Sexta-feira, Julho 22, 2011
Vez ou outra, essa dor amarga se transforma num monstro e fica mordiscando, roendo as minhas entranhas.
Geralmente acontece quando me dão com uma lembrança na cara. (Então é frequente, porque são lembranças demais em lugares demais).
Eu queria (eu quero?) tanta coisa. Agora eu consigo ver, céus, parece que eu estive caindo de bêbada por meses a fio, parece que jogaram pimenta nos meus olhos e só agora tudo está claro de novo. Agora eu consigo entender a extensão dos meus desejos. Agora fica mais fácil achar os motivos. Como é possível, ficar tão fora de mim assim, do jeito que eu fiquei?
Quando de repente, assim, começa a tocar aquela música e eu consigo ver, ainda que meio esfumaçada, aquela fantasia toda, aquele conto-de-fadas. Você me pegou pela mão e me levou pra outra dimensão. Eu mal consegui ficar de pé. Meus joelhos mal davam conta de me sustentar. Eu queria cair de tão tonta, de tão embrigada de você que estava, queria que você me levantasse e me fizesse entrar em coma para eu nunca mais ter que voltar.
Eu disse, eu lembro que meus olhos encheram d'água quando eu disse, "eu tenho uma estrelinha dentro de mim". Babaquice adolescente, bobagem. A estrelinha virou um monte de caco de vidro e eu estou tossindo sangue até hoje.
Choveu gasolina por muitos dias; eu sentei e assisti. Eu sentei e bebi. E cuspi. E engoli. A chuva derreteu todos os meus palitos de fósforo (eram tantos!). Eu implorei pra você criar um incêndio. Você me fez um vendaval.
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