domingo, 13 de novembro de 2011

10.5.10 9:41 PM

Você não devia ter me dado essa chance. Uma chave para machucar você, para ter acesso aos seus segredos. Não devia se entregar à uma medusa.
Eu, muito menos, deveria ter aceitado isso, sabendo que eu sou um escorpião, cheio de veneno, e às vezes eu acabo apontando meu ferrão para mim, mas posso apontar para quem está por perto.
Eu nunca experimentei tanta entrega antes. Nunca experimentei alguém tão próximo dos meus defeitos. Tão dentro de mim, tão fundo dentro do poço, do turbilhão de coisas que eu sou. Você me feriu na alma, entrou dentro dela e a chacoalhou inteira. Eu estou em pedaços com a necessidade cega que tenho de você. Tão cega, tão abrasiva que me dá vontade de fugir, tantas vezes. Sair descalça, correndo, noite adentro e nunca mais voltar.
Eu me sinto apunhalada cada vez que você olha para mim; sinto minha carne sendo rasgada com a lâmina da consciência de que eu preciso, eu preciso, eu preciso e eu não tenho mais controle nenhum. Nada na minha vida faz mais diferença. Mesmo que eu esteja no caminho errado, eu só enxergo você.
Eu não mereço o seu carinho, a sua atenção, o seu respeito. Não sou digna do seu toque. Me sinto tão suja perto de você. Sou imunda demais para deitar na sua cama, macular seus lençóis, contaminar seu colchão. Eu nunca tive alguém que parasse para me escutar como você faz. Eu nunca tive alguém que confiasse em mim. Eu nunca tive ninguém que me deixasse entrar tão genuinamente, tão inocentemente.
Por que você me deu essa chance. Por que você continua? Pelos meus cálculos, você já devia ter ido embora há muito tempo.E você continua. Por quê ? Por que se cada vez você me vê mais de perto? Por que quando você conhece a monstruosidade, por que não foge?
Não posso suportar ser despida lentamente das máscaras que me mantêm em pé.
Não posso suportar a idéia de perder você.
E eu sei que vou.
E eu nem consigo fugir.
Você me fincou uma corrente na alma quando esteve por lá.
E ela faz doer. Doer muito. Principalmente quando eu me afasto. E principalmente quando estou perto demais.

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