estão os freios. Onde está minha voz. Onde está meu controle. Quem está aqui dentro além de mim.
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