domingo, 13 de novembro de 2011

Ícaro

30.4.07 11:28 AM

Meu coração vive incandescente de ódio. Ele é abrasivo e já está em carne viva, por se queimar todos os dias, ser lambido por chamas a todo instante. Nesse meu pico hormonal condescendente, a única emoção que me restou foi a raiva. A única que me serve para lidar e agir em qualquer situação. Meu peito infla e arde em sofreguidão, envenenado e tomado de ódio, dentes cerrados e palavras agressivas. Sou um sistema trabalhando em função da vingança, uma verdadeira tocha humana manchada de álcool e sentimentos doentios, que nutrem essa minha sede de destruição insaciável. Sou a encarnação de marte, em anseio de arrancar e rasgar, de fazer gritar e agonizar, para que minha frustração em forma de ferro líquido seja ao menos um pouco liberada. No fogo da raiva eu morro e tiro forças para continuar vivendo.

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